Grau de escolaridade interfere sobre requalificação

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Grau de escolaridade interfere sobre requalificação

Pesquisa mostra que 91,5% dos trabalhadores com Ensino Superior fazem pelo menos um treinamento por ano. Segunda reportagem da série sobre ambiente de trabalho na região mostra que cultura do desenvolvimento pessoal ainda precisa avançar entre empresas e funcionários

Grau de escolaridade interfere sobre requalificação
Foto: Filipe Faleiro
Vale do Taquari

Quanto mais anos dedicados à formação, mais frequente é o processo de requalificação. Essa é uma das análises possíveis graças à pesquisa RUMO – O Futuro da Mão de Obra. Do total de 353 trabalhadores entrevistados, 83 têm curso superior.

Destes, 91,5% fizeram entre um até 15 cursos nos últimos 12 meses. O que chama atenção é o percentual de nenhuma formação no período. Daqueles com mais escolaridade, pouco mais de 8%. Com o Fundamental, sobe para 25,2% e no Médio fica em 16,8%.

“Esse comportamento tem sentido pois se trata de um público com cultura voltada à formação. Muitas vezes, fazem cursos por conta própria, sem esperar pela empresa. O que pode, inclusive, levar à busca por outras oportunidades”, avalia a gerente de Relações Institucionais da Univates, Cintia Agostini.

Nos públicos com formação média ou fundamental há uma espera maior por parte dos movimentos das organizações. Ou seja, diz Cintia, a empresa avalia as próprias necessidades do negócio e ofertam cursos dentro da equipe para suprir determinada carência.

Por esse motivo, o próprio entendimento sobre a responsabilidade pela qualificação continuada é discrepante entre empresas e trabalhadores. Para os funcionários, 49,6% (175 respostas) qualquer formação extra ou treinamento depende do empregador. De outra ponta, 67,6% dos empresários consideram que a responsabilidade é de ambos.

O coordenador da pesquisa, o professor, economista e estatístico, Lucildo Ahlert, destaca que há um melhor entendimento tanto pessoal quanto organizacional sobre requalificação. Ainda assim, o esforço individual do funcionário precisa ser melhor trabalhado.

Para mais de 46% dos trabalhadores, dever por ofertar a requalificação é da empresa. (Foto: Filipe Faleiro)

Para ele, os trabalhadores têm dificuldade em visualizar as chances de crescimento e mesmo as oportunidades. “O profissional que está no mercado ou que busca um emprego faz, em média, quatro a cinco treinamentos no ano. Agora, poucos têm uma visão de carreira.”

O RUMO – O Futuro da Mão de Obra – conta com o patrocínio de Cascalheira Stone Garden, Colégio Evangélico Alberto Torres, Construtora Diamond, Sicredi, Univates, Rhodoss Implementos Rodoviários, Metalúrgica Hassmann, Dale Carnegie, Tomasi Logística e Construtora Giovanella.

Cultura voltada à qualificação

As empresas são as principais envolvidas nos processos de requalificação. Essa é outra tônica da pesquisa RUMO. Como toda regra há exceção, o pesquisador Lucildo Ahlert pormenoriza: “depende da área de atuação”.

Em algumas atividades, com mais necessidade de mão de obra operacional, o saber fazer está intrínseco à condição de empregabilidade. “Quem está na construção civil, por exemplo. O pedreiro de longa data faz de acordo com os conhecimentos e experiências anteriores. O empregador considera isso e, muitos não pensam em como aplicar novos processos e oferecer cursos.”

Quando a atuação depende do contato com as pessoas, há um movimento mais contínuo para treinos e alinhamentos. Nas 102 empresas que responderam ao questionário, formas de abordar clientes é o tipo de competência mais desenvolvida (46,1% das respostas múltiplas, cinco por entrevistado).

Para o diretor do Dale Carnegie Vale do Taquari, Gabriel Garcia, aplicar treinamentos internos e fazer com que o trabalhador também busque cursos extras passa por um posicionamento da empresa.

A cultura precisa ficar expressa, acredita. “Tudo o que não está combinado no início, custa caro depois. Por isso, as expectativas precisam estar descritas. O que eu espero de você e o que você pode esperar de mim.”

Para deixar isso claro, considera fundamental estabelecer planos. “É simples de fazer, como um documento anual com diretrizes. Qual o projeto pessoal e da empresa? O que eu preciso fazer, como tenho de me moldar. Isso em todas as áreas.”


Série de reportagens

A Hora fez a primeira publicação sobre os resultados da pesquisa RUMO – O Futuro da Mão de Obra – no fim de semana passado, dias 7 e 8 de julho. A reportagem pormenorizar o perfil dos entrevistados, a metodologia da pesquisa, e a avaliação de empresários e trabalhadores sobre a importância dos treinamentos.

Nesta segunda matéria da série, o foco foi perfil dos entrevistados no ramo do trabalho, número de cursos feitos e qualidades desenvolvidas nos treinamentos internos nas e empresas.

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