Número de candidatos poderá comprometer representatividade

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Número de candidatos poderá comprometer representatividade

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Vale do Taquari po­derá ficar mais qua­tro anos sem maior representatividade na Assembléia le­gislativa para brigar pelas prioridades e projetos da região. Com 246 mil eleitores, o Vale deverá ter oito candidatos a deputado estadual. De acordo com as médias da última eleição, para se eleger o candidato precisa fazer no mínimo 30 mil votos, o que significa dizer que os oitos concorrentes teriam que somar 100% dos votos na região, e segundo o professor e publicitário Gerson Bonfadini, especializado em marketing político, é praticamente impossível. Para ele a tendência é que a grande maioria fique longe dessa quantia. “Esses números são fantasio­sos. Alguns precisam fazer até mais de 30 mil votos e sem contar que teremos votos saindo para candidatos de outras regiões”, analisa. bonfadini

Segundo Bonfadini, são muitos can­didatos para poucos votos, e na grande maioria, são pessoas desconhecidas fora da região, e dependentes diretos dos eleitores do Vale do Taquari. “Isso ocorre porque muitas candidaturas são lançadas a partir de uma iniciativa individual partidária, não corres­pondendo uma demanda maior”. Ele diz que são pequenos grupos que, por iniciativa própria, lançam candidatos sem representatividade alguma na região, ao invés de bus­carem alianças e apoiarem os mais fortes. “Temos uma cultura em que está comprovada a dificuldade de negociações entre partidos”, salienta. O professor alerta para os desgastes causados por uma campanha, que incluem gastos financeiros, tempo de trabalho, diversos contatos e negociações. Ele diz que como poucos possuem condições para tal, é comum ver candidatos desistindo antes das eleições.

Para deputado federal concorrem três candidatos

Enio Bacci é advogado criminal, foi secretário de Segurança do estado e há 16 anos ocupa o cargo de deputado federal. Ele acredita que o trabalho realizado pelos candidatos em funções públicas ou junto às comunidades é fundamental para determinar o voto dos cidadãos. “No período eleitoral todos têm resposta para tudo, portanto é no histórico dessas pessoas que o eleitor deve focar para escolher seu representante”, diz. Além da busca de recursos, ele destaca como principal ponto de sua agenda política o investimento em segurança e a interligação entre as forças privadas e públicas. “Com o auxílio da tecnologia e da fiscalização queremos promover o enfrentamento à criminalidade em todo o estado”, afirma.

Sobre o número de representantes na região, ele acredita que devido à quantidade de votos necessários, apenas um candidato conseguirá a vaga para deputado federal e que três têm chances de se eleger ao cargo estadual. Para ele, o cuidado maior deve ser com as demandas da região na busca de verbas e elabora­ção de projetos que busquem incrementar a produção local e a distribuição de renda.

O deputado estadual Marquinho Lang (DEM) concorre ao cargo de deputado federal com a proposta de valorizar o Vale do Taquari como um todo. O trabalho de candidatura será voltado ao agronegócio, à segurança e à acessibilidade de pessoas que se encontram em situações de risco, deficiência ou pobreza.

Ele explica que na verba anual de R$ 12,5 mil disponível para emendas no cargo pretendido terão como destino os vales do Ta­quari e Rio Pardo, que acredita dividirem realidades semelhantes além da proximidade geográfica.

Sobre a campanha para valorizar os candidatos do Vale ele concorda. “Digo sempre que escolha um candidato do Vale que saiba da realidade de sua região.”

Elmar André Schneider é natural de Estrela, foi radialista e vereador no seu município de 1982 a 1988. Elegeu-se deputado estadual por dois mandatos consecutivos, em 1998 e em 2002. Ele afirma que suas metas incluem a defesa da agricultura, a garantia de verbas para a duplicação da BR-386 e o apoio aos municípios e ao Codevat. “Além disso, lutar por reforma política, reforma tributária e pelo voto distrital”, afirma.

Sobre a quantidade de candidatos ele afirma ser importante que as pessoas coloquem seus nomes à disposição e que cabe ao eleitor fazer a melhor escolha. Quanto à campanha para o voto em candidatos do Vale ele concorda com os empresários e comunidade, “pois temos que ser bairristas e votar nos candidatos da região”, afirma.

Falta experiência aos políticos da região

Bonfadini acredita que o Vale tem muito a aprender com os candidatos de outras regiões. Segundo ele, é comum vermos deputados de fora do Vale do Taquari circulando pelas principais cidades da região, angariando recursos e recebendo votos em épocas de eleição. “Não somos bons em nos expor, e os partidos estão atrelados na mão de velhos caciques. Precisamos de uma renovação para que surjam novos e bons nomes”, acredita. Para o professor, a região se destaca muito na produção, no trabalho pesado, mas peca no momento de negociar. “Não temos a cultura de se dedicar à política”, observa.

Novos tempos

O professor usa o exemplo das eleições presidenciais para falar do novo momento da política. Ele lembra que, na última eleição, por exemplo, eram mais de dez candidatos, número que diminuiu para três neste ano. “Talvez surjam um ou dois candidatos mais. Mas a tendência é que a eleição se concentre apenas em três pessoas”, afirma. Bonfadini diz que isso se deve à dificuldade de se manter uma campanha, e das facilidades de se buscar uma negociação ou aliança.

Problemas para a região

Entre os principais problemas gerados pela falta de representatividade política, Bonfadini alerta para o fato do Produto Interno Bruto (PIB) do Vale do Taquari estar abaixo da média estadual, e o pouco número de pro­jetos e emendas voltados para necessidades da região. “Com isso, perdemos recursos em todas as áreas sociais. Ele lamenta o fato de muitos prefeitos terem de ir a Brasília buscar recursos, justamente pela falta de representan­tes no governo federal. “Isso é um absurdo. Não é o papel do prefeito”, afirma, citando o caso dos municípios de Marques de Souza e Travesseiro, que, destruídos pelas enxurradas de janeiro, não tiveram influências dentro dos ministérios, e até hoje aguardam por recursos para suas reconstruções.

“O povo vota em quem é conhecido”

O advogado Flávio Ferri, candidato a deputado es­tadual pelo PMDB, usará como projeto principal a necessidade de eleger um candidato do Vale. Idea­lizador da Campanha Eu Voto em Candidato do Vale, Ferri diz que ela é tão boa que outros candidatos já estão a usando.

Para Ferri, dizer que o projeto principal é saúde, educa­ção e outros segmentos é “balela”. Ele afirma que todas as cidades têm necessidades semelhantes e essas devem ser resolvidas depois das eleições, como um problema do Vale do Taquari e não de uma cidade específica.

Ferri acredita que alguns candidatos desistirão antes das eleições, favorecendo os outros nomes. A tendência é que o povo vote em pessoas conhecidas com qualificações. “Questione a todos se sabem em quem votaram nas últimas eleições. Poucos se lembram”, argumenta.

“Tem candidatos demais”

“Abrir portas para o Vale” será o lema de campanha do progressista Isidoro Forna­ri. O candidato está licen­ciado do cargo de secretário de governo da Prefeitura de Lajeado. Ele conta que hoje as reivindicações dos prefeitos da região são feitas a deputados de outras regiões e esses atendem primeiramente as suas cidades. “Temos que ter um maior elo entre a assembleia e região”, diz.

Sobre a quantidade de candidatos Fornari manifesta insatisfação e diz que os partidos estão medindo forças. “É a briga entre partidos para ver quem é o melhor”, contesta. Conforme ele, a disputa é tamanha que inclusive um partido está candidatando duas pessoas para se fortalecer. Para o can­didato falta amadurecimento da política regional, que deveria ter se unido para candidatar no máximo três líderes. Segundo Fornari, se os eleitores da região dividirem seus votos entre os oito candidatos, há risco de nenhum se eleger.

Fornari aderiu à Campanha Eu Voto em Candidatos do Vale e inclusive seu principal projeto remete ao assunto.

“Região está mais consciente nestas eleições”

O petista Áurio Scherer terá como prioridade a necessidade das famílias de pequenos agricultores. Pretende somar votos apresentando projetos de facilidades nos créditos, aposentadorias e potência de energia elétrica.

Scherer não quis comentar a quantidade de candidatos à Assem­bleia Legislativa e diz que a região está mais consciente nestas eleições. O candidato salienta que todas as lideranças devem se engajar na Campanha Eu Voto em Candidato do Vale. Na sua visão a região é uma das mais produtivas e fortes do estado e precisa de uma representa­tividade maior.

“ Se pensarmos apenas em nossos municípios não seremos eleitos”

O democrata Arlindo Câmara, de Venâncio Aires, foi chefe de gabinete, vereador e hoje é assessor do deputado Marquinho Lang, ao qual espelha sua atuação e quer assumir o espaço nas questões das regiões dos vales do Taquari e Rio Pardo. Segundo ele, entre as prioridades está a segurança no campo e o agronegócio que podem ser conquistados com investimentos em equipamentos, efetivo e treinamentos.

Sobre a quantidade de candidatos ele acredita que a representativi­dade deve ser buscada em todos os municípios da região tanto com projetos abrangentes quanto conhecendo as peculiaridades de cada local. “Se pensarmos apenas em nossos municípios não seremos elei­tos.” Ele acredita na vitória de dois candidatos ao cargo de deputado federal e três ou quatro representantes do vales do Taquari e Rio Pardo para deputado estadual.

Após eleitos as ações devem permanecer no Vale

O petista Luís Fernando Schmitt é cirurgião-dentista e por 16 anos ocupou cargos públicos no estado. Candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa destaca que sua meta é gerar empregos e renda. Para Schmitt os candidatos devem estar inseridos e cientes da realidade regional sem nunca perder de vista as prioridades e demandas do estado. “Acredito que a participação dos representantes populares na gestão de um deputado seja fundamental para identificar pontos fortes e fracos.”

O candidato afirma que este ano, o Vale terá mais possibi­lidades de eleger seus representantes, porque na eleição passada praticamente o dobro de concorrentes dividiu votos e diminuiu a representatividade do Vale do Taquari. Ele é a favor da Campanha Eu Voto em Candidato do Vale e presume que os demais partidos dividam essa opinião. Para ele, é fundamental focar os votos na região.

Qualificação profissional no turno livre

O tucano Daniel Delavald participa pela terceira vez das eleições. Hoje ocupa o cargo de suplente de vereador e aposta no ensino profissionalizante como principal projeto. Para Delavald, investir em qualificação profissional nos turnos livres é uma forma de fugir das rotinas assistencialistas, garantir renda, propiciar aos jovens a entrada no mercado de trabalho e afastá-los da violência e drogas.

Ele considera importante que a região se mobilize para eleger representantes locais e com isso ganhar prioridade em emendas e repasses de verba do governo federal. “Com articulação e informação acredito que possamos dar espaço a três políticos neste ano.”

Delavald acredita que nas últimas eleições não houve nenhum representante eleito devido à da pulverização dos votos do Vale do Taquari, visto que há muitos candidatos locais.

Apostando em votos de jovens

O técnico em agropecuá­ria e professor universitário Fernando Marasca (PMDB) concorre pela primeira vez ao cargo de deputado estadual. Ele acredita na renovação dos representantes populares por meio da participação dos jovens no pleito motivados pela informação qualificada.

Sobre a quantidade de políticos no Vale ele lamenta que se perde em representatividade com a pulverização dos votos e com a vinda de candidatos de outras regiões. “A campanha que orienta para a votação em candidatos do Vale é fundamental e a participação das lideranças locais como prefeitos e vereadores é um bom caminho para orientar a população sobre a importância da escolha”, afirma.

“Vamos evitar os “paraquedistas” de outras regiões

O advogado estrelense Paulo Argeu Fernandes (PDT) já concorreu a prefeito e agora disputa o cargo de deputado estadual com foco principal na educação e conta com a proposta de implantação do turno integral nas escolas da região. O candidato defende o aumento das verbas para a saúde pública dos 6% oferecidos pelo poder público para os 12% permitidos pela legislação estadual.

Segundo Fernandes, o Vale cada vez mais se dá conta da importância da representatividade junto ao poder público e busca conhecer os candidatos da região. Para ele, a função de vigiar de perto os atos públicos é importante para que os representantes da região consigam atrair investimentos. “Acredito na vitória de três deputados estaduais e dois federais do Vale no próximo pleito e sou a favor da campanha pelos candidatos daqui, vamos evitar os “paraquedistas” de outras regiões e unir nossos esforços.”