É preciso mais prazo ao “Auxílio Reconstrução”

Opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

É preciso mais prazo ao “Auxílio Reconstrução”

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Os prefeitos das cidades mais impactadas pelas históricas enchentes serão responsabilizados por eventuais equívocos nos cadastros do Auxílio Reconstrução. Por óbvio, não é admissível que se conclua tal processo “nas coxas” ou “a toque de caixa” – só em Lajeado devem ser encaminhados cerca de 2,8 mil registros. Ou seja, não basta criar um link ou site para as pessoas se cadastrarem. É preciso um amplo processo de validação e verificação para evitar erros. Dito isso, e jogando água no chopp de muitos oportunistas, é preciso afirmar que a decisão do governo federal de encerrar hoje a inscrição dos beneficiários é um absurdo.

Ora, não havia data definida na Medida Provisória e a surpreendente decisão foi divulgada nesse sábado, de supetão, pegando quase duas centenas de prefeituras com muitos cadastros a fazer. Não por menos, e enquanto oportunistas vibram com a façanha, a Famurs, a Amvat e a Amat já se posicionam contra a decisão do governo federal. Devem solicitar um prazo maior e o ministro Paulo Pimenta já acenou positivamente à prorrogação. Nada mais justo. Afinal, se o propósito é ajudar, não faz sentido o abrupto encerramento antes da conclusão de todos os cadastros. Mesmo diante dos lapsos cometidos pelas gestões municipais em meio ao colapso e às dezenas de outras demandas, é preciso mais empatia. Ou mais dinheiro.

Protesto ignorado pelo governo de Eduardo Leite

Do percurso de 7,1km, cerca de 6km aguardam obras de asfaltamento há mais de seis anos (Foto: Diogo Fedrizzi)

O protesto organizado por moradores no trecho de chão batido da rodovia estadual ERS-129 – entre Colinas e Roca Sales – foi ignorado pelos representantes do governador Eduardo Leite (PSDB). Nenhum agente do governo foi até o local na manhã de sábado para dialogar com os manifestantes. Aliás, e antes mesmo do ato comunitário, o Secretário de Logística e Transportes Juvir Costella (MDB) classificou a indigesta e histórica indignação regional como uma “manifestação eleitoreira”. E afirmou que a pavimentação do trecho está entre as 30 prioridades do Estado. É pouco. O Vale do Taquari quer ver o contrato e a ordem de serviço devidamente assinadas. E logo.

O porto (enfim) é nosso. Mas e agora?

O governo de Estrela confirmou ontem a municipalização do complexo portuário instalado às margens do Rio Taquari. O processo se arrastou por anos. E só foi concretizado após a histórica enchente destruir boa parte da estrutura do imponente porto. Ou seja, e para muitos, a integração da área ao patrimônio do município chegou tarde. Mas, e para outros tantos agentes, ainda há tempo e espaço para aproveitar o nobre e histórico espaço. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Eleições e enchentes: TRE vem ao Vale ouvir demandas

Com o objetivo de “ouvir os segmentos da sociedade nos municípios atingidos pelos recentes eventos climáticos”, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do RS, Voltaire de Lima Moraes, convida a comunidade do Vale do Taquari para audiência pública no dia cinco de julho, na Sala do Júri do Fórum da Comarca de Lajeado, às 9h30min. O convite é direcionado às cidades abrangidas pelas Zonas Eleitorais de Lajeado, Estrela, Encantado e Arroio do Meio.

Após enchentes e prejuízos, Acil estuda trocar de sede

A direção da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) já iniciou os debates sobre uma possível nova sede. O prédio foi duramente atingido pelas históricas enchentes de 2023 e 2024 e, diante disso, diversos agentes ligados direta ou indiretamente à entidade defendem a busca por um novo espaço. Outros atores defendem a permanência no antigo imóvel ocupado pela Acil desde 1951. Não é um movimento simples. Pelo contrário. Durante muitos anos o debate girava em torno da (re) ocupação e renovação do inundável Centro Histórico. Inclusive foi criado um comitê só para debater o tema. Recentemente, aliás, o governo municipal investiu na consolidação do Laboratório de Inovação Governamental e Social de Lajeado, o Labilá, localizado em frente ao prédio da associação, e planejava mais investimentos no entorno da icônica “Praça do Chafariz”.

TIRO CURTO

  • O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Rio Grande do Sul realizam audiência pública no dia quatro de julho, em Porto Alegre, para debater soluções de abrigamento provisório e de moradia definitiva para as pessoas desabrigadas e desalojadas pelas enchentes que acarretaram a decretação de situação de calamidade pública.
  • Em tempo, o Ministério Público Federal também cobra respostas da CCR Viasul com relação à demora na reconstrução do trecho da BR-386 em Pouso Novo.
  • O movimento “Uma casa por dia”, idealizado pela quádrupla hélice por meio da Agil, Pro_Move, Univates, MP, empresários e outros voluntários, deve entregar as primeiras 10 residências populares em um prazo de até 60 dias. É mais um bom exemplo do setor privado e que precisa servir de exemplo para muitos entes públicos.
  • Além do retorno de Cíntia Agostini à presidência do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), a nova direção vai contar com outros agentes que possuem uma ligação histórica com a entidade. Entre eles, destaque ao empresário e radialista, Rogério Wink.
  • Em Estrela, a licitação para construir a rótula da Rota do Sol no bairro Boa União estava agendada para o dia 17 de maio passado. Entretanto, e diante da catástrofe, o processo não avançou e a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) vai republicar o edital ainda nesta semana.

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