Vale quer eleger mais deputados locais em 2010

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Vale quer eleger mais deputados locais em 2010

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Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

politicaDiferente de outras legislaturas que conseguiram ele­ger até três depu­tados estaduais a região tem só dois representan­tes: Marquinhos Lang (DEM), vice-presidente da Assembleia Legislativa e Enio Bacci (PDT), deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública.

Para evitar que políticos de outras regiões diluam os votos regionais, uma campanha ob­jetiva deixar de lado interesses políticos e partidários. Um adesivo começou a aparecer nos automóveis com uma mensagem que estimula os eleitores a vo­tarem em candidatos do Vale do Taquari para deputado estadual e federal. A ideia partiu do advo­gado Flávio Ferri. “Temos bons nomes e necessitamos apostar neles”, salientou Ferri. Para jus­tificar, cita o exemplo de 2006, quando 99% dos candidatos do estado receberam voto em Laje­ado e apenas dois representantes da região foram eleitos. Ferri não entende por que candidatos de Uruguaiana, por exemplo, re­cebem votos em Lajeado. “Nas horas ruins esses políticos não aparecem para defender nossas necessidades.”

Ferri ressalta que hoje é possível eleger três deputa­dos estaduais e dois federais, principalmente, porque possu­ímos mais de 200 mil eleito­res. “Mesmo com 50% destes eleitores podemos eleger mais candidatos. Temos aqui bons nomes para concorrer”, obser­va, acrescentando que o Vale do Taquari não fica abaixo de nenhuma região em termos de es­trutura. Outro detalhe citado por ele são os cargos de secretários e ministros. “Tivemos o Bacci por apenas 90 dias e ninguém da região mexeu uma palha para defendê-lo quando foi demiti­do”, lembra. Bacci denunciou o esquema fraudulento do Detran em que foi constado desvio de R$ 40 milhões dos cofres públicos e foi desempossado do cargo pelo governo de Yeda Crusius.

Entre os problemas surgidos pela falta de representatividade, Ferri cita a dificuldade de dupli­car a BR-386 no trecho Estrela – Tabaí. “Quem está trabalhando forte é o Codevat, quando na verdade precisávamos de alguém lá dentro para defender nossos interesses”, diz.

Enio Bacci reclama de desprestígio com seu cargo

O pedetista Enio Bacci afirma que ouviu comentários sobre a falta de representatividade dos deputados eleitos, mas diz que estão se referindo à Assembleia Legislativa, em que tínhamos três deputados e hoje tem apenas um. “O Vale nunca teve um deputado federal até 1994, quando entrei para a câmara e consegui diversos benefícios para a região”, observa. Segundo ele, existe sim represen­tatividade junto ao governo federal e cita como exemplo a vitória na primeira etapa da obra de dupli­cação da BR-386, e as recentes conquistas para o complemento desta. “Sou de Lajeado, tenho compromisso com o Vale. Basta de candidatos de fora tirarem votos daqui sem sequer conhecerem nossas necessidades”, reforça.

Sobre a campanha encabe­çada por Flávio Ferri, Bacci acha positivo, porém deve ser espalhada por entidades sociais. “É válido lutar por nossos candidatos e teríamos mais força com o apoio das entidades como CDL e Acil”, opina. Ele lembra que em to­das as eleições, candidatos de fora aparecem na nossa região, tirando votos dos representan­tes do Vale do Taquari. “Assim como Marquinhos Lang, que é o único deputado da região, pode­mos eleger outros e quem sabe conseguir uma secretaria no governo”, salienta. Bacci diz ser um defensor do voto distrital, no qual cada região elege só seus representantes. Para isso, acre­dita que é preciso pensar em força política da região e deixar como secundário a questão par­tidária. “Se for do meu partido melhor, mas se não, devemos apoiar os nossos candidatos, não importa”, afirma, acrescen­tando que é o único deputado da região que tem escritório político aberto há 15 anos para atender a comunidade.

Lang pede apoio aos locais

Segundo o deputado estadual e primeiro vice-presidente da Assembleia Legislativa, Marquinho Lang (DEM), a região tem condições de eleger quatro ou cinco deputados estaduais e três federais. “Mas para isso é preciso que as pessoas apostem nos conterrâneos. Em minhas campanhas sempre citava o candidato local, por mais que isso significasse perda de votos para minha legenda”, afi rma.

Para ele, quanto mais representantes, maior é a força política do Vale. “Nos pleitos que abrangem a região sempre fui e serei a favor e agora como vicepresidente terei mais força”, avisa. Se tudo der certo, Lang será presidente da assembléia por diversas vezes, pois o presidente atual deverá se ausentar bastante. “O presidente nunca toma nenhuma decisão sem falar com o vice antes. Isso é importante para a região.” O presidente atual da Assembléia é Giovani Cherini (PDT).

Presidente da Amvat cobra qualidade

Segundo o presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), Paulo Cezar Khorlausch, a estrutura partidária mudou nos últimos dez anos. “A condição partidária não é o que era

e está relegada ao segundo plano. É mais importante apostar em pessoas da nossa região do que em gente de fora só por ser de um mesmo partido”, disse.

O prefeito ressalta que é válida a campanha de valorizar representantes locais, “mas isso não signifi ca que possa ser qualquer um”. Para ele, o candidato precisa ter conhecimento, representatividade e articulação política. “A comunidade precisa conhecê-lo e ele necessita saber a linha de pensamento de cada localidade da região”, enfatiza. O prefeito de Santa Clara do Sul salienta que embora o candidato tenha conhecimento e representatividade, não conseguirá apoio necessário sem articulação. “Fora do Vale ele precisa ser conhecido pelos colegas da assembleia ou da câmara. Deve ter visibilidade no Estado e em Brasília.” Conforme o presidente, a falta de representantes para a região é nociva. Khorlausch se diz constrangido ao falar sobre o apoio a possíveis candidatos de outras legendas. “Ainda não foi riscada defi nitivamente a minha pré-candidatura. Volta e meia sou cogitado, mas não quero puxar brasa para o meu assado”, fi naliza.

Comunidade desconhece os deputados da região

Jardel Rodrigues, mecânico:

“Não sei o nome de nenhum deputado, nem dos que votei, nem dos possíveis candidatos

para a próxima eleição”.

Jackeline Franz, balconista:

“Não sei quem são os deputados nem imagino o nome dos candidatos. Vou votar porque é obrigação”.

Luis Carlos Gonçalves, pedreiro:

“Não tenho ideia de quem votei na última eleição, nem sei o nome dos deputados ou dos candidatos da região. Acho bom votar em pessoas daqui”.

Fernanda Huppes, estudante:

“Lembro apenas do Elmar Schneider. Acho correto fazer uma campanha para

valorizar candidatos daqui”.

Moacir Dietrich, taxista:

“Não votei nenhum deputado, pois a maioria é envolvido em desvios de diárias, escândalos e quando precisamos de ajuda não há ninguém. Cada região tinha que ter

seus representantes. Daqui só lembro do Marquinhos Lang”.

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