Preço baixo desanima produtores

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Preço baixo desanima produtores

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A colheita da soja no Vale do Taquari segue em ritmo ace­lerado e bem acima da média para esta época, alcançando 80% do total. Segundo dados da Emater/RS-Ascar, as lavouras têm atingido a maturação cedo, encurtando o ciclo e ficando prontas para a co­lheita antes do previsto. Com isso, é possível que a safra encerre 15 ou 20 dias antes. Segundo os técnicos, em alguns casos são necessários mutirões de máquinas para uma colheita mais rápida, para não haver perdas na qualidade pelo excesso de exposição do produto às intempéries. Além disso, os vo­lumes retirados estão bem maiores que em anos anteriores.

Conforme o agrônomo Elomar Silveira da Associação Rural de Lajeado (Arla), a colheita da soja está dentro do normal. Segundo ele, os produtores estão colhendo as lavouras tardias. “Acredito que até o fim do mês esteja tudo pronto. O tempo bom nesta safra foi fundamental para evitar perdas e manter a qualidade do grão.” A produtividade média está acima de 50 sacos por hectare, o que é considerado um bom resultado, já que a cultura não sofreu com a questão das condições meteo­rológicas.

sojaQuanto à venda, Silveira acon­selha estocar o grão. “O produtor deve vender apenas para pagar as despesas. Acredito que os pre­ços serão reajustados, tendo em vista a boa qualidade do grão”, afirma.

Grão será estocado

O que preocupa o sojicultor é o preço pago pelo produto, que está na média de R$ 34 a saca. Nelson Schorr de São Bento, Lajeado, cultivou nesta safra cerca de 200 hectares da oleaginosa. “A produtividade está boa, porém o preço é desanimador. No ano passado vendi a saca por R$ 47, nesta não ganhei mais de R$ 34. O lucro que temos é baixo para continuar investindo em novas tecnologias e qualificar a produção”, observa.

Uma das apostas do produtor para aumentar a produção é o plantio de variedades transgênicas de ciclo precoce, como a Roos Camino. “Ela é mais resistente, su­perprecoce e tem um rendimento de até 10% maior do que as variedades comuns”, explica. Schorr deverá colher cerca de 10 mil sacas de soja. Dessas, grande parte ficará estocada à espera de melhores preços.

Safra recorde

Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Co­nab), o estado pode ter a melhor safra de grãos de sua história neste ano. A projeção é de que sejam colhidas 24,18 milhões de toneladas de grãos. Conforme o diretor da Brasoja, Antônio Sartori, analisando os preços atuais, seriam injetados na economia aproximadamente R$ 11 bilhões. “Como o preço está menor este ano, o valor ficaria abaixo dos R$ 12 bilhões gerados pela safra passada”, analisa.

No caso da soja, a área cultivada cresceu 4,2% por causa do preço favorável na época de plantio. A produtividade deve ter aumento de 18%. Sartori explica que custos ao produtor de soja estão em R$ 32,47, enquanto o preço da saca está entre R$ 34 e R$ 35: ou seja, as margens estão apertadas. O preço pago pela saca está 20% menor em comparação a safra passada, um diferença de R$ 13 na saca. “O mercado futuro sinaliza um preço mais baixo em função da alta oferta do produto no mercado”, argumenta. A orientação é que o produtor venda aos poucos para fazer frente aos seus compromissos e tenha alguma reserva para acompanhar as especulações.