O carnaval se apresenta neste final de semana e, com ele, a erupção de sentimentos e comportamentos que pedem passagem como numa onda de euforia. Pessoas pulando junto aos carros alegóricos, vibrando e cantando a música da escola de samba com a qual se identificam. E por que ocorre tal situação? A história do carnaval é relacionada principalmente com a Idade Média, mas remonta aos festivais realizados na Idade Antiga. Apesar de ser uma tradicional festa popular realizada em diferentes locais do mundo, sendo, inclusive, a mais celebrada no Brasil, o carnaval não é uma invenção brasileira. Por outro lado, alguns estudiosos entendem o carnaval como uma festa cristã, pois sua origem, na forma como entendemos a festa atualmente, tem relação direta com o jejum quaresmal. Isso não impede que sejam traçadas as origens históricas que nos mostram a influência que o carnaval sofreu de outras festas que existiam na Idade Antiga.
Ao mesmo tempo, vibrar e cantar com o coletivo significa, do ponto de vista psicológico, que o ser humano vê no carnaval a possibilidade de extravasar todas as suas mágoas e carências, porque tem o apoio dos demais. É um momento de libertação e catarse social, o que significa que a força dos seus pares acaba por encorajar a pessoas a ponto de transfigurar-se numa fantasia e introjetar-se num personagem. Através da Psicologia dos Grupos pode-se perceber que as pessoas esperam ansiosamente o momento em que poderão dançar, cantar e vibrar até horas longínquas, como algo legítimo e naturalizado na cultura e na sociedade. E a teoria dos grupos nos aponta que, quando o ser humano está com seus pares num grupo, ele se encoraja de uma maneira muito mais fácil e engajada, principalmente por se identificar e se permitir arriscar-se.
Portanto, o carnaval não é apenas um festim mundano, mas cristão que acolhe todas as matizes de pessoas numa única celebração. Importante que o carnaval continue a ser essa festa que celebra toda a diversidade sem sectarismos, a fim de que se preserve o melhor que a cultura representa num país.