“Bafo na nuca” do governo federal

Opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

“Bafo na nuca” do governo federal

Por

A Marcha dos Prefeitos pela Reconstrução do Rio Grande do Sul realizada em Brasília foi histórica. O movimento capitaneado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e pela Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) registrou a maior missão de prefeitos, deputados e outros representantes gaúchos em toda a história. Centenas de gestores, secretários, procuradores, assessores e parlamentares enfrentaram as dificuldades de logística impostas pelo fechamento do único aeroporto internacional no Estado e foram até a distante capital federal para uma contundente e democrática pressão sobre o governo federal.

Os discursos foram unânimes no sentido de agradecer aos auxílios já encaminhados pela União – e não é pouca coisa –, mas cobrar de forma veemente menos burocracia e muito mais agilidade nas novas políticas de compensações financeiras tão necessárias diante da perda de receita já registrada nos meses de maio e junho. E o ato final, instaurado em frente ao Palácio do Planalto e justamente no momento em que o presidente Lula anunciava o novo Plano Safra, foi o derradeiro “bafo na nuca” sobre o chefe da nação, que precisa e pode auxiliar ainda mais o nosso Rio Grande do Sul.

Enchentes e cidades-irmãs

A catástrofe uniu prefeitos e comunidades gaúchas e catarinenses. Desde o início da tragédia, gestores municipais de Santa Catarina adotam cidades do Vale do Taquari e encaminharam mão de obra e maquinários para auxiliar na limpeza e organização. Passado o momento mais crítico, e como uma forma justa de gratidão, os municípios de Lajeado e Arroio do Meio atuam para tornar Blumenau e Chapecó as respectivas “cidades-irmãs”. Um movimento interessante para o intercâmbio de ideias, soluções e conhecimento. Hoje,é sobre enchentes. Mas logo mais poderá servir para outros movimentos sociais e econômicos. E todos ganham com a parceria.

Governador clama por compensações

O governador Eduardo Leite (PSDB) também esteve presente durante parte do evento realizado pela CNM e Famurs em Brasília. Além de participar de audiências no Senado e na Câmara Federal para tratar da renegociação da dívida com a União, o chefe do Executivo gaúcho acompanhou os prefeitos durante audiência realizada pela Comissão Externa das Enchentes do RS, no congresso, e participou da coletiva de imprensa que levou o recado dos gaúchos aos principais veículos de comunicação do país. Durante essa coletiva, Leite falou das dificuldades que os prefeitos já enfrentam para custear as demandas “ordinárias”. Ou seja, aquelas já previstas nos planos de governo – saúde, educação, infraestrutura e etc. E reforçou, em nome do governo estadual, a necessidade da União ser mais ágil no desdobramento de políticas de compensações ao RS.

Pesquisa avalia Leite, Lula e a tragédia

Uma instigante análise demonstrou os índices de satisfação e desgosto com o trabalho dos governos estadual e federal diante da maior catástrofe natural da história do Rio Grande do Sul. De acordo com a pesquisa Datafolha, a condução do presidente Lula (PT) foi considerada ótima ou boa por 36% da população brasileira e o governador Eduardo Leite (PSDB), por 35%. Já a parcela que considera a condução deles ruim ou péssima é pior para Lula (32%) do que para Leite (23%).

Novidades em até duas semanas

Os prefeitos de Colinas, Sandro Hermann (PP), de Guaporé, Valdir Fabris (PDT), e de Santa Tereza, Gisele Caumo foram os nossos representantes regionais durante audiência – pós-pressão em frente ao Palácio do Planalto – com representantes do governo federal, em especial o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT). Os três pareciam satisfeitos, em parte, com a conversa reservada a outras associações de municípios, deputados federais da bancada gaúcha e agentes da União. “Aguardamos novidades para o dia 16 ou 17, quando ocorrerá novo evento proporcionado pela Famurs”, anuncia Hermann. Entre as medidas solicitadas, destaque à compensação das perdas de ICMS e outros tributos. Aguardemos!

TIRO CURTO

  • Em entrevista para a Rádio A Hora, em Brasília, o Diretor Aquaviário do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Erick Moura afirmou que em menos de duas semanas será assinado o contrato para o início dos estudos de dragagem na bacia do Rio Taquari e outras. O investimento inicial é próximo de R$ 20 milhões. Mas o serviço em si, em todo o Estado, pode passar de R$ 700 milhões em um primeiro momento.
  • O Badesul financiou R$ 2,9 milhões para a construção da nova prefeitura de Mato Leitão, inaugurada na sexta-feira passada.
  • Em Encantado, os vereadores realizaram uma sessão extraordinária ontem para aprovar financiamento de até R$ 20 milhões para obras de infraestrutura pós-enchentes, além da preparação dos terrenos que receberão as casas e prédios dos programas habitacionais. Parte do recurso também deve ser utilizado para compra de área destinada a um novo distrito industrial.
  • Durante a marcha de prefeitos em Brasília, muitos gestores citaram a ausência de Marcelo Caumo (PP), o chefe do Executivo da principal cidade do Vale do Taquari. Justas ou não, as críticas precisam ser levadas a sério caso o gestor lajeadense ainda pense em concorrer a deputado.
  • Também em Lajeado, e para respeitar as regras eleitorais, a câmara de vereadores suspendeu as transmissões em tempo real das sessões legislativas ordinárias e extraordinárias, bem como as reuniões das comissões permanentes.

Acompanhe
nossas
redes sociais