Chuva alivia lavouras, mas alerta persiste

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Chuva alivia lavouras, mas alerta persiste

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

As chuvas desta sema­na aliviaram, momen­taneamente, a falta de umidade do solo. Porém, forma abaixo da mé­dia, influenciadas pelo fenôme­no meteorológico La Niña, cuja característica é pouca chuva e dias quentes.

É cedo para prever perdas, mas se sabe que as condições meteorológicas podem compro­meter a safra, caso o volume de chuvas não se mantenha estável nas próximas semanas.

A situação transtorna os pro­dutores, desde outubro, quando o índice não passou de 60 milíme­tros. O engenheiro agrônomo Nilo Cortez diz que as chuvas ameni­zaram a situação das lavouras, mas não muda a previsão de seca nos próximos dias.

alivioEle diz que as plantações fo­ram prejudicadas pela baixa umidade do solo e isto afetou o desenvolvimento, principalmen­te, das pastagens e lavouras de milho e soja.

Cortez calcula que o rendi­mento das lavouras destinadas para silagem fique 40% abaixo do esperado. “A plantação preci­sa de mais água porque as espi­gas começam a se formar”, diz.

De acordo com Juliana Toma­sini, do Centro de Informações Hidrometeorológicas da Univates de Lajeado, o volume de chuvas não passou de 26 milímetros na última quarta-feira até as 17h. “Em novembro, choveu 88 milí­metros, quando o necessário era 150. A tendência é de que os volu­mes continuem baixos”, diz.

A previsão é de novas panca­das de chuva na segunda-feira, e o volume não deve passar de 15 milímetros.

Previsão de estiagem até abril

Conforme a meteorologis­ta Estael Sias, da Central de Meteorologia, a seca poderá se estender até abril. “Com o avanço do La Niña as chuvas serão de baixo volume e mal distribuídas”, diz.

Estael diz que este ano os efeitos da estiagem serão per­cebidos mais cedo. Este ano, a chuva parou em outubro, quando o normal é em de­zembro.

O resfriamento do Pacífico deixa a atmosfera mais fria durante a primavera, facili­tando a formação de granizo que pode trazer prejuízos para as lavouras, como foi registra­do há poucos dias na região alta do Vale do Taquari.

Como estão as culturas de verã

– A colheita do trigo chega a 79% da área cultivada com destaque para excelente qualidade dos grãos.

– As lavouras de arroz têm 97% da área semeada. Falta de umida­de prejudica a germinação.

– A semeadura de soja chega a 50%. A germinação está lenta e irregular, deixando falhas nas lavouras.

– A semeadura de milho chega a 78% da área cultivada, sendo que 58% está na época de floração e for­mação de espigas. A falta de umida­de pode provocar perda de 40% no milho destinado para silagem.

– As lavouras de hortigranjeiros perderam com as fortes chuvas e a queda de granizo. Com isso os preços de alguns produtos serão reajustados.

– As pastagens de verão começa­ram a germinar após as chuvas e favorecem a estabilidade da pro­dução de leite nos próximos me­ses, se a chuva continuar estável.

– A safra de fumo é antecipada para evitar que o excesso de sol possa queimar as folhas.

Preocupação continua

A chuva aliviou parte das lavouras, mas a pre­visão da calor nos pró­ximos dias projeta estia­gem.

Donato Mallmann, 52 anos, de São Bento, Cru­zeiro do Sul, aproveitou a umidade do solo para aplicar insumos. Nesta safra, ele cultivou 5 hec­tares de milho que serão destinados à silagem e quatro de soja. “A chuva veio na hora certa. Es­pero que os volumes au­mentem para evitar per­das”, comenta.

O produtor de leite, Ro­gério Franz, 52 anos, de Nova Santa Cruz, Santa Clara do Sul, diz que as sementes da pastagem de verão começaram a brotar e garantirão pasto ao rebanho de 45 vacas que produzem diaria­mente 900 litros de leite.

Franz está preocupado com a previsão de estia­gem para janeiro e feve­reiro. “Com isso a pasta­gem seca, e os custos de produção aumentam”, estima.

Saiba mais

Segundo o professor Marce­lino Hoppe, do setor de me­teorologia da Universidade de Santa Cruz do Sul, em novem­bro de 1917, choveu apenas dez milímetros.

O trimestre mais seco que se tem notícia foi o de novembro de 1942 a janeiro de 1943, quando choveu apenas 96,9 milímetros. No fim de 2009, o penúltimo mês teve recorde plu­viométrico com 410 milímetros – cerca de 39,5% a mais do que a histórica enxurrada de 1941.