Sistema de drenagem antigo causa alagamentos, avalia engenheiro

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Sistema de drenagem antigo causa alagamentos, avalia engenheiro

Outro fator que contribui, segundo Mateus Welter, é o aumento da área pavimentada. Em superfícies asfaltadas, até 95% da água não infiltra no solo e segue para o sistema de drenagem

Sistema de drenagem antigo causa alagamentos, avalia engenheiro
Série de alagamentos foram registrados nos últimos dias (Gabriel Santos)
Venâncio Aires

O sistema de drenagem antigo, desenvolvido durante a formação dos municípios, é uma das principais causas de alagamentos, avalia o engenheiro civil Matheus Welter. Conforme inspeção realizada nas galerias pluviais pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Venâncio Aires, tubulações que deveriam ter mais de três metros apresentam apenas 1,20 metro, o que não suporta grandes volumes de água em poucos minutos, dificultando o escoamento.

Welter reconhece que a substituição de toda a rede de drenagem do município exigiria um investimento milionário dos cofres públicos, mas destaca a importância dessa obra. “É um cenário desafiador, mas se compararmos com os prejuízos recorrentes dos alagamentos para a população, não investir nisso é arriscar demais”, reflete.

Hoje, Venâncio Aires não possui um inventário detalhado das tubulações, e, segundo o engenheiro, para mapear o sistema, é necessário realizar inspeções diretas nas galerias. Durante a entrevista, ele esclarece que algumas tubulações estão entupidas, mas outras seguem funcionando adequadamente, como na região da Sanga do Arrozal.

Engenheiro civil, Matheus Welter (foto: Paulo Cardoso)

Outro fator que contribui para os alagamentos, segundo Welter, é a pavimentação. Em áreas mais antigas, ainda é possível encontrar paralelepípedos ou blocos de concreto, que permitem uma maior absorção da água. No entanto, com o desenvolvimento das cidades, houve a substituição por asfalto, que não possui a mesma eficiência nesse aspecto.

“O fator de escoamento representa a quantidade de água da chuva que escoa diretamente para a rede pública. Em superfícies asfaltadas, esse fator varia entre 0,90 e 0,95, o que significa que até 95% da água não infiltra no solo e segue para o sistema de drenagem. Já em pavimentos de paralelepípedo ou concreto, esse índice cai para cerca de 0,7, permitindo uma maior absorção”, explica Welter.

Para minimizar esses problemas, a Corsan é responsável pelo abastecimento de água e esgoto, enquanto a aprovação dos sistemas de drenagem urbana em novos empreendimentos cabe ao governo municipal. “A boa notícia é que os novos projetos já contam com sistemas mais modernos e regulamentados, o que pode evitar cenários críticos como os registrados durante a cheia de maio”, contempla o engenheiro.

Ele ressalta ainda que, para reduzir o pico de vazão e evitar alagamentos, é necessário reter parte dessa água. Isso pode ser feito por meio de soluções como bacias de amortecimento, que armazenam a água nas áreas mais altas enquanto as regiões mais baixas liberam o volume de forma controlada. Outras medidas incluem a construção de jardins de chuva e a conscientização sobre o descarte correto do lixo, que também desempenha um papel fundamental no bom funcionamento da drenagem urbana.

Acompanhe o programa na íntegra: 

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