“Quanto mais fortes somos, menos provável é a guerra.”
Otto von Bismarck
Realpolitik é um termo alemão que significa “política realista”, ou seja, uma abordagem política que se baseia em considerações práticas e estratégicas, em detrimento de ideais ou valores morais. Na prática ela é caracterizada pelo exercício do poder e pela diplomacia baseada no cálculo dos interesses nacionais, podendo inclusive utilizar a coerção ou a força como meios legítimos para alcançar objetivos estratégicos.
A realpolitik é quem constrói os consensos entre rivais que depois serão amansados pelos discursos e cartas de boas intenções.
No último grande conflito mundial, sentindo que seria derrotado sem o apoio americano, o primeiro ministro inglês Winston Churchill promoveu um encontro entre ele, o presidente americano Roosevelt e o ditador soviético Stalin em Teerã, no final do ano de 1943.
Roosevelt e Stalin foram aos negócios e tomaram decisões importantes sem dar muita importância para o líder inglês, afinal eles, e somente eles tinham força para derrotar os alemães. Churchill descobriu naquele dia que mais que discursos, um país precisa ter força militar. Lição essa que foi esquecida pelos europeus, acostumados que foram a viver sob o guarda-chuva do exército americano.
O que veio depois dessa conversa é história: os alemães e os japoneses foram derrotados, a Alemanha dividida em quatro, a Polônia teve suas fronteiras modificadas a ONU foi criada e posteriormente o Estado de Israel surgiu. Se hoje alguns desses fatos são problemas, na época pareciam ser solução.
Mas a história sempre teima em se repetir, e por isso oitenta anos depois, novamente o presidente americano e o presidente russo se reúnem para decidir os rumos de uma guerra sem dar grande importância aos europeus.
Estes obviamente reclamaram, mas após décadas sem exércitos fortes, com orçamento militar baixo e investindo em bem estar social, esqueceram que no mundo real as decisões são tomadas por quem tem armas e exércitos.
Para os americanos no mundo atual, chegou a hora de mudar o paradigma: é mais importante ter a Rússia como aliada para enfrentar o verdadeiro inimigo do século XXI, a China. Mesmo que isso custe sacrificar os antigos aliados europeus, que verdade seja dita, muito mais se aproveitaram dos americanos do que o inverso.