Índios ameaçam trancar a duplicação

Notícia

Índios ameaçam trancar a duplicação

Por

Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Os cerca de 200 ín­dios que vivem às margens da BR-386 em uma área de 13 hectares, entre Estrela e Bom Retiro do Sul, são o maior empecilho para a dupli­cação da rodovia.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), em matéria publicada na semana passada, disse que liberará o trecho quando a dire­toria do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) cumprir o que foi negociado com a tribo. Entre as promessas está a aquisição de uma área de 33 hectares.

indiosAmanhã as diretorias do Dnit e da Funai se reunirão na aldeia, às 14h, para definir a questão.

Um antropólogo com experiên­cia em tribos indígenas afirma que os Caingangues serão remanejados para outra área. Ele salienta que o novo local deverá ter as mesmas características que o atual.

Segundo o antropólogo, a tribo tem de ser encaminhada a luga­res que mantenham suas tradi­ções e cultura. Como a matéria-prima para os artesanatos são o cipó e o bambu, o novo local deve ter esses recursos naturais.

Entretanto, Maria Antonia Soares Silva, ex-cacique cain­gangue, afirma que a tribo fará uma manifestação caso sejam obrigados a sair da área atual. Conforme ela, em documento entregue pelo Dnit em junho de 2010 a estatal não previa o re­manejo dos índios.

A ex-cacique diz que os índios vão a Fazenda Vilanova e a Ta­quari buscar cipós e bambus. Ela teme que a tribo seja prejudi­cada caso seja retirada do local, pois os artesanatos são vendidos à beira da rodovia.

O que o Dnit prometeu, em junho de 2010

33 hectares de terra;

16 novas casas;

Construção de um galpão;

Doação de 5.256 cestasbásicas duran­te o período da obra;

Um caminhão com baú para o transpor­te da matéria prima;

1.460 sementes artesanais variadas

Dono de terras pode pedir indenização

Outro fator que pode agra­var a situação é a questão da propriedade da área de 13 hectares em que os índios es­tão instalados. O empresário Erivelto Villanova, proprietário das terras, salienta que, no início de 2006, o então go­vernador Germano Rigotto se apropriou da legislação para construir casas no local.

Villanova diz que acionou a Justiça para impedir as obras. Segundo o procurador do empresário, Enio Bassegio, foi fixada uma multa de R$ 1 mil por dia caso a área não fosse devolvida. Bassegio ressalta que a dívida perdura até o momento.

O procurador salienta que o processo foi encaminhado à Justiça Federal, que de­terminou que Villanova in­gressasse com um pedido de desapropriação. Conforme Bassegio, nada foi feito até o momento,mas o processo está sob análise.

Entre as possibilidades es­tão o pedido de reintegração de posse ou de indenização. Villanova afirma que quer a questão resolvida o quanto antes, pois é a favor da dupli­cação da BR-386. “Assim as terras serão valorizadas e eu posso alugá-las”, conclui.

Saiba mais

Como vivem os Caingangues da BR-386

– São 26 famílias divididas em 20 casas;

– A renda é obtida pela venda de artesanatos à beira da rodovia;

– Esporadicamente, fazem biscates para fazendeiros;

– Algumas famílias – como a de Maria Antonia – contam com o Bolsa Família;