Falta de chuva começa a preocupar

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Falta de chuva começa a preocupar

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Em estado de alerta face às notícias que c o n f i rma m o retorno do fenômeno La Niña, os produtores buscam alter­nativas de manejo para amenizar os efeitos dos períodos de seca. As pre­visões meteorológicas, nada animadoras, indicam que o fenômeno começou a atuar no estado, e a pre­visão é de pouca chuva, sobretudo no verão.

milhosA média de chuvas em outubro ficou abaixo da metade histórica para o mês, que é de 120 milí­metros. Conforme o en­genheiro agrônomo Nilo Cortez, a média ficou em 60, confirmando a previ­são de estiagem entre os meses de outubro e março de 2011, ao contrário do que ocorreu no ano pas­sado, quando as médias mensais superaram os 200 milímetros na maioria das localidades do Vale.

Cortez diz que se a falta de chuva persistir haverá prejuízos. “O importante é fazer reservas de água para enfrentar o período mais seco”, orienta. Os produtores de hortigran­jeiros registram perdas na produção.

O agricultor Irio Seidel, 57 anos, de Alto Conven­tos, em Lajeado, cultiva seis hectares de hortaliças e nos próximos dias terá que recorrer à irrigação para garantir o abasteci­mento dos mercados.

Ele diz que as altas temperaturas registradas nos últimos dias preju­dicam o desenvolvimen­to das plantas. “Com a queda na oferta teremos que reajustar os preços”, projeta.

Açudes e cisternas evitam perdas

Para impedir perdas o agricultor investe na construção de açudes para armazenar água para os períodos de seca. “Com isso conseguimos irrigar parte das lavouras e evitar que nossos clientes fiquem sem o produto”, diz.

Esse projeto é desenvolvido no es­tado por meio da Secretaria Extraor­dinária de Irrigação e Usos Múltiplos de Água que estimula a construção de microaçudes e cisternas. De 2008 a 2010, foram construídos 3.166 microaçudes, 1.446 cisternas, sendo beneficiados mais de 300 municípios. O investimento é de R$ 44,8 milhões.

Previsão é de estiagem

A previsão é de que este verão registre pouca chuva e temperaturas altas.

Conforme a coordenadora do Centro de Informações Hidrometeorológicas da Univates, Grasiela Both, o verão terá um comportamento oposto ao deste ano que foi marcado pelo excesso de chuvas provocado pelo fenômeno El Niño. “A previsão é de estiagem para os meses de dezembro e janeiro”, projeta.

Chuva na sexta-feira

O meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da Metsul, diz que a chuva deve retornar na sexta-feira e no sábado. A previsão é de volumes baixos, não passando de 30 milíme­tros na maioria das regiões. “Para o domingo está previsto tempo bom. Isto preocupa, pois os volumes estão abaixo da média e podem prejudicar as lavouras”, observa.

Lavouras de milho e pastagens são as mais afetadas

Segundo o assistente Téc­nico da Emater Regional de Estrela, Martin Wanderer, as lavouras de milho e as pas­tagens de verão são as mais afetadas neste momento. Ele diz que o milho está em fase inicial de desenvolvimento, e a pouca umidade no solo não permite ao produtor colocar ureia, pois além de correr risco de queimar as plantas, o insumo não dará o efeito desejado.

Em relação às pastagens, Wanderer acrescenta que as sementes têm dificuldades para germinar no solo. “Aqueles que não semearam, precisam esperar a chuva”, aconselha. O técnico chamou atenção às lavouras de soja que começam a ser cultivadas neste período. “Provavelmente, o plantio será retardado em virtude da pouca chuva que ocorreu nos últimos dias.”

Produtor sente prejuízos

Em Estrela, na comunidade de São Luís, as lavouras de milho e pastagem da família Sulzbach percebem os reflexos da falta de chuva. O produtor Gerson diz que o pasto seca e afeta a produtividade de leite. “Deveremos ter perdas na produção de silagem, pois o milho não se desenvolver”, diz.

Dicas para reduzir perdas

– usar o sistema de rota­ção de culturas.

– usar um bom sulcador no caso do milho e da soja.

– utilizar ao máximo a tecnologia disponível, como sementes de alto po­tencial, adubação equili­brada, controle adequado de pragas e doenças.

– garantir a reserva de água com a construção de cisternas e açudes.

– adubação verde e redução no passeio de máquinas nas lavouras, poderá aumentar a arma­zenagem para mais de 25 milímetros.

– planejar o plantio para favorecer o florescimento e crescimento de grãos a partir de janeiro.

– encaminhar o seguro da safra 2010/11.

– Em vez de plantar só variedade precoce, é importante ter cultivares de diferentes ciclos e não plantar tudo de uma vez, para distribuir o risco de perdas.