Como foi a experiência de cuidar do seu filho durante anos?
Me casei ao 18 anos e quando completei 20 anos descobri que estava grávida. Foi uma emoção muito grande, era meu primeiro filho. Ele teve uma infância muito feliz como qualquer criança. Aos 8 anos, ele começou a apresentar alguns problemas de saúde. Demorou um ano e alguns meses para termos um diagnóstico preciso, ele foi diagnosticado com uma síndrome chamada de Kearns Sayre (fraqueza muscular). Foi um choque muito grande para toda a família. O médico deu um prazo de vida, mas eu fiquei com medo de saber e apenas meu esposo soube. O tempo foi passando e a doença foi se manifestando cada vez mais. Ele parou de andar, falar, teve várias internações onde em uma delas, foi colocada uma sonda gástrica para se alimentar e, posteriormente, uma traqueostomia para respirar melhor. Os anos se passaram e eu nem percebi, vivemos dias complicados e alguns mais tranquilos. Ele fazia fisioterapia respiratória e motora todos os dias e, assim, viveu até seus 28 anos.
Como você se sentiu após a perda do seu filho?
Nossa, perdi o chão, não sabia o que fazer, pois ele era tudo para mim. Foi como tirar os meus dois braços e minhas duas pernas. O meu mundo perdeu a cor.
O que a motivou a aceitar o convite para ser voluntária na Adefil?
O coração falou mais alto. Ao aceitar ser voluntária, me senti mais próxima do meu filho, pois ele era um anjo na minha vida.
Como foi o processo de adaptação ao trabalho voluntário?
A primeira vez que fui não foi tão impactante, pois era o grupo da terceira idade, mas na semana seguinte, era o grupo que mais precisava de apoio, os cadeirantes. Quando vi eles chegando me deu um choque, veio a lembrança do meu amado filho em uma cadeira de rodas. Lágrimas escorreram em meu rosto, respirei fundo e disse “eu sou forte, vou conseguir”.
De que maneira a vivência com seu filho influencia a forma como você auxilia outras pessoas?
Dediquei a minha vida ao meu filho, agora sei como realmente ajudar quem precisa. Ajudo as pessoas que tem limitações de movimento a fazerem os trabalhos.
Como o trabalho voluntário tem ajudado você a lidar com a ausência do seu filho?
Me sinto gratificada ao poder ajudar as pessoas. Sei que meu filho me dá forças para seguir em frente. Hoje me sinto uma pessoa melhor por estar ajudando quem necessita. O carinho que eles retribuem não tem dinheiro que paga.
Que mensagem você deixaria para outras mães que passaram ou passam por situações semelhantes a sua?
Anjos passam pela vida da gente, viram estrelinhas para brilhar, e você como mãe brilhe aqui, ajudando o próximo.