Abelhas sem ferrão criadas no quintal

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Abelhas sem ferrão criadas no quintal

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Um surto que começou nos Es­tados Unidos e se espalhou por mais de dez países tem intrigado cientistas. As abelhas estão abandonando as colmeias sem deixar rastro. A síndrome conhecida como colony collapse disorder (desordem de colapso de colônia, em inglês) é uma alteração genética que esvaziou cerca de 40% das colmeias norte-americanas. Esse vírus, que ainda não foi isolado, causa modificações em 65 genes dos insetos, provocando a fuga das abelhas responsáveis pela polinização de mais da metade das 240 mil espécies de plantas floríferas que existem no mundo. Isso pode influen­ciar profundamente a reprodução das flores e consequentemente os grãos.

Para evitar a extinção, no Brasil, as abelhas nativas (sem ferrão) podem ser cultivadas em casa. Dóceis e de fácil manuseio, muitos cultivam-as para uma renda extra, pois o preço do mel é superior ao das africanas, chegando, em algumas regiões do país como em João Pessoa, a R$ 300, o quilo.

Hobby que preserva as espécies

Essa atividade, conhecida como meliponicultura, que foi inicialmente desenvolvida pelos índios, é desenvolvida há cinco anos pelo vice-presidente do Sicredi, Ruy Rieth, que faz da criação, um passatempo. “Já ouvi dizer que se todas as abelhas sumissem do planeta, o mundo acabaria em 40 anos”, disse. Ele tem suas caixas no centro da cidade, pois segundo a Emater, essa atividade é liberada. “É uma abelha dócil, que não ataca”, explicou o técnico em Agropecuária da Emater/Lajeado Cláudio José Boone.

Ruy tem abelhas importadas da Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Norte, muitas delas trazidas por ele, ou até mesmo por sedex. O Brasil tem mais de 400 espécies e cada uma delas produz de um jeito. “Os diferentes gêneros selecionam o tipo de flor que dará o sabor diferente no mel, que mais parece um licor”, fala.

Ruy cria as espécies gaúchas jataí, mandaçai, manduri, guaraipo e de outros estados como urucu nordestina, urucu amarela, boca de renda, jandaíra, tubuna, mandaguari entre outras. Para Ruy, o avanço da agricultura e a aplicação de inseticidas ameaçam o inseto. “Qualquer criança pode manusear e para começar é preciso ter caixas racionais que facilitem a separação e a multiplicação dos enxa­mes”, finaliza.

Xarope natural como fonte de renda

O mel produzido pelas abelhas sem ferrão contêm os nutrientes básicos à saúde, como açúcares, proteínas, vitaminas e gordura, possuindo uma elevada atividade antibacteriana e é usado contra doenças pulmonares, resfriado, gripe, fraqueza e infecções de olhos. Além de fonte de alimento e remédio, o mel representa, em algumas regiões, uma importante fonte de renda. Na Região Nordeste, onde a meliponicultura é mais praticada, são encontrados meliponicultores com até 1,5 mil ninhos de abelhas. Um litro desse mel é vendido por no mínimo R$ 40 no Nordeste, podendo alcançar R$ 100 na região Sudeste e R$ 300, na Paraíba.

Abelhas sem ferrão