Fim da greve segue indefinido

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Fim da greve segue indefinido

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

greveA mobilização co­meçou na quinta-feira com a in­terrupção parcial do atendimento da Caixa Econômica Federal (CEF) em Lajeado e Arroio do Meio.

Desde o início da sema­na, a CEF de Lajeado está fechada, atendendo só os serviços agendados. Em Cruzeiro do Sul, Estrela, Venâncio Aires, Teutônia e Taquari, a rotina do banco permanece inalterada.

Agências do Banrisul dos bairros Florestal, centro e os postos de atendimento no bairro São Cristóvão e Fórum de Lajeado es­tão paralisadas. Os bancos Santander e Itaú oferecem atendimento parcial. A ex­pectativa da categoria é de que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) reto­me as negociações.

Dados dos representantes da classe contam que no estado mais de 600 agências fecharam as portas. No país estima-se que passam de 30%.

Exigência

Os bancários reivindicam aumento de 11%, valorização dos pisos salariais, maior participação nos lucros e resul­tados, medidas de proteção à saúde, garantia de emprego, mais contratações, igualdade de oportunidades, segurança contra assaltos, entre outros.

Conforme o portal do Sindicato dos Bancários, o aumento exigido foi consi­derado exagerado pela Fenaban, visto que ela oferece 4,29%, o equivalente à inflação registrada no último ano. A enti­dade se dispôs a discutir os pedidos.

Para Edson Kober, presidente do Sindi­cato dos Bancários de Lajeado, entidade que reúne os profissionais de 15 cidades do Vale, a paralisação é uma resposta à falta de interesse para a discussão demonstrada pelos representantes dos bancos.

Ele afirma que o aumento é justo por­que o faturamento dos bancos ficou 28% superior ao do ano passado. “Foi deixado tudo para a última hora para desestruturar o movimento de reivindicação”, acusa.

Ivanete Costa, gerente substituta da CEF de Arroio do Meio, afirma que pouco mais da metade dos 14 funcionários ade­riram à paralisação. Para quem precisa dos serviços bancários, ela recomenda os bancos em funcionamento ou em atendimento parcial, casas lotéricas, gui­chês de autoatendimento e a internet.

Segundo Kober, ações semelhantes do Banco Regional de Brasília e do Sindicato de Metalúrgicos do ABC Paulista conse­guiram reajustes superiores a 11,8% nos salários. A adesão dos profissionais dos bancos privados é uma novidade.

Saques de até R$ 3 mil em Lajeado

Conforme José Vanderlei Schm­midt, gerente de atendimento da CEF Lajeado, dos 47 funcionários da agência de Lajeado, 17 perma­necem atendendo, 24 aderiram à paralisação e seis encontram-se de licença ou foram remanejados para reforçar o atendimento em outros municípios.

Donato Dullius, gerente-geral, lembra que no ano passado a greve exigindo o aumento dos salários durou 18 dias até que representantes dos bancos e fun­cionários chegassem ao consenso. “Prevendo essa parada consegui­mos habilitar o saque de até R$ 3 mil nos caixas eletrônicos”, informa.

Hoje, às 10h, o Sindicato dos Bancários realiza uma reunião com a direção-geral e o comando dos funcionários do Banrisul em Porto Alegre para reiterar exi­gências repassadas há cerca de 60 dias. A greve segue por tempo indeterminado.

Idosos indignados

Na manhã de terça-feira, cerca de 20 pessoas que chegaram às 8h, no Banrisul, em Lajeado, aguardaram em vão na sala de autoatendimento pela abertura da agência. Às 10h15min, indignadas com a falta de informações chamaram as atendentes para saber o que estava acontecendo. Foi quando souberam da greve. Só então foram afixados os cartazes divulgando a ação. A maioria aguardava para retirar os benefícios do INSS, e muitos não tinham o cartão para utilizar os caixas eletrônicos.

Noêmia Balestro, 68 anos, estava na fila, quando descobriu que não poderia retirar o benefício. “Preciso do pagamento. Estou fazendo quimeoterapia, me sentindo fraca e esperei na fila até agora”, reclama.

Mara e Adelino da Silva são beneficiários do INSS e não têm cartão para retirada no caixa eletrônico. “Como vou pagar minhas contas neste mês? Tenho água e luz para acertar e não tenho como”, diz Adelino.