Indústrias ameaçam sair da cidade

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Indústrias ameaçam sair da cidade

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Ruas esburacadas que costumam alagar em dias de chuva é apenas um dos problemas enfrenta­dos pelas indústrias instaladas no loteamento industrial do município, localizado entre os bairros Imigrante e Centenário. Na região, a ilumina­ção é precária e inexiste em algumas ruas. A falta de roçadas e limpezas em áreas verdes e terrenos baldios completam o cenário desolador, no qual é possível averiguar a presença de obras inacabadas e empresas fechadas. Segundo o empresário Waldir Silveira, que tem uma in­dústria de produtos de limpeza, essa realidade tem feito com que o seu negócio apresente dificuldades em relação ao seu crescimento econô­mico. Instalado há três anos na rua Nilo Cardoso e contando hoje com 23 funcionários, Silveira diz que a falta de pavimentação das vias dificulta a locomoção de veículos pesados que precisam fazer a entrega e o recolhimento de produtos. “Em dias de chuva é impossível ele che­gar até aqui”, afirma, acrescentando que em alguns pontos as ruas estão sumindo devido à erosão e à falta de roçadas.

Ele conta que até mesmo veículos leves têm dificuldades para chegar até a empresa, pois a dia de chuvarua não tem sinalização. O empresário alega que sente vergonha do local, quando visitado por algum cliente ou forne­cedor. “A imagem da empresa fica comprometida”, diz. A insegurança é outro ponto citado pelo empresário. Segundo ele, a falta de iluminação adequada e a grande quantidade de mato comprometem a segurança de todos. “Temos nosso próprio con­trole de segurança”, afirma. Silveira ressalta que a empresa está com um projeto de crescimento e expansão e que gostaria muito de continuar em Lajeado. “Esta é minha cidade, não quero sair, mas para isso precisamos ser melhores atendidos”, lamenta. Silveira diz que recebeu convites de outras administrações para trocar de cidade, mas reconhece as dificul­dades do processo. “O ideal, claro, seria continuarmos aqui”, frisa.

Administração municipal se defende

Segundo o secretário de Obras de Lajeado, Mozart Lopes, a rua Nilo Cardoso está dentro de um projeto de financiamento junto ao Caixa-RS, num valor de R$ 3,3 milhões e que realizará a pavimentação de 27 ruas do município. “A previsão é que isso venha ocorrer no segundo semestre”, afirma. Lopes diz que a pavimentação será no sistema comunitário, em que a administração paga 25% da obra, e o restante deve ser pago pelos donos dos lotes. O secretário adianta que está em negociação um programa, para que os próxi­mos lotes sejam entregues com pavimentação. “Com isso, o custo da obra virá incluído no preço do terreno”, diz.

Sobre a falta de iluminação pública, Lopes diz que está sendo providenciado a colocação de lâmpadas na rua Erly Bach, que liga o loteamento ao bairro Cen­tenário. Questionada sobre a falta de roçadas e limpezas em alguns terrenos da região, a Secretaria de Agricultura garante que uma equipe se deslocará para o local na próxima semana. A Secretaria de Indústria e Comércio afirma que as indústrias novas e aquelas instaladas em Lajeado recebem incentivos da administração, como o auxílio na aquisição de área de terras; venda a preços subsidiados e de lotes em Áreas Industriais; locação de imóvel ou ressarcimen­to parcial ou integral do aluguel; cedência de prédio ou área de terras para instalação da empresa, por meio de direito real de uso, ou de doação; financiamento parcial do empreendimento; custeio de treinamento de recursos humanos; e serviços de máquinas.

“Verdadeiro abandono”

Para o empresário Mauro Salling, que tem uma empresa na mesma rua, empregando cinco funcionários, o caso pode ser tratado como de abandono por parte da administração municipal. Ele diz que recebe em média dez veículos de fornecedores e clientes por dia e que seu fatura­mento mensal é em média R$ 600 mil. “Recebo clientes de diversos países e tenho que recebê-los nessas condições”, lamenta. Para ele, o fato das empresas localizadas no loteamento trazerem rendimentos e novos empregos para o município deveria reverter em mais benefícios, principalmente na questão da pavi­mentação e infraestrutura.

Foto Rodrigo Martini