Retorno para Brasília antes do tempo

Opinião

Filipe Faleiro

Filipe Faleiro

Jornalista

Retorno para Brasília antes do tempo

Quando o presidente Lula visitou o Vale do Taquari, no mês passado, as promessas de apoio e reconstrução foram muitas. Mas, como já virou praxe na política brasileira, o discurso por vezes fica distante da prática.

O presidente assegurou que o esforço federal seria intenso. Inclusive com a continuidade do Ministério da Reconstrução em solo gaúcho. Criado com grande alarde, agora parece que está com os dias contados.

Paulo Pimenta, designado para liderar as ações, deve voltar a Brasília para o comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em outubro. Isso mesmo, nem seis meses completos de atuação.

O organismo está no RS desde 15 de maio. A Medida Provisória do ministério extraordinário caduca em setembro e, se não for validada pelo Congresso Nacional, representa um novo distanciamento do Rio Grande do Sul da atuação da República.

Informações extraoficiais dão conta que o governo Lula não está empenhado em prolongar a vigência das equipes federais por aqui. Ou seja, a promessa feita em Arroio do Meio tem tudo para ser palavras ao vento.

A verdade é que o futuro do Vale do Taquari está cada vez mais incerto. A comunidade, que se mobilizou e esperou por respostas e ações concretas, vê-se agora diante de um cenário de incerteza e frustração. A reconstrução prometida parece um sonho distante, pois tudo ainda demora demais.

 

Foto: Filipe Faleiro

Um novo Pronampe

Depois da crítica pública aos bancos, pelas liberações “ilegais”, como disse o secretário executivo do Ministério da Reconstrução, Maneco Hassen, o governo federal elabora uma segunda fase do programa para Meis, micro e pequenas empresas.

Os modelos das instituições públicas deixaram a desejar. Quando o modelo chegou às cooperativas, empresários da região elogiaram a agilidade. Para se ter uma ideia, o Sicredi no Vale do Taquari teve acesso a cerca de R$ 90 milhões depois de três semanas dos bancos públicos (Caixa e Banco do Brasil).

O recurso está no fim. Para empresas na faixa dos cerca de R$ 360 mil até R$ 4,8 milhões de faturamento anual, já não há mais financiamento disponível. O entendimento é que para os micro e Meis foram atendidos quase na integralidade (daqueles que buscaram o apoio).

Para os próximos dias, a nova fase virá com restrições e será exclusiva para negócios que sofreram danos diretos do desastre climático.

Por outro lado, a mudança nas regras e o foco mais restritivo levantam questões sobre a eficiência da transição. A promessa de uma segunda rodada com uma “nova realidade para liberações” pode trazer alívio, mas também pode resultar em novos desafios logísticos e administrativos. A experiência da primeira fase sugere que a comunicação e a coordenação entre o governo e os bancos precisam ser mais robustas para evitar novos erros e garantir que os recursos cheguem aos negócios que mais precisam.

 

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