Reforma de trecho turístico deve custar R$ 300 milhões

Ferrovias degradadas

Reforma de trecho turístico deve custar R$ 300 milhões

Estimativa feita pela Rumo Logística foi apresentada durante reunião no Palácio Piratini. Estado defende repasse dos 46 quilômetros entre Guaporé e Muçum para gestão regional. Amturvales elabora parceria público-privada para buscar investimentos

Reforma de trecho turístico deve custar R$ 300 milhões
Reunião foi conduzida pelo vice-governador e contou com a presença dos presidentes da Amvat, Moises de Freitas, e da Amturvales, Rafael Fontana. (Foto: Rodrigo Ziebell/ GVG/Divulgação)
Vale do Taquari

Uma forma de viabilizar o retorno do Trem Turístico e de estabelecer um planejamento para obras e investimentos na malha sul. Essa foi a tônica da reunião entre governo do Estado e Conselho do Plano Rio Grande. O encontro ocorreu na tarde de ontem, no Palácio Piratini.

O vice-governador, Gabriel Souza, coordenou os trabalhos e apresentou o relatório sobre a situação das ferrovias gaúchas.

Para os 46 quilômetros entre Guaporé e Muçum, a estimativa de reforma da ferrovia alcança um investimento de R$ 300 milhões. Os maiores danos foram em 23 quilômetros. Em um primeiro momento, a administradora da ferrovia pretende usar recursos do seguro para as obras.

Segundo o vice-governador, a Rumo será consultada sobre o interesse no eixo do Vale do Taquari. Em caso de não haver interesse, diz Souza, o Estado vai pedir a devolução da ferrovia. Com isso, o governo gaúcho ingressa com uma ação dentro do marco legal das ferrovias para conceder a administração à Associação dos Municípios de Turismo dos Vales (Amturvales).

Este movimento, conta o presidente da Amturvales, Rafael Fontana, foi proposto ao Ministério dos Transportes. “Para nós, seria ver quanto o governo federal e o estadual poderiam contribuir, qual percentual seria com a concessionária e nós buscarmos algum complemento. E com isso, ficaríamos responsáveis pela manutenção e pelas ofertas aos turistas.”

O passeio pelo Trem dos Vales está suspenso desde a enchente de maio de 2024, e não há previsão de retomada. Em âmbito nacional, foi formada uma comissão de estudos sobre a malha ferroviária, formada em novembro de 2024 com integrantes do Ministério dos Transportes e da concessionária Rumo Logística.

Nesta semana, o Ministério dos Transportes convocou a Rumo para uma reunião sobre os projetos de reestruturação da malha ferroviária gaúcha. A expectativa é obter uma resposta para viabilizar a recuperação do trecho turístico.

“A reativação do trem turístico é vista como um elemento central para impulsionar o turismo no Vale do Taquari, especialmente com a inauguração do Cristo Protetor de Encantado, prevista para este domingo”, afirma o vice-governador.

De 2019 a 2023, mais de 112 mil pessoas fizeram o trecho de 46 quilômetros de Guaporé a Muçum. A atração era vendida por 214 agências de turismo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A suspensão dos passeios afetou hotéis, restaurantes, guias turísticos e outros negócios que dependiam do fluxo de visitantes.

Na malha sul, a única interligação com Santa Catarina está interrompida há 11 meses. Além do impacto turístico, a paralisação também prejudica o transporte de cargas, especialmente metais e combustíveis. Segundo o governo do Estado, 60% do etanol comercializado no RS é transportado por ferrovias.

Detalhes

  • Vacaria até Roca Sales
    Única ligação com Santa Catarina. Maior uso é para transporte de etanol produzido em São Paulo. Trecho muito degradado. Deslizamentos destruíram a ferrovia em diversos pontos.
  • Roca Sales a Garibaldi
    Trecho sem condições de uso. Muitos deslizamentos. Perda da base dos trilhos. Tudo terá de ser refeito.
  • Roca Sales a Canoas
    Uma reforma foi feita e uma viagem teste ocorreu no ano passado.
  • Canoas a Santa Maria
    Trecho muito usado para levar combustíveis produzidos na Refap para o centro e o Norte gaúcho. Três pontes caíram. Não há condições de uso.
  • Cruz Alta a Santa Maria
    Trecho em condições de uso.
  • Santa Maria ao Porto de Rio Grande
    Ligação do centro ao sul do RS não teve prejuízos. Estimativa é que possa ser usado o ramal de Cruz Alta até o porto para exportação de grãos.

Situação da ferrovia

Extensão
A malha ferroviária do RS tem 3,8 mil quilômetros
1,8 mil estão concedidos à Rumo Logística
O contrato de concessão é válido até 2027

Trecho Operacional
(Antes das Enchentes)
Extensão em uso era de 921 km.

Depois das enchentes
Nenhum trecho em uso
As enchentes resultaram em 759 km de danos

Condição geral
Falta de investimentos desde 1997 resultou em ociosidade e falta de manutenção, com trilhos antigos e locomotivas ultrapassadas.

Essa situação contribui para a baixa atratividade do modal devido à lentidão e ineficiência, com poucas linhas, oferta reduzida de viagens e prazos de entrega indefinidos.

Por trecho

Ferrovia do Trigo (Trem dos Vales)

Trecho de 46 km que liga Guaporé, Dois Lajeados, Vespasiano Corrêa e Muçum. As chuvas causaram cerca de 23 km de danos. A temporada de 2024 dos passeios foi cancelada, sem previsão de retorno, e a Rumo estima um investimento de R$ 300 milhões para a recuperação.

Eixo central

Santa Maria – São Gabriel (112 km), custo da reforma R$ 1,4 bilhões.
Santa Maria – Bagé (213 km), custo de R$ 3,1 bilhões.
Santa Maria – Capão do Leão (339 km), orçado em R$ 4,3 bilhões.

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