Vale do Taquari – A rotatividade dos trabalhadores chegou a 70%, em 2014. É o que aponta o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os dados foram divulgados ontem, em evento do Sindicato dos Comerciários de Lajeado, no Hotel Mariani. Palestraram o supervisor técnico do Dieese, Ricardo Franzoi, e a técnica, Daniela Sandi.
Em mais de 50% dos caso dessa rotatividade, a responsabilidade é da empresa. No entanto os trabalhadores que pedem demissão representam 45%. Entre os principais motivos estão a jornada de trabalho e a insatisfação com o salário, na média de R$ 983.
Mais oportunidades de trabalho no comércio permitem ao funcionário trocar de emprego com maior facilidade. O vendedor Ezequiel dos Santos trocou de emprego faz três dias. Cita a falta de possibilidades de crescimento no setor como um dos motivos pela troca.
De acordo com o estudo, realizado em convênio com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), há uma série de indicações sobre as possíveis causas para o alto índice de saídas. Do ponto de vista das empresas, a diferença de demandas de trabalho ao longo do ano (maior no fim do ano e baixa no verão). Nos primeiros meses de cada ano, a redução de custos ocasiona demissões.
A instabilidade no emprego acarreta diminuição de salários e interrupção da formação profissional. Segundo os especialistas, medidas devem ser debatidas para atenuar as disparidades encontradas na relação de trabalho.
Empregos na região
Lajeado. O emprego com carteira assinada cresceu 78% nos últimos 11 anos, totalizando mais de 35 mil vagas. O setor de serviços lidera, com 36,6%. É seguido da indústria, com 33,9%.
O número de empregos no comércio representa 23% desse total. Só em Lajeado, o aumento chegou a 88%, representando 8.094 trabalhadores.
Em 2014, Estrela e Lajeado tiveram um aumento no total de vagas. Arroio do Meio teve resultado negativo, ficando com menos 50 postos de trabalho. No Estado, a criação de vagas aumentou em 52% desde 2002. Só em 2014 foram mais de 24 mil novos postos no Estado. Entre as principais causas do crescimento estão o aumento do salário mínimo e os melhores resultados das safras agrícolas.
Menos vagas em fevereiro
O mês passado registrou o pior ritmo de criação de empregos formais no país em 16 anos: 2,4 mil postos de trabalho foram fechados. Pelo terceiro mês consecutivo, o nível de vagas fechadas superou a de ocupações criadas. No acumulado do ano verifica-se, até agora, uma queda de 80.732 vagas formais no país.
Os setores que mais encolheram em postos de trabalho no último mês foram construção civil e comércio. No caso da construção civil, o mês de fevereiro teve fechamento de 25,8 mil vagas. Em comércio, foram 30,3 mil empregos formais encerrados. Os piores meses desde 1992, histórico apresentado pelo MTE em entrevista coletiva.