Uma fusão estratégica que não apenas consolidou operações, mas também redefiniu o padrão de excelência na distribuição de bebidas na região. A Univale surgiu em janeiro de 2001, por meio da união de duas empresas respeitadas no mercado: a Arno Müller Comércio de Bebidas Ltda. e a Distribuidora de Bebidas Três Unidas Ltda. Apoiada no projeto da AmBev, a Univale ampliou o portfólio e investiu em tecnologias que consolidaram vendas mais assertivas e relações duradouras com os clientes.
A junção das empresas iniciou ainda em 1999 quando houve a fusão das marcas nacionais Brahma e Antarctica. Movimento que aqueceu o mercado e fez com que pequenas distribuidoras criassem um novo destino para seus negócios. “Nenhum de nós queria sair do mercado, então eu e Nestor Müller resolvemos nos unir”, conta o fundador e sócio, Rui Grave.
Para construir o império da Univale, os empresários passaram um ano projetando o novo negócio. “Eram duas empresas com histórias consolidadas, para uni-las precisávamos montar algo com cuidado e carinho”, relembra Grave. Com o apoio da AmBev, as equipes de revendedores foram treinadas, e criou-se uma cultura alinhada com os anseios da grande companhia.
“Estabeleceram-se indicadores, metas e desafios. E isso foi trazido para o dia a dia da empresa. Cada vez mais precisamos olhar o processo e melhorá-lo. Esse é um ponto da cultura que precisa estar bem alinhado”, revela a sócia, Marília Barghouti.
Digitalização dos processos
Diante dos desafios da pandemia e do falecimento de Nestor, a empresa obrigou-se a reavaliar sua trajetória. Foi nesse período que Marília assumiu parte dos trabalhos e apostou no uso de tecnologias para melhorar as entregas.
“Nos últimos cinco anos, passamos por um processo de digitalização muito forte. Hoje temos um aplicativo onde os revendedores compram e, com isso, ficamos cada vez mais omnichannel”, afirma Marília. “Ou seja, queremos estar presentes não somente com as melhores marcas do mercado, mas em várias esferas”.
Hoje, por meio do aplicativo, os clientes têm acesso a todo o portfólio da Univale. O que facilita a venda das bebidas, de acordo com a necessidade de cada estabelecimento. “Geralmente, em um bar, as pessoas vão pedir uma garrafa. Em festas ou eventos mais exclusivos, as pessoas preferem consumir long neck. Então, com o aplicativo os vendedores conseguem oferecer opções e marcas mais assertivas, para cada segmento de negócio”.
O programa “O Meu Negócio” é apresentado por Rogério Wink e transmitido ao vivo nas segundas-feiras, na Rádio A Hora 102.9 e nas plataformas digitais. Tem o patrocínio de Motomecânica, Black Contabilidade, Marcauten, Dale Carnegie, Sunday Village Care, Construtora Giovanella, Pórtico Estruturas Pré-Fabricadas e Lajeado Imóveis.
Sonho Grande
por Cristiane Correa
Em pouco mais de quatro décadas, três amigos ergueram o maior império da história do capitalismo brasileiro, que ganhou destaque no cenário mundial.
A fórmula de gestão que Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira criaram é retratada no livro “Sonho Grande”, com detalhes dos bastidores da trajetória desses empresários, desde a fundação do banco Garantia – nos anos 70 – até os dias de hoje.
Nos últimos cinco anos, o trio comprou três marcas americanas conhecidas globalmente: Budweiser, Burger King e Heinz. Tudo isso na mais absoluta discrição e longe dos holofotes.
Entrevista
Rui Grave e Marília Müller Barghouti • Univale
“Hoje atendemos 3,3 mil clientes, por semana”
Wink – Como era a tua relação com o pai (Nestor Müller) e o avô, empresários conhecidos na região, e como isso influenciou para que tu te tornasses uma executiva?
Marília – A Univale, antes de ter esse nome, foi Arno Müller Comércio de Bebidas Ltda. A empresa foi fundada em 1975 pelo meu avô. Na época, o negócio começou pequeno e com todas as suas dificuldades, mas eles trabalharam muito em família para fazer o negócio girar e acontecer. Eu acho que, ao longo dos anos, o pai sempre transmitiu isso, a importância do trabalho, de a gente estar se desenvolvendo e ter uma visão empreendedora. Isso sempre fez parte do convívio familiar e dos assuntos. Então, o meu interesse pelos negócios sempre veio de uma forma genuína. E o pai sempre foi um grande exemplo empresarial.
Tu sempre atuou nessa área?
Marília – Inicialmente eu não trabalhava na distribuidora. Sou formada em engenharia ambiental, logo depois fiz um MBA em Business, mas trabalhava em outro ramo. Então, há cinco anos atrás eu fiz esse processo sucessório, um pouco inesperado, mas fui bem acolhida pelo Rui. A gente vem tocando e fazendo sempre o melhor.
Rui, sempre achei que tu eras de Teutônia, mas a tua história começou em Bom Retiro?
Rui – No interior de Bom Retiro – na Glória – hoje pertencente à Fazenda Vilanova. Nós tínhamos uma casa comercial, onde ali vendíamos de alfinete a arame farpado, adubo, geladeira… ou seja, de tudo. Começou em 1954 e eu lembro que o nome era Reinoldo Cristiano Grave, depois para R Grave Ltda.
Rui tu és da época do talãozinho, mas agora há os sistemas e a digitalização. Como foi tua adaptação a esse novo universo?
Rui – Não é tão fácil. Esses dias me fizeram essa mesma pergunta e eu disse que sou da época que o telefone era a manivela. Aprendi a escrever uma máquina de escrever, então você faz a conta. O celular era pesado, tinha pouco mais de 1kg. É muita mudança. Quando entrou a Ambev foi que começou o “surto de inovações”. De 1999 para o ano 2000 eles despejaram inovação. A Antárctica era uma empresa mais tranquila e a Brahma não. Como o comando ficou todo com a Brahma, eles acabaram despejando cada vez mais coisas novas e a informática ficou cada vez mais presente.
Como é gerenciar tantas marcas?
Marília – Cada vez mais os consumidores são diferentes, querem produtos diferentes para ocasiões distintas. Então, temos um portfólio muito rico. Mas cada uma delas é destinada a uma ocasião. A exemplo, quando se fala da Corona, a gente relaciona a bebida aos ambientes ao ar livre, praia, surf. Já quando falamos de uma Brahma, estamos falando de Carnaval. Todas essas marcas acabam tendo suas ocasiões e seus consumidores. É claro que quando a gente começa a falar de logística, cria-se uma complexidade maior.