No fim da tarde desta quarta-feira, 26, o vereador Ezequiel Stahl (PL) protocolou um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores de Venâncio Aires. O pedido recebeu apoio dos vereadores de oposição Diego Wolschick, Sandra Silberschlag e Jeferson Schwingel, do Progressistas, e Elígio Weschenfelder, do PSB, alcançando o mínimo de cinco assinaturas necessárias para a formalização da CPI.
Stahl enfatiza que o objetivo da CPI é esclarecer o desaparecimento de colchões adquiridos com recursos da Defesa Civil, enviados ao município em decorrência da enchente de maio de 2024. Segundo ele, uma tentativa anterior de instaurar a CPI, em setembro do ano passado, foi arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça, composta por vereadores da base governista, o que impediu investigações sobre supostas irregularidades na distribuição de doações.
O vereador destaca que, dessa vez, foi surpreendido com o desaparecimento de aproximadamente 1,7 mil colchões. “Há indícios de que uma empresa vendeu, recebeu e não entregou os materiais à prefeitura, e também informações sobre trocas de colchões de solteiro por modelos de casal, sem critérios claros. Precisamos esclarecer se as pessoas atingidas pela enchente receberam os itens corretamente ou se houve algum favorecimento indevido. A CPI não tem o objetivo de promover uma caça às bruxas, mas sim de buscar respostas”, afirma Stahl.
Sindicância interna
A Prefeitura de Venâncio Aires anunciou a abertura de uma sindicância interna para investigar possíveis falhas na compra e distribuição de colchões destinados a famílias atingidas por eventos climáticos extremos. O procedimento foi determinado pelo prefeito Jarbas da Rosa após serem identificadas divergências entre as notas fiscais da empresa fornecedora e os registros oficiais de entrega dos itens.
Os colchões foram comprados com recursos emergenciais, liberados após a prefeitura decretar situação de calamidade pública. Esse tipo de decreto é emitido quando um município sofre grandes danos por desastres naturais, como enchentes, permitindo a liberação de verbas e a realização de compras sem a necessidade de processos burocráticos demorados.
A administração municipal reforçou que investigações como essa são procedimentos comuns na gestão pública e têm o objetivo de garantir que os recursos sejam usados corretamente. O prefeito destacou a necessidade de total transparência na prestação de contas, sobretudo quando se trata de bens adquiridos em situações emergenciais para atender à população.