Índios receberão oferta de moradia em nova área

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Índios receberão oferta de moradia em nova área

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Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

A tribo caingangue localizada nas pro­ximidades da área destinada para a construção do presídio re­ceberá nova moradia e local para expor seus artesanatos. A área, em Cruzeiro do Sul, será ofertada nos próximos dias ao cacique.

A decisão foi tomada em reunião entre estado e muni­cípio, na Casa Civil, em Porto Alegre, na manhã de quarta-feira. O grupo de lideranças locais confirmou a aprovação de uma penitenciária na cida­de e entregou um ofício com os pedidos dos moradores.

Os índios seguem con­trários às obras por receio de contraírem doenças dos presidiários. O cacique Dilor Vaz alega que a tribo será a mais prejudicada.

indiosPara amenizar os conflitos o estado propôs doar uma nova área e construir casas populares para a comunidade indígena. O município abrirá um quiosque ao lado da parada de ônibus no Parque Professor Theobaldo Dick e oferecerá transporte para os índios traze­rem diariamente seus produtos para vender.

Conforme a secretária-geral de governo, Ana Pelli­ni, o maior empecilho para a construção do presídio, hoje, são os índios. Ela conta que eles não podem emperrar o início da obra, mas podem paralisá-la no caminho. “Se ficarem na área que estão, não serão prejudicados pelo presídio e não nos prejudica­rão em nada”, garante.

Na reunião, a preocupa­ção com os índios surgiu da prefeita de Lajeado, Carmem Regina Pereira Cardoso. Ela sugeriu que o impasse fosse parcialmente resolvido antes das obras se iniciarem. “Eles reclamam do local onde estão. Então podemos dá-los um ponto estratégico para a venda de seus artesanatos”, propõe.

O secretário de Obras do município, Mozart Lopes, que esteve no encontro, foi incumbido de conversar com a tribo e fazer a proposta. Ele sugeriu o ponto de venda no Parque dos Dick.

Iluminação, esgoto e pavimentação são prioridades

Ana adiantou, na quinta-feira, que nesta sexta um agente da Metroplan virá à cidade analisar os pedidos dos moradores. “Temos que ver se as obras são possíveis”, diz.

Ela afirma que a prioridade do estado será a iluminação, o esgoto e as pavimenta­ções. “O custo é alto, mas trabalhamos com os 30% sobre valor da construção da penitenciária”, anuncia. A secretária adianta que um especialista verifica a situ­ação de delimitações entre os municípios de Lajeado e Cruzeiro do Sul.

Na reunião de quarta-feira, a secretária-geral confirmou apenas algumas melhorias, como a desativação do atual presídio, um programa de prevenção à violência no bairro Santo Antônio e a im­plantação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Nenhuma envolve valores altos, mas as negociações se­guem até a próxima semana.

Pela primeira vez em um encontro com o estado todas as lideranças tinham ideias semelhantes. Todos exigiram que o estado cumpra as con­trapartidas solicitadas para que saia uma penitenciária na cidade.

As autoridades disseram que os moradores apenas autorizaram a obra porque esperam atendimento de seus pedidos. A secretária informou que o estado não quer comprar a comunida­de e fará as melhorias que proporcionarem qualidade de vida.

Cruzeiro do Sul quer audiência pública

O vice-prefeito, José Iran Maria, diz que para o estado ceder uma área para os ín­dios na cidade, terá que ouvir primeiro a comunidade local. “Os moradores precisam ser ouvidos, assim como foi em Lajeado para a instalação do presídio”, diz.

Iran Maria conta que há cinco áreas do estado no município. Duas delas fo­ram doadas para Cruzeiro do Sul e as outras três ficam a 15 quilômetros de onde os índios estão instalados hoje – nas comunidades de Destero, Santarém e Sampaio. “Nas áreas têm escolas construídas na época de Leonel Brizola”, diz.

Apenas um projeto para Lajeado

Devido ao prazo e às indecisões dos moradores de Lajeado as construtoras mostraram pouco interesse pela área local. Apenas um projeto de construção foi apresentado ao estado na tarde de terça-feira e segun­do Ana Pellini, “foi pobre”.

A prefeita Carmem se opôs, dizendo que se a obra sair na cidade, terá de ser perfeita. “Não aceitaremos uma construção que não esteja no nível de seus moradores”, diz.

Na próxima semana a secretária virá à cidade a fim de negociar as contra­partidas. Após, o projeto será reavaliado para a con­tratação da construtora. A previsão é que em outubro se iniciem as obras e que até junho de 2011 estejam concluídas..

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