Por trás da expectativa de liberação da ponte na ERS-130, a história dos trabalhadores se soma à força do Vale. Alguns deles cruzaram o país para contribuir em uma das principais obras de infraestrutura que reconectará a região. Outros tantos, nascidos e criados aqui, também colaboraram com seu trabalho para que a obra avançasse. Entre engenheiros, operários e motoristas, cada um teve seu papel na reconstrução, mostrando que, com esforço coletivo, o Vale do Taquari segue em frente.
Natural do Sergipe, José Barbosa dos Santos, 24, é um dos armadores de ferragens da obra. Ele trabalha na Engedal há três anos, mas na reconstrução da ponte da ERS-130 atua desde dezembro do ano passado. “Me sinto privilegiado em fazer parte de um projeto tão significativo como esse”, afirma.
Esta não é a primeira grande obra que Santos participa, mas é a que ele percebe como a mais aguardada pela comunidade. Para atender a essa expectativa, a equipe se dedica intensamente, trabalhando dia e noite. “Foi bem puxado, pois teve dias muito quentes, agora está chovendo. Mas, sem dúvidas, o maior desafio é o de estar longe da família”, revela.
A distância da família também é um desafio para Ivanildo Manoel da Silva, 49. O pernambucano chegou na obra em outubro de 2024 para atuar como armador. “É difícil, mas aqui a gente cria outra família. Nos acostumamos um com o outro e vamos levando a vida. Aqui é a nossa segunda casa”.
Silva também reconhece o acolhimento dos moradores da região do Vale, que o fez sentir-se bem desde o início. “Também gostei do clima daqui, apesar dos dias muito quentes, o frio também é bom”.
Para aliviar a correria
Com a ponte da ERS-130 quase pronta, cresce a movimentação de visitantes no canteiro de obras. Enquanto a expectativa pela liberação da estrutura aumenta, os operários que atuam sob o sol intenso encontraram uma forma inusitada de se refrescar: criaram uma “caixinha do refrigerante” para arrecadar dinheiro e comprar bebidas geladas.
O responsável pela iniciativa foi o carpinteiro Antônio José Torres, 32. Natural do Maranhão, ele chegou à obra já em uma fase avançada. “Nós sabemos o perrengue que o pessoal passou aqui, com a destruição dessa ponte e a de ferro. Mas logo todos vão poder passar pela ERS-130, para aliviar a correria dos moradores da região”.
Força do Vale
Uma das últimas etapas da construção da nova ponte na ERS-130 é o asfaltamento, trabalho executado pela Construtora Giovanella. Entre os trabalhadores envolvidos nesta fase, dois se destacam por estarem na região.
Pedro dos Santos Luz, 23 anos, retornou à empresa há quatro meses e ressalta o valor simbólico de participar de uma obra tão essencial para a comunidade. “Está sendo bom. É correria, mas é bom. A gente também precisa dessa ponte, por isso estamos aqui”, afirma. Para ele, a nova ligação não beneficiará apenas Lajeado e Arroio do Meio, mas todo o estado. “É um trecho bem movimentado, importante para todo mundo”.
Para o operador de rolo de pneu, Paulo Vitor Menezes, 24, estar no movimento de reconstrução é participar de algo maior. “É uma obra importante, e todo mundo sente isso. Para nós que estamos aqui, tem um significado marcante.” Apesar do calor intenso dos últimos dias, ele conta que o clima de companheirismo da equipe ajuda a manter o ritmo. “A equipe é como uma família. A gente passa tanto tempo junto que se acostuma, chega a ser engraçado”.
Liberação do fluxo
A Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) adiou a liberação da ponte na ERS-130, entre Lajeado e Arroio do Meio. Agora, a empresa trabalha com domingo, 6, como prazo para veículos leves trafegarem na estrutura. O trecho estará liberado das 7h às 20h para facilitar o fluxo de turistas que vão participar da inauguração do Cristo Protetor, em Encantado. Após, a ponte será fechada novamente para a sequência dos trabalhos de concretagem, onde é necessário um tempo de 12 horas para secagem.