A cada dez lojas, pelo menos três pretendem contratar

Vendas de Natal

A cada dez lojas, pelo menos três pretendem contratar

Proximidade do fim de ano abre oportunidades no mercado de trabalho e Fecomércio estima que 33,4% dos estabelecimentos terão aumento nas equipes. Cenário atual se difere do vivenciado em 2020, com perspectiva de melhoria nas vendas e nas contratações

A cada dez lojas, pelo menos três pretendem contratar
(Foto: Felipe Neitzke)
Vale do Taquari

A retomada econômica aliada ao alcance da vacinação, com redução dos contágios e ocupação dos hospitais pela covid-19, interferem sobre as previsões para o comércio neste fim do ano. Enquanto em 2020, a abertura dos estabelecimentos foi limitada pelas normas sanitárias, para este Natal, a tendência é de mais vendas e oportunidades para o mercado de trabalho.

A Pesquisa de Empregos Temporários, feita pela Fecomércio, aponta que 33,4% dos estabelecimentos têm a intenção de aumentar as equipes. Das vagas preenchidas, 42,1% dos trabalhadores podem ser efetivados após o contrato.

Isso representa um incremento de 35,2% na força de trabalho, avalia o presidente da instituição, Luiz Carlos Bohn. Esse percentual é um pouco superior na comparação com o ano passado, diz. “No entanto, estamos partindo de bases mais altas. Este ano foi muito melhor para o emprego no varejo do que 2020.”

Para sustentar a pesquisa, foram feitas análises das intenções de contratações a partir do aumento na demanda habitual durante o fim de ano, também o perfil do trabalhador procurado e as características dessa escolha.

A metodologia adotada foi com entrevistas em estabelecimentos. Foram ouvidos 1.154 proprietários para compor a amostra de 385 lojas que responderam que desejam contratar ou que já haviam contratado.

Até 9 mil novas vagas

Na análise da Federação das CDLs do RS (FCDL), de 7 mil até 9 mil novos postos de trabalho devem ser criados nestes últimos dois meses do ano. Para o presidente da entidade, Vitor Augusto Koch, mesmo com o cenário de inflação elevada e juros mais altos, se observa crescimento nas vendas.

“Isso faz o lojista necessitar reforçar sua equipe. A partir do avanço da vacinação, que de certa forma afasta o cenário de novas medidas restritivas, vemos o aumento consistente da circulação de consumidores no comércio.”

Na análise da federação, a maior parte dos temporários será para lojas do segmento de vestuário, calçados e acessórios. Enquanto o faturamento do varejo como um todo cresce em média 34% nestes dois meses, no segmento de vestuário o faturamento costuma subir 90%.
As funções que devem ser as mais procuradas são: vendedores, ajudantes, balconistas, recepcionistas, estoquistas e caixas.

Como aproveitar as oportunidades

Estar preparado, ter em mãos um currículo objetivo e atualizado, junto com habilidades interpessoais são fatores importantes para ser escolhido no mercado de trabalho.

É o que afirma a docente do Senac Lajeado, Elizete Vargas. De acordo com ela, mesmo que seja por um tempo determinado, as vagas temporárias podem agregar experiência no currículo e, muitas vezes, resultar em uma efetivação. “Portanto, se você conseguir a oportunidade, aproveite e demonstre interesse, trabalhe em equipe e faça valer”.

Conforme Elizete, a avaliação do candidato começa na entrega do currículo. A avaliação começa neste momento, diz. Outro detalhe é quanto a atenção às vagas disponíveis. “Analise a função, a faixa salarial, procure informações sobre a empresa. Isso ajudará na entrevista.”
Outra iniciativa que faz diferença na hora da seleção é o conhecimento. Pelos dados da Fecomércio, 43,6% dos estabelecimentos apontam como dificuldade a falta de qualificação dos candidatos. “Hoje existe no mercado uma demanda muito grande de cursos.”

Segundo a instrutora do Senac Lajeado, há inclusive formações online que podem contribuir e ser um diferencial para os trabalhadores.

Perda do poder de compra

A inflação acima dos 10% resulta em menos condições de compras às famílias. A economista e professora Fernanda Sindelar, acredita que esses fatores podem interferir sobre os presentes de Natal. “O tíquete médio será menor. As pessoas não vão deixar de comprar, mas será em menor volume.”

De acordo com ela, incentivos para ampliação de renda já foram concedidos, o que interfere sobre a movimentação econômica. O auxílio emergencial terminou e muitos já anteciparam o 13º salário. Essas condições reforçam a perspectiva de que a escolha dos presentes será mais limitada.

Essa análise está presente também nos lojistas. “A cada data que tivemos, Dia das Mães, dos Pais e dos Namorados, houve uma redução. A média ficou em R$ 150. Não é muito, mas ainda assim indica que as pessoas farão compras”, afirma o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Lajeado (CDL), Aquiles Mallmann.

De acordo com ele, em que pese algumas preocupações quanto ao aumento dos preços e a presença dos clientes, há otimismo no comércio. “Esperamos crescer de 8 até 10% na comparação com o ano passado.”

Compras parceladas

Esse cenário de perda do poder de contas faz com que os consumidores optem mais pelos pagamentos parcelados. Essa modalidade é vista como risco de aumento da inadimplência. O alerta da Federação Varejista do Estado do RS e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) é para que os consumidores façam um controle adequado das despesas pessoais. Dividir o valor de uma compra em várias prestações é um hábito comum, mas é preciso ter cuidado.

“As compras a prazo exigem um bom controle das finanças pessoais para evitar dívidas ao longo do tempo”, avalia o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner.
Conforme levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC, 39% dos consumidores entrevistados tinham prestações anteriores no cartão de crédito, no crediário ou em cheque pré-datado. Eletrônicos lideram o ranking de compras a prazo. Também se destacam as compras a prazo de roupas e acessórios (52% dos consumidores preferem deixar para pagar com o crédito.

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