O afastamento dos jovens do ambiente educacional é um dos fatores preponderantes à decisão do governo estadual em voltar a cobrar presença dos alunos nas salas de aula. O anúncio ocorreu na tarde de ontem, após reunião do Comitê de Crise do Estado.
Além da busca em aumentar o percentual de alunos na escola, o Estado acredita que o momento de alta nos índices de vacinação, baixo nível de contaminações e o risco de aumento da evasão escolar justificam o retorno da obrigatoriedade. A exceção fica por conta de jovens com comprovação médica por alguma doença crônica.
Conforme a coordenadora regional de Educação (CRE), Cássia Benini, o intuito é que se tenha o maior número possível de estudantes na escola. Na avaliação dela, a distância do ambiente educacional representa um risco de perda de vínculo do jovem com o ensino. “Essa tem sido a nossa preocupação, tanto dentro da coordenadoria quanto das equipes diretivas e dos professores”, realça.
Pelos dados da Secretaria Estadual de Educação, apenas 40% dos estudantes de Ensino Médio matriculados voltaram às atividades presenciais desde o dia 12 de maio, data que marcou o retorno das aulas deste nível na rede pública.
No Vale, 60% de retorno
O percentual de alunos nas escolas é maior no Vale do Taquari em comparação com o restante do Estado. Conforme a CRE, dos 8.019 estudantes matriculados nas 41 escolas de Ensino Médio, 65% participam das atividades presenciais. Nos cursos de jovens e adultos, são 650 matrículas. Neste nível, há uma preocupação maior com a continuidade dos estudos.
Como se tratam de aulas noturnas, com estudantes que trabalham, há mais registro de infrequência. Por se tratar de um momento com aulas híbridas, a coordenadoria não tem tabulado taxa de evasão escolar.
A estratégia é manter a busca ativa. Quanto se percebe falta às aulas, seja presencial ou na plataforma Google Classroom, junto com a não entrega dos trabalhos, as direções procuram a família. Por meio do diálogo, se busca a retomada.
Pelo acompanhamento da coordenadoria, há 6% dos alunos matriculados tanto no Educação para Jovens e Adultos quanto no Ensino Médio com registro de busca ativa.
De 950 alunos, 300 voltaram
Na maior escola pública do Vale do Taquari, o Colégio Castelo Branco, dos cerca de 950 estudantes matriculados no Ensino Médio, 300 retornaram às aulas presenciais, afirma o diretor Marcos Dal Cin.
“Pelas informações que temos, a baixa adesão está ligada ao trabalho. Muitos alunos estão em alguma atividade remunerada e optaram pelo ensino remoto”, diz Dal Cin. Conforme o diretor há mais presencialidade dos estudantes do Curso Normal, o antigo Magistério.
Em Encantado, o percentual de retorno é maior, afirma a diretora do Instituto Monsenhor Scalabrini, Rosemeri Radaelli. “No Ensino Médio, temos 60% dos estudantes de volta.” Na avaliação dela, diversos fatores fazem com que a escola tenha alcançado um número maior do que a média estadual.
“Passa por sermos uma cidade menor, com uma única instituição de Ensino Médio. O contato com os alunos e as famílias é mais fácil. Também tem o fato dos estudantes gostarem da socialização no ambiente escolar.” A maior dificuldade é com relação aos alunos do noturno, afirma.
Bolsa polêmica
Uma das formas de estimular o retorno do Ensino Médio foi anunciado na terça-feira, o programa “Todo Jovem na Escola”. Uma das medidas é pagar um auxílio de R$ 150 para alunos inscritos no Cadastro Único. Também vão precisar comprovar frequência de 80% nas aulas e participar das avaliações feitas pela Secretaria Estadual de Educação.
“Na escola, depois do anúncio, muitos ligaram dizendo que tinham interesse de voltar. É um absurdo o aluno ganhar dinheiro para voltar a estudar. É uma obrigação”, critica a diretora da Monsenhor Scalabrini, Rosimeri Radaelli.
Na avaliação dela, a medida é antipedagógica, pois premia quem até então não havia demonstrado interesse em retornar às escolas. Ainda ressalta a pouca efetividade em termos educacionais. “Estamos nos aproximando do fim do ano letivo. Será que em novembro e dezembro haverá algum ganho de aprendizado?”, questiona.