Eles estavam com saudades de uma boa conversa. De colocar os assuntos em dia. E, claro, de receber o carinho da população, sobretudo das crianças. Os papais noéis, aos poucos, voltam às suas rotinas de atividades com a proximidade do Natal. Uma delas, no Vale do Taquari, reúne profissionais de todo o Sul do país e já respira o clima natalino.
Desde a manhã dessa sexta-feira, 29, Colinas sedia a 1ª Confraternização dos Papais Noéis do Brasil. O evento é organizado pelo Centro Cultural Morgenstern, com apoio do governo municipal. A recepção iniciou ainda na quarta-feira, com a chegada dos primeiros “bons velhinhos”.
O primeiro dia foi marcado por caminhada e visitação às escolas e creches. Na Emei Pequeno Mundo, o Papai Noel de Pomerode (SC), Rolf Roland Herzog contou histórias de Natal. Bem humorado, prendeu a atenção das crianças, que faziam perguntas a ele. Algumas questionavam sobre a ausência do trenó e das renas em sua chegada. Sempre tinha boas respostas.
Herzog interpreta o Bom Velhinho há cerca de 30 anos. Tudo começou ao atender uma menina que tinha câncer. “Minha esposa trabalhava em um laboratório e ela coletava sangue no local. Queria muito uma boneca e o Natal estava chegando. Então, compramos o brinquedo, eu me vesti de Papai Noel e levamos até ela. Desde então, nunca mais parei. Participo de diversos eventos”, salienta.
Papai Noel, Coelhinho e Palhaço
Na segunda cidade mais populosa do Paraná, Londrina, Waldenir Paz, o Bolinha, faz sucesso entre as crianças. Fez seus primeiros trabalhos como Papai Noel na década de 1980, a pedido de uma vizinha. Criou gosto pela atividade. E, além das roupas e gorros vermelhos, também tem outras vestimentas em seu guarda roupa.
“Passei também a fazer trabalhos como coelhinho da páscoa, palhaço, e ainda atuo como mascote da Copel (Companhia Paranaense de Energia), da Sicredi e do Sicoob. E isso começou com simples uma entrega de bicicleta aos sobrinhos da vizinha”, recorda o técnico em enfermagem aposentado.
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Filter se tornou conhecido por ser o Papai Noel oficial de Lajeado. (Foto: Mateus Souza)
Solidariedade e empatia
Sírio Roberto de Paula, 57, foi de moto até Colinas. Bastante conhecido por seu trabalho de barbeiro em Porto Alegre e morador de Cachoeirinha, ele também ganhou o reconhecimento da comunidade de outra forma, devido à sua atuação como Papai Noel.
Um episódio recente é considerado marcante para ele. “Ano passado, uma caravana passou por bairros de Eldorado do Sul e a comunidade de Belo Monte acabou esquecida. As crianças ficaram muito tristes. O caso chegou até nós, juntamos presentes e levamos até elas”, lembra. Sírio também é estudante do quinto semestre de Serviço Social. “Gosto dessa área, de cuidar das pessoas”.
Já Otalício do Amaral, de Santana do Livramento, atua como Papai Noel há 15 anos. Para isso, cursou magistério. “Tinha que saber entender as crianças. Um dos meus objetivos após me aposentar era esse. E, no dia em que me vesti pela primeira vez, o primeiro abraço de uma criança me emocionou muito”, comenta.
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Amaral e Bolinha conversam: profissionais da fronteira gaúcha e do Paraná chegaram em Colinas nessa sexta. (Foto: Mateus Souza)
Veteranos do Vale
“Sou o Papai Noel da cidade do Cristo Protetor”. Há 46 anos, Reni Antonio Filter, 81, veste vermelho nas semanas que antecedem o Natal. Com a construção do monumento em Encantado, se apresenta aos amigos destacando a imponente obra no Morro das Antenas. Mas não se limita a isso.
Filter tornou-se conhecido na região por ser o Papai Noel oficial de Lajeado durante quase duas décadas. Nos últimos anos, após enfrentar problemas de saúde, diminuiu sua carga de atividades. Mas não perdeu a oportunidade de participar do evento em Colinas. “Até hoje, só falhei ano passado, por causa da pandemia”, recorda.
Também do Vale, João Carlos Klein se tornou uma espécie de anfitrião aos papais noéis de fora. Morador de Lajeado, gravou um vídeo e disponibilizou aos amigos em um grupo de WhatsApp.