Aposentados sustentam municípios

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Aposentados sustentam municípios

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O êxodo rural ameaça o de­senvolvimen­to de muni­cípios com menos de cin­co mil habitantes. Na falta de jovens os aposentados susten­tam a economia. Levantamen­to feito pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) mostra que dos 37 municípios da re­gião, onze tem 25% da popula­ção aposentada.

Nestas comunidades o setor primário é a principal receita e os aposentados são da área rural. Conforme o economis­ta, Oreno Ardêmio Heineck, esse percentual movimenta o comércio e, por outro lado, en­fraquece o crescimento redu­zindo a oferta de mão-de-obra. “Consequentemente, não há interesse de novas empresas em se instalarem no municí­pio”, afirma.

aposentadosO economista sugere às ad­ministrações municipais, que se preocupem em motivar os aposentados a voltarem a tra­balhar no campo, em ativida­des mais leves e que gerem retorno ao município. “Eles precisam produzir porque são mão de obra preparada”, rela­ta Heineck.

Nos últimos anos, os muni­cípios estimularam a abertura de novas empresas, mas en­contraram dificuldades para conseguir funcionários.

Um exemplo é o município de Travesseiro. Dos 2.314 habi­tantes, 28,5% são aposentados. A principal economia é a agri­cultura. O comerciante, Valter Osvaldo Weimer, 78 anos, é morador da cidade e recebe o benefício há 20 anos.

Ele tem um mercado e diz que a maioria de seus clientes são aposentados.

Zita Scherer, comerciante de Marques de Souza, afirma que seu empreendimento tem maior número de clientes no fim ou início do mês. Neste período 70% dos consumido­res são aposentados. “O lucro do mês depende deles”, conta. Nesse município, 26% da po­pulação é aposentada.

Êxodo Rural é o maior motivo

Conforme o professor da Univates, Lucildo Ahlert, o alto percentual de aposentados nos municípios deve-se a redução dos índices de natalidade, ao aumento da longevidade e ao êxodo rural.O professor afirma que o êxodo é o fator que mais muda a realidade habitacional. Os jovens buscam a formação e o emprego nos grandes centros e os proprietários das terras, que normalmente são mais velhos, permanecem no campo. Para ele, é natural que os municípios rurais tenham mais idosos do que os centros urbano, em função da maior oferta de empregos. Lajeado é um exemplo. A cidade tem 71.481 habitantes e 9.695 aposentados – 13,5%.

Sucessão das propriedades

Ter aposentados no município é importante para o prefeito de Travesseiro, Ricardo Rockembach. Ele salienta que os beneficiados representam economia para cidades. “Eles gastam o benefício no comércio local”, diz. Conforme o prefeito, a maior preocupação da administração é com a sucessão das propriedades. Ele cita que há o êxodo rural e com o envelhecimento dos proprietários tudo fica abandonado. “Se continuar assim, cada vez mais perderemos habitantes”, comenta. A administração procura uma forma de convencer os agricultores a manter pelo menos um dos filhos cuidando das terras. Segundo Rockembach, a cada ano, ocorrem reuniões para proporcionar vantagens aos aposentados, afim de que permaneçam na comunidade. O custeio de 100% dos medicamentos é um exemplo.

Por dentro da lei

É possível continuar trabalhando após a concessão da aposentadoria. Mas há exceções para concursados.

A aposentadoria rural por idade ocorre aos 55 anos para a mulher e aos 60 anos para o homem

Na cidade, a mulher se aposenta aos 60 anos e o homem aos 65. Aliado ao requisito idade é necessário comprovar 15 anos de contribuição

Em 2010, o percentual de processos de aposentadoria concedidos diretamente pelo INSS chegou a 43% e via processo judicial em 90%

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