“A pandemia mostrou o lado mais perverso da violência doméstica e familiar”

ENTRE ASPAS

“A pandemia mostrou o lado mais perverso da violência doméstica e familiar”

Delegada aposentada e professora universitária, Elizabete Barreto Müller é a nova comentarista do Frente e Verso, da Rádio A Hora 102.9. Durante o programa, destacou as consequências da violência contra a mulher e o feminicídio

“A pandemia mostrou o lado mais perverso da violência doméstica e familiar”
(Foto: Arquivo A Hora)
Lajeado

Isso começa na educação, precisamos destruir essa cultura”. A afirmação é da delegada aposentada Elisabete Barreto Müller, sobre o aumento de casos de violência contra mulher. O tema foi abordado na primeira participação da nova comentarista do programa Frente e Verso, da Rádio A Hora 102.9, nesta terça-feira, 13.

Elisabete é professora de direito penal, violência contra a mulher e direitos humanos da Univates. Atualmente é vice-presidente do Conselho da Mulher de Arroio do Meio, coordena o projeto de extensão Maria da Penha e faz parte da Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. Ela auxiliou na criação da Casa de Passagem do Vale (casa-abrigo), que acolhe mulheres vítimas de violência.

Para a estreia no programa, por atuar na defesa e luta pelos direitos das mulheres, a professora abordou o tema feminicídio. Ela relembra um fato importante que aconteceu no final da década de 90, enquanto era delegada em Arroio do Meio. Na época, uma mulher foi morta pelo seu companheiro que logo após se suicidou. Fato que se repetiu no último final de semana, na mesma cidade.

“Esse assunto mudou a minha vida. Na época não existia a Lei Maria da Penha e casa-abrigo que acolhesse a vítima de violência. Isso me fez arregaçar as mangas e procurar lideranças do Vale e prefeituras para estabelecermos convênios que possibilitassem uma casa de passagem na região. Conseguimos criar em 98”, conta.

Conforme Elisabete, apesar da Constituição prever a igualdade entre pessoas, ainda em 2021, é necessário ressaltar que as mulheres não são prioridades de seus companheiros. “A pessoa criada em uma cultura machista e patriarcal pensa que a mulher é a sua posse, então constrói esta imagem dentro dele. Em uma separação, ele fica inconformado pela perda dessa propriedade e as consequências são as que causam a morte”, aponta.

Segundo a ex-delegada, a pandemia agravou ainda mais esta mazela social. “A pandemia mostrou o lado mais perverso da violência doméstica e familiar, especialmente contra a mulher”.

A professora salienta que a Lei Maria da Penha é uma das melhores que existe no mundo. Já a Lei do Feminicídio é recente e trata-se do crime em que um homem mata a mulher pela sua condição de ser mulher. “Isso porque se observou que a violência doméstica era maior que a urbana”, pontua.

De acordo com Elisabete, para mudar essa realidade é preciso a conscientização dos homens, e a igualdade deve ser buscada por todos. É necessário ainda, políticas públicas e apoio as iniciativas que já existem na região.

Ouça o comentário na íntegra de Elisabete Müller:

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