Estado – Após a Casa Civil aprovar o convênio do Instituto Gaúcho do Leite (IGL) com a Secretaria da Agricultura, que autoriza a arrecadação de fundos, na segunda-feira, a entidade apresentou as primeiras medidas para fortalecer o setor e a imagem do leite gaúcho. A formalização deve ocorrer nos próximos dias.
Entre as medidas, está a proposta de treinamento anual dos transportadores e a criação de uma carteira que comprove a habilitação para a função, que seria obrigatória.
Conforme o presidente do IGL, Gilberto Piccinini, a medida eliminaria a figura do atravessador que compra leite, vinculando o transportador ao laticínio. A meta busca reduzir a possibilidade de adulterações. A sugestão é de que as próprias indústrias transportem o leite ou contratem caminhões terceirizados.
Outras 11 sugestões foram divulgadas para garantir a qualidade do leite e derivados. Na lista estão iniciativas como a implantação do programa de controle e erradicação da brucelose e tuberculose, cumprimento da instrução normativa 62 do governo federal e das portarias 89 e 90, estaduais.
A meta é sanear todo rebanho bovino em um prazo de seis anos. A adesão ao projeto de sanidade será obrigatória, e ele será desenvolvido por Coredes, tendo por base o programa-piloto da Comarca de Arroio do Meio. Na região, seis municípios têm 90% das propriedades certificadas. Outros 12 começam a desenvolver as ações em breve.
O trabalho será agilizado a partir da contratação de 140 veterinários e reestruturação das inspetorias municipais. O produtor que resistir deverá ter a propriedade interditada e as empresas serão proibidas de comprar o produto. Para Piccinini, é preciso ter um produto com qualidade padrão. “Pagar mais pelo leite certificado é dar a entender que os outros podem vender um produto por menor valor e com problemas.”
Destaca a obrigação de o produtor produzir com animais saudáveis e oferecer ao consumidor um alimento seguro e saudável. De acordo com Piccinini, esse diferencial será fundamental para conquistar novos mercados.
Destaque no PIB
No Estado, 121 mil famílias vendem e produzem leite. Os produtores com média produzida por vaca acima de 24 litros por dia representam 8%. Entre 12 e 24 litros – 63%, e inferior a 12 litros – 29%. A cadeia injetou em 2012 um montante de R$ 10,51 bilhões – 3,55% do PIB estadual. A indústria de laticínios movimentou cerca de R$ 6,10 bilhões – 2,06 % do PIB.
A atividade está presente em 450 (90%) municípios. A capacidade industrial instalada é de 18 milhões de litros leite/dia (ociosidade 40%). Com os novos investimentos (cerca R$ 300 milhões), a produção pode chegar a 21 milhões de litros leite/dia. Ociosidade vai para 48%. A produção diária passa de dez milhões de litros.
Algumas sugestões
– Cumprir a normativa 62 e as portarias 89 e 90;
– Eliminar o transportador de leite intermediário;
– Regulamentar o transporte entre o produtor e a indústria;
– Fiscalizar a qualidade do leite na plataforma das indústrias e nos mercados;
– Orientar supermercados quanto ao controle de fraude e armazenagem adequada, rever a prática de atrair clientes com preços baixos;
– Conceder incentivos às indústrias que prestam orientação técnica para qualificar a matéria-prima;
– Implantar o programa de controle e erradicação da tuberculose e brucelose em todo Estado em seis anos;
– Estabelecer prazo para uso de resfriadores de expansão;
– Tornar mais rígidas as penalizações para coibir as fraudes, como retirar os benefícios do Estado e impedir a continuidade no mercado.