Falta de leitos fecha portas de UTIs

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Falta de leitos fecha portas de UTIs

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A região de maior déficit de leitos do estado pos­sui apenas dois hospitais – Estrela e o Bruno Born (HBB) de Lajeado – com Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Eles passam por problemas de superlotação e ainda que haja uma pretensão de construção de mais dez leitos em Lajeado, não há previsão de melhora por falta de estatísticas. O HBB tem dez leitos permanentes que sempre estão ocu­pados em função de acidentes com politraumatismo. Assim como o Hospital Estrela que na maioria das ocasiões não possui vagas devido à ocupação das vítimas de acidentes de trânsito. A Secretaria Estadual de Saúde mantém uma Central de Regulação de Leitos para dis­ciplinar o atendimento intensivo. No entanto, o quadro se repete em praticamente todo estado, onde pacientes aguardam na emergência ou até mesmo são transferidos para hospitais distantes.

UTIEm Lajeado, a demanda de pacientes faz com que todas as semanas pelo menos uma pessoa seja atendida na emergência em um leito com recursos de UTI. Conforme o diretor técnico do HBB, Cláudio Klein, no Carnaval de 2009 chegou a três o número de pacientes em estado grave atendi­dos na emergência. Todos os leitos desse hospital são contratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e estão sempre em ocupação total, porque precisa receber internados de todo o estado.

Todos os dias a casa de saúde envia dois censos para a Central de Regulação de Leitos, informando a ocupação e as características de cada paciente internado. O órgão examina as vagas do hospital e en­caminha mais pacientes de qualquer localidade do estado, além de ava­liar se a internação é necessária.

Para Klein, o maior problema é a falta de diálogo dos gestores com a administração dos hospitais. Ele conta que os políticos repassam recursos ou até mesmo deixam de fazê-lo, porque não sabem quais são as necessidades das casas de saúde. O custo para construir um leito de UTI é de R$ 200 mil. Esse valor, segundo o diretor, é buscado com recursos de gestores, mas o restante – toda a administração – é por conta dos hospitais. O custo diário de uma unidade é de R$ 478,72, sendo que uma pessoa fica internada em média de seis a 40 dias. Em 2009, passaram 162 pessoas pela unidade do HBB, dessas apenas 47 são de Lajeado, as demais foram todas transferidas pela Central do Estado. Para o diretor, um trabalho seguro na unidade é quando a ocupação é em média 75%, diferente do que acontece, visto que os leitos são todos ocupados.

Região tem maior déficit do estado

Dados da Central de Regulação de Leitos do Estado revelam que a região dos Vales possui um déficit de 3,2% de leitos – a maior de todo o estado. A enfermeira responsável, Miriam Beatriz Bellinaso, explica que o ideal é que cada hospital te­nha 7% dos leitos transformados em UTIs, mas a região possui apenas 3,8%. No estado estão disponíveis 141 serviços de unidades (81 adul­to, 27 pediatras, 31 neonatal e dois queimados), desses 69 estão sob gestão estadual com recursos do SUS. Segundo Miriam, há cidades em que se faz uma negociação com o governo municipal para internar pacientes, exceto Porto Alegre que não aceita nenhuma pessoa enca­minhada pela Central.

O atendimento da Central é todo baseado em falta de vagas e intermediação intermunicipais. A enfermeira relata que são feitas em média pelo órgão 700 internações no estado. Na visão dela o maior problema de superlotação é a desigualdade de distribuição das unidades e a utilização incorreta delas. “A UTI neonatal é o grande gargalo da saúde. Com pesquisas reduzimos nos últimos seis meses, 15% dos problemas, dando vagas para mais 80 crianças recém-nascidas”, conta.

Mais leitos até o fim do ano

Durante o ano, o HBB recebeu diversos recursos, entre eles de parlamentares estaduais. Esses valores foram utilizados para a compra de equipamentos para os novos leitos da UTI. Segundo Klein, o hospital possui espaço físico e todos os equipamentos para 20 lei­tos. “Falta equipe profissional, que é difícil de encontrar”, diz. O diretor do HBB explica que conforme a lei, para cada dez leitos é preciso ter um médico e uma enfermeira. En­tão com mais dez vagas a equipe médica será duplicada. A pretensão é que até o fim do ano os novos leitos estejam em funcionamento. Contudo, Klein afirma que mesmo com as novas vagas não é possível dizer que o problema ficará parcialmente resolvido já que não possuem dados que mostrem a demanda reprimida.