Iniciada em novembro, a duplicação da RSC-287 avança no perímetro de Tabaí. Os trabalhos, que se concentram nos quilômetros 30 e 31, devem ficar prontos no segundo semestre. Até lá, no entanto, moradores temem conviver com problemas na mobilidade. A chuva da última semana dificultou o acesso e a saída às casas e propriedades e gerou reação da administração municipal.
Relatos de pessoas que atolaram seus veículos chegaram até o prefeito Anderson Vargas, que tentou intervir. Por se tratar de um trecho concedido, não teve autorização. Após criticar a dificuldade de contato com a Rota de Santa Maria, ele recebeu, em seu gabinete, o engenheiro Cezar Cruvinel, da concessionária. Um plano de trabalho deve ser apresentado para solucionar os problemas.
“Nós sabemos da importância e do benefício que a obra vai trazer. Mas estamos tendo muitos problemas no local onde estão fazendo a terraplanagem. Quando chove, as estradas laterais viram um atoleiro. As pessoas não conseguem sair de casa. Atola caminhão, ambulância, ônibus escolares. Fica muito complicado”, lamenta.
Vargas chegou a direcionar máquinas da Secretaria Municipal de Obras para tirar o lodo que se formou no trecho onde ocorre a duplicação. No entanto, como estava na faixa de domínio, foi impedido de dar andamento ao trabalho. “Uns 20 moradores ficaram ilhados, não conseguíam sair. Não tinha como ficar parado”.
Contato com a concessionária
Segundo Vargas, faltou maior diálogo na resolução dos problemas. “O pessoal que está lá [na obra] diz para ligarmos no 0800. Mas quase nunca atendem. Quando consegui falar com um engenheiro, pediram para esperar a chuva passar.”
Ele espera que, após a reunião dessa segunda-feira, a situação melhore para os moradores. “A expectativa é que tenhamos avanços significativos e isso ajude a mitigar os impactos causados à população.”
A insatisfação não se resumia ao prefeito. Moradores cogitaram fazer um protesto na rodovia esta semana. O próprio prefeito não descartou ir ao Ministério Público caso não obtivesse retorno da concessionária sobre as obras.
Transformação
Em nota encaminhada à reportagem, a Rota de Santa Maria pede desculpas aos transtornos causados aos usuários e comunidade durante a execução das obras de duplicação e também destacou a importância das intervenções, que “irão promover uma transformação muito positiva para esses locais.”
Cita, ainda, que estão tomando as medidas cabíveis para minimizar os efeitos no dia a dia da região, o que inclui também ações conjuntas com o Estado e municípios. “Estamos empenhados em realizar as melhorias com a maior eficiência possível e com respeito à população local.”
Duplicação da 287
- Iniciada em outubro passado, a duplicação da RSC-287 é uma das principais obras de infraestrutura em andamento no RS. Ao todo, o Grupo Sacyr, vencedor do leilão da rodovia em 2021, vai investir R$ 3,6 bilhões;
- Serão duplicados 204 quilômetros entre Tabaí e Santa Maria, passando também por Taquari, Bom Retiro do Sul, Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Vale do Sol, Candelária, Novo Cabrais, Paraíso do Sul, Agudo e Restinga Seca;
- O pacote de investimentos da concessão prevê, além da duplicação, viadutos, rotatórias, passarelas, novas pontes e faixas laterais. A expectativa é que, de Tabaí a Candelária, as obras estejam prontas até 2030.