Uma luz no fim do túnel

Opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Uma luz no fim do túnel

Líderes regionais participaram da reunião da Câmara Temática de Infraestrutura do Conselho do Plano Rio Grande, responsável pela complexa missão de capitanear a reconstrução do Rio Grande do Sul no âmbito do poder público estadual. O encontro ocorreu ontem, no Palácio Piratini, e contou com a participação do vice-governador, Gabriel Souza (MDB). Ele apresentou um estudo (contratado pelo governo do Estado) referente à real situação da malha ferroviária gaúcha – ou o que restou dessa. E os números iniciais são avassaladores. O trecho concedido à concessionária Rumo anos atrás era de 3.823 quilômetros.

Entretanto, e antes mesmo das históricas enchentes, o trecho operacional era de apenas 1.680 quilômetros. Ou seja, mais da metade já estava ociosa. Hoje, com a destruição causada pelas chuvas de maio de 2024, principalmente, nos restaram só 921 quilômetros, e a ociosidade predomina sobre tal trecho. E o pior. Os danos interromperam a conexão férrea com o restante do país. Mas, e mesmo diante de tantos números negativos, a oficialização da proposta de recuperação do trecho do nosso Trem dos Vales estava na pauta principal do Plano Rio Grande. E a luta pelo repasse dos trilhos – devidamente recuperados, claro – à Amturvales foi confirmada ontem pelo vice-governador em frente aos mais diversos representantes do Estado e da União. E isso é, sim, uma luz no fim do túnel para o Vale do Taquari.

PL e PT se unem contra concessão das rodovias

O plano de concessão de pedágios do governo de Eduardo Leite (PSDB) registrou uma proeza difícil de imaginar. Vejam só. Alguns parlamentares do PL e do PT – além de outros partidos, claro –, duas siglas antagônicas, se uniram em uma mesma trincheira para gritar radicalmente contra a concessão das rodovias estaduais do Bloco 2 para a iniciativa privada. É inacreditável. Mas, e como eu sei que nem todos os parlamentares envolvidos são radicais, eu prefiro pensar que isso não passa de uma tática para colocar um “pé na porta” do governador e, assim, ganhar um pouco mais de tempo para melhorar o projeto de concessão e garantir tarifas mais justas e sustentáveis aos pagadores de impostos. Aí, sim, seria algo compreensível diante de tamanha incongruência de propósitos…

Entre R$ 125 mi e R$ 300 mi

A reconstrução de 23 dos 46 quilômetros da Ferrovia do Trigo no Vale do Taquari ainda não possui orçamento. Inicialmente falava-se em R$ 100 milhões. Nesta semana, porém, o governo estadual – após reunião com o Ministério dos Transportes – ouviu uma estimativa bem superior: R$ 300 milhões. Ontem, durante a reunião do Conselho Rio Grande, a informação oficial trouxe os mesmos R$ 300 milhões previstos pelos órgãos da União. Entretanto, e extraoficialmente, muitos acreditam que o custo não ultrapasse a cifra de R$ 150 milhões. Fato é que esses milhões são um “cafezinho” – expressão usada pelo próprio vice-governador em entrevista a Rádio A Hora – perto dos bilhões envolvidos nas concessões ferroviárias. E a Rumo ainda tem um pomposo seguro a receber. Aliás, uma das pautas do Estado é forçar a Rumo a antecipar esse seguro. A previsão, hoje, é que tal recurso demore ao menos nove meses para chegar ao Rio Grande do Sul.

O Vale nos trilhos

Representantes dos setores público, privado e associativista representaram o Vale do Taquari na reunião sobre o Plano Rio Grande, ontem, no Palácio Piratini. E o sentimento final é de que a recuperação da malha ferroviária gaúcha – com ênfase à nossa região – perpassa por diferentes soluções para os diferentes trechos da Ferrovia do Trigo. Entre Guaporé e Colinas, por exemplo, a luta maior é pela retomada do Trem dos Vales, que recebeu dezenas de milhares de turistas antes das enchentes e gerou milhões em negócios em diversas cidades. Mas também há interesse do setor imobiliário – e de investidores – no trecho entre Estrela e Colinas, desativado há mais de 10 anos.

TIRO CURTO

  • O fim de semana será histórico ao Vale do Taquari, com a inauguração da ponte sobre o Rio Forqueta, entre Arroio do Meio e Lajeado, e do Cristo Protetor de Encantado. Um momento único e que precisa ser devidamente celebrado.
  • E muitos empreendimentos já entraram no clima. O Boulevard Encantado, por exemplo, entre o Cristo e a Lagoa da Garibaldi, anuncia diversos shows para o sábado e o domingo. Por lá estarão Baitaca, Pedro Ernesto e o Guri de Uruguaiana.
  • O fim de semana também vai contar com a presença de muitas autoridades políticas, religiosas, empresariais e outras. Será um momento de muitas conexões. E sempre é bom aproveitar cada oportunidade de se conectar com quem não costuma estar por perto.
  • Além do governador Eduardo Leite (PSDB) e do vice-governador Gabriel Souza (MDB), os agentes do turismo regional aguardam a presença do Ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil).
  • A Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat), que representa 18 municípios que faziam parte da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), anuncia a 1ª Copa Amat de Futsal.
  • Ainda sobre a Amat, a entidade vai receber amanhã, na sede da Acie, em Encantado, o presidente da CIC – Vale do Taquari, Ângelo Fontana. O encontro inicia às 16h. Em pauta, a segunda fase do programa Reconstrói-RS.
  • Em Arroio do Meio, o governo municipal aguarda pelo início das obras de reforma na Escola Estadual Guararapes. A previsão era iniciar em março. E a nova previsão é iniciar até dia 15 de abril.
  • Mais um dia se passou e o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (União Brasil), ainda não foi oficialmente nomeado Secretário Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano. Será que hoje o governador Eduardo Leite (PSDB) enfim anuncia o novo secretariado? Aguardemos!

 

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