Feira busca aproximar a família dos livros

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Feira busca aproximar a família dos livros

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Realizada pela ad­ministração mu­nicipal em parce­ria com Serviço Social do Comércio (Sesc) e Univates, a 5ª Feira do Livro de Lajeado, que ocorre nos dias 11 a 15 de agosto, no Parque do Imigrante, terá como principal objetivo trazer uma nova proposta de leitura para a comunidade lajeadense e região. Segun­do a secretária de Educação, Rejane Ewald, o lema do evento é “Leitura além das letras”, e a proposta é mos­trar outras formas possíveis de leitura. “Podemos ler pela percepção e pela ima­gem, e quem dá suporte para isso são as letras”, diz. Para tal, explica Rejane, estão programadas apresentações artísticas, teatros, palestras, oficinas, filmes, encontros e exposições.

Entre as principais atra­ções da feira está a presen­ça de autores renomados, como Cintia Moscovich, Wagner Costa, Walmor Santos, Christina Dias e Moacyr Sciliar. O lan­çamento de cinco livros de autores regionais está programado. O professor e patrono da feira, José Alfredo Schierolt, lançará duas obras, Cruzeiro do Sul e sua História, e Memórias das Escolas Municipais. O atendimento ao público ocorre das 9h às 20h até sexta-feira e no fim de se­mana das 14h às 20h.

Incentivo à leitura

livros

Rejane diz que a feira pretende dar se­guimento a um processo que busca mudar uma preocupante realidade brasileira. Uma pesquisa realizada em 2001 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) diagnosticou que entre leitores maiores de 14 anos e com no mínimo três anos de escolaridade, a média de livros lidos por ano ficou em 1,8, índice muito baixo, se comparado ao de países como França (7,0), Estados Unidos (5,1), Inglaterra (4,9), ou até mesmo Colômbia (2,4). “Ler não é um ato fácil, principalmen­te para quem não teve esse hábito quando criança”, afirma a secretária. Para ela, é importante que os pais, desde os primeiros anos de vida da criança, pratiquem a leitura com elas. “Uma vez desenvolvido o hábito, dificilmente ele será perdido”, acredita.

A coordenadora da 3ª Coordenadoria Regional de Educação, Maria Eunice da Rocha Werle, fala da importância da escola na formação literária do aluno e alerta para os critérios na indicação de livros. “É preciso respeitar as faixas etá­rias e os interesses das crianças para que a leitura não perca seu lado prazeroso e vire um dever”, diz, acrescentando que essa prática deve envolver escola, aluno e famílias. Para a responsável pelo curso de Letras da Univates, Renate Schnoor, a leitura deve começar ainda antes da com­pleta alfabetização da criança para que ela aprenda a manusear os livros. “Assim, quando chegar à adolescência, o aluno não terá dificuldades para compreender um livro. Isso ajudará na sua formação e inclusive a vencer crises e obstáculos da idade”, afirma.

Por que o brasileiro não lê?

A mesma pesquisa citada ante­riormente diagnosticou que entre os não leitores destaque para adultos e moradores de cidades interioranas. Segundo ela, os habitantes de cida­des com menos de dez mil habitantes são, por exemplo, quem menos leem e os que menos compram livros. Entre as razões verificadas pela pesquisa destaque para problemas de como: falta de tempo: 54%; outras preferências: 34%; desinteresse: 19%; falta de dinheiro: 18%; falta de bibliotecas: 15%.

Dados do IBGE

– 85 % das cidades brasi­leiras têm biblioteca municipal (630 municípios brasileiros não).

– Todas as 36 cidades do Vale do Taquari possuem bibliotecas municipais

– 89 das cidades não pos­suem livrarias (Existem pouco mais de 2,4 mil livrarias no país).

– O Brasil tem dois mil edi­toras que movimentam mais de 12 mil títulos e 300 milhões de exemplares publicados anualmente