Vale busca apoio para qualificar concessão

RODOVIAS ESTADUAIS

Vale busca apoio para qualificar concessão

Líderes regionais participaram de reunião na Federasul para embasar proposta que atenda às necessidades dos municípios, como a redução das tarifas do pedágio free flow. Objetivo é avançar com o debate também na Assembleia Legislativa

Vale busca apoio para qualificar concessão
Encontro ocorreu na sede da Federasul e reuniu líderes de entidades regionais. (Foto: divulgação)
Vale do Taquari

Com pouco tempo pela frente antes do fim do prazo da consulta pública, líderes regionais buscam apoio de entidades e associações estaduais para a construção de um projeto que atenda às necessidades do Vale no plano de concessão das rodovias estaduais. Ontem, uma comitiva esteve em Porto Alegre para discutir formas de sensibilizar o Estado em relação às demandas do Bloco 2.

Na Federação de Entidades Empresariais do RS (Federasul), o grupo buscou formular argumentos técnicos para embasar os pedidos regionais, tendo o apoio da associação estadual. A ideia é buscar também o aval da Federação das Indústrias do RS (Fiergs) e levar o debate até a Assembleia Legislativa e, posteriormente, ao governador Eduardo Leite.

O empresário e consultor Ardêmio Heineck integrou a comitiva e avalia como importante o movimento feito para dar alcance estadual às demandas do Vale. “O projeto do Estado carece de alguma consistência, um prazo maior e também mais transparência. Precisamos da abertura dos dados do projeto para a região entender o que embasou a proposta atual do governo”, comenta.

Segundo ele, essas informações são essenciais para que se construa uma proposta ideal. “A Federasul também abraçou a linha que defendemos, de um aporte maior do governo gaúcho na formatação da tarifa do free flow, sobretudo na visão que se tem de reconstrução regional e reconstrução estadual após as enchentes históricas.”

Prazo curto

Conforme Heineck, com a Federasul envolvida, a intenção é avançar no debate com os deputados estaduais antes de chegar ao Piratini. “Vamos pedir um prazo maior e mais informações para que o bloco 2, e principalmente o Vale possa ter um projeto de pedágio que fique bom para todo mundo. Se não a resistência vai crescer.

Na avaliação dele, os 30 dias a mais de prazo nas consultas públicas, decretados pelo Estado semana passada, são insuficientes para avançar na proposta. “A conversação tem que ter continuidade. Nossa região está bem representada e agora temos a importante adesão da Federasul. Precisamos chegar numa tarifa mais justa e num projeto de engenharia justo.”

Qualificar a discussão

A reunião de ontem na Federasul foi proposta pelo presidente da entidade, Rodrigo Sousa Costa para chegar a um nivelamento de informações, tendo em vista que o bloco 2, além do Vale do Taquari, também abrange rodovias da região Norte do RS, que possui pontos de vista e defesas distintas.

“Até porque, hoje, eles não tem pedágio por lá. E a nossa apresentação hoje foi no intuito de qualificar a discussão, trazendo dados e indicadores técnicos de fluxo e de ocupação de rodovia e necessidade de investimento”, argumenta o vice-presidente regional da Federasul, Ivandro Rosa.

Segundo o empresário, a Federasul vai buscar junto à Assembleia Legislativa e demais autoridades formas de aprimorar o projeto, tendo em vista a necessidade de diminuição do custo do pedágio, que pela proposta atual se torna inviável ao Vale.

Custo elevado

Em documento entregue pela CIC-VT ao Estado neste ano, a principal preocupação é o custo elevado das tarifas. Estudos preliminares indicam que, com as duplicações previstas, os valores poderão aumentar em 30%, “o que impactará negativamente a competitividade econômica da região”, afirma a entidade.

O documento também questiona os valores de tráfego médio diário (VDM) utilizados no projeto, considerados irreais pela análise regional. De acordo com os líderes locais, os dados atuais não refletem o volume real de veículos, especialmente em pontos estratégicos como a ERS-130, cuja movimentação foi prejudicada por problemas de infraestrutura e eventos climáticos recentes.

Prazo estendido

  • As contribuições e sugestões à futura concessão do bloco 2 de rodovias podem ser enviadas pelo e-mail consultarodovias@serg.rs.gov.br até 24 de março. Todos os questionamentos serão respondidos pela equipe técnica da Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg);
  • O prolongamento do prazo atende a pedidos feitos durante a própria consulta pública e tem o objetivo de aperfeiçoar o debate com a população e prefeituras das regiões do Bloco 2, assim como aprimorar o futuro edital da concessão.
  • A concessão para a iniciativa privada, com duração de 30 anos, prevê investimentos de R$ 6,7 bilhões para a duplicação de 244 quilômetros de rodovias ao longo do Bloco 2, além de melhorias logísticas, construção de postos de atendimento e a criação de um conselho de usuários. Do investimento total, R$ 1,3 bilhão terá como origem o Fundo do Plano Rio Grande, Funrigs.

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