Novo bispo assume diocese em setembro

nomeado pelo papa

Novo bispo assume diocese em setembro

Padre Itacir Brassiani foi nomeado pelo Papa Francisco nessa semana e exerce a função no lugar do bispo emérito Dom Aloísio Alberto Dilli

Por

Novo bispo assume diocese em setembro
Vale do Taquari

Padre Itacir Brassiani foi nomeado novo bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul, pelo Papa Francisco. O religioso passa a exercer a função a partir de setembro, em data ainda a ser definida. Ele assume a diocese no lugar do bispo emérito, Dom Aloísio Alberto Dilli.

Desde 2021, Padre Itacir é superior provincial para a América Latina dos Missionários da Sagrada Família, com sede em Passo Fundo, onde atua hoje. Natural de Soledade, nasceu em 28 de dezembro de 1959 e já exerceu diferentes funções sacerdotais. Entre elas, se destacou em atuações na Sagrada Família, e como vigário geral junto ao Conselho Geral de Roma.

Padre Itacir concluiu os estudos de Filosofia na Universidade de Passo Fundo, os de Teologia no Instituto Missioneiro de Teologia de Santo Ângelo, e obteve a licenciatura em Teologia Sistemática pela Faculdade Jesuíta (FAJE), de Belo Horizonte-MG.

Para assumir a diocese e ser ordenado bispo, ele diz estar animado e saber da responsabilidade. Além disso, garante estar comprometido em auxiliar cada comunidade, incentivando a participação religiosa.

Entrevista
Padre Itacir Brassiani • bispo nomeado da Diocese de Santa Cruz do Sul

“Queremos potencializar o protagonismo dos leigos e leigas na igreja”

Conte um pouco sobre a sua caminhada no sacerdócio.

Eu nasci em Soledade, hoje São José do Herval, que na época pertencia à Diocese de Santa Cruz do Sul. Quando eu tinha 2 anos, minha família foi à Santa Catarina, onde me criei até os 20 anos como agricultor e atuando como técnico em contabilidade. Em 1979 minha vida deu uma redirecionada para seguir o caminho da vida missionária. Em 1980, vim a Passo Fundo, ao seminário. Estudei licenciatura em Filosofia. E, de 1984 a 1987, fiz o curso de Teologia, em Santo Ângelo, fui ordenado padre e me dediquei à formação de seminaristas e vigário paroquial em Santo Ângelo. Fui enviado para o mestrado em Belo Horizonte, que conclui em 1992. Voltei a Santo Ângelo, lecionei Teologia por 20 anos, sempre com outras atividades. Fui pároco em duas diferentes paróquias em Santo Ângelo. Fui superior provincial do Sul do Brasil, vigário geral da congregação e vivi na Itália por 6 anos, visitando os 20 países onde a congregação está presente. Em 2003 voltei ao Brasil. Em 2017 fui novamente eleito como superior provincial, voltei a Passo Fundo e aqui estou.

Como foi o convite para ser bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul?

O processo de discernimento para o cargo é feito de forma sigilosa. Aos 64 anos, eu estava convicto de que as possibilidades de ser bispo eram coisa do passado. Estava me projetando para ser missionário em Moçambique, no próximo ano. Vários nomes foram indicados e uma série de consultas foram feitas em caráter reservado. Eu pedi um tempo para buscar ajuda para tomar uma decisão responsável e madura e aceitei.

Qual o sentimento de poder assumir a diocese?

O sentimento é de estar inteiro e com disposição para caminhar junto com o povo da diocese, das diversas cidades que hoje estão machucadas principalmente por esse distúrbio ambiental. Nesse período, acompanhei no silêncio e na oração tudo isso que vem acontecendo. Meu pai nasceu em Encantado, minha mãe em Arvorezinha, minhas raízes estão na região do Vale do Taquari. Minha expectativa é que tenhamos a ousadia para propor o evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas, sem arrogância, sabemos que o evangelho é importante para a vida, mas ele não pode ser imposto. Queremos potencializar o protagonismo dos leigos e leigas na igreja, através de um processo de participação. Dando uma atenção especial à família, à terra, ao ambiente.

Em relação à Igreja de forma geral, como avalia o momento atual?

A região Sul é extremamente secularizada, junto com o bem-estar que beneficia grande parte da população, também entrou uma indiferença aos princípios religiosos, e uma certa irrelevância ao Ministério. Nós todos sentimos em nossas comunidades essa secularização, isso repercute na disponibilidade de pessoas para serem padres e diáconos. O desafio é grande para a Igreja. Devemos valorizar todas as vocações, leigas, religiosas e ministeriais e em todas as fases da vida, não só para jovens. Idosos aposentados, por exemplo, também podem encontrar essa vocação.

Acompanhe
nossas
redes sociais