Reconstrução necessária – e simbólica – em Estrela

Opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Reconstrução necessária – e simbólica – em Estrela

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O governo de Estrela acerta em cheio ao manter a Escola Municipal de Ensino Fundamental Leo Joas no bairro das Indústrias. Não foi fácil, é bem verdade. Com a sede atual destruída pela força das águas, e diante da escassez de terrenos em áreas seguras, a municipalidade foi habilidosa no momento de negociar a aquisição de seis terrenos privados (fora da área alagável) e terá de ser ainda mais talentosa para custear e construir a nova estrutura naquela área.

Mas todo o esforço é necessário para manter um dos símbolos daquela localidade e, com isso, garantir a permanência de muitas famílias que andavam desesperançosas com o futuro naquela região da cidade. Muito além de garantir um espaço adequado para os mais de 600 estudantes, o movimento do Executivo estrelense devolve esperança aos moradores que já criaram raízes no bairro das Indústrias.

17 nascimentos em um só dia

Um fato curioso. O Hospital Bruno Born (HBB) registrou 17 nascimentos em um só dia durante o período mais crítico da enchente. O aumento é justificado pelo fato de diversos pacientes de outras cidades terem sido realocados para a principal casa de saúde do Vale do Taquari durante as cheias.

O movimento pelas pontes continua

A reconstrução em tempo recorde da histórica Ponte de Ferro entre Lajeado e Arroio do Meio já salvou vidas. Com a passagem livre para ambulâncias, o transporte de pessoas entre hospitais da região (e também para Região Metropolitana) está normalizado entre as regiões alta e baixa e isso, por si só, já justifica todo o esforço privado e voluntário. E quem atesta isso são os gestores dos nossos hospitais e, claro, as famílias dos pacientes. Dito isso, é imensurável o valor dessa travessia e totalmente dispensável qualquer polêmica. Entretanto, a reconstrução da Ponte de Ferro não pode desestimular outras ações semelhantes. É preciso, sim, que os agentes públicos e privados sigam na luta por novas pontes sobre o Rio Forqueta. Com destaque à travessia de concreto e com duas vias para receber veículos leves e pesados, e cuja licitação já está pronta e os recursos estão disponíveis (cerca de R$ 13,5 milhões do governo federal). E sem esquecer da Travessia da Amizade, entre Marques de Souza e Travesseiro. Não podemos esmorecer.

Parques em áreas alagáveis

Os prefeitos das cidades mais impactadas pelas trágicas enchentes de setembro e maio estão convictos: não há como reconstruir moradias ou prédios comerciais e industriais nas áreas lindeiras ao Rio Taquari. Dito isso, os gestores e as respectivas equipes e gabinetes criados para a necessária reconstrução dos municípios estudam formas de melhor ocupar esses terrenos mais próximos às margens. E uma das soluções mais debatidas entre os agentes públicos e privados é a consolidação de grandes parques urbanos nas áreas de preservação permanente. Ou seja, os caminhos indicam para o plantio de grama e árvores onde for mais indicado, e também para a disponibilização de ferramentas públicas de baixo impacto ambiental e minimamente resistentes às cheias. O grande exemplo é o Parque Professor Theobaldo Dick, no centro de Lajeado. Ou a nova orla do Rio Guaíba, em Porto Alegre. Mas, claro, sempre respeitando as peculiaridades (e a energia) do Taquari.

Heliponto no HBB

Além de criar um Plano de Contingência para se precaver de uma nova e histórica enchente (faltou menos de um metro para a água atingir o Hospital Bruno Born em maio), a direção do HBB também atua para agilizar a liberação do heliponto no prédio novo da rua Júlio de Castilhos. Para isso, é preciso investir na sinalização, pintura e iluminação do espaço. Além, claro, de conquistar a tão aguardada liberação por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Um processo que já perdura faz alguns anos, e se mostrou ainda mais relevante durante a histórica enchente do mês passado. E não só para a locomoção de pacientes. O uso de aeronaves também é crucial para o transporte de órgãos, insumos e, inclusive, de profissionais médicos.

Greve na meteorologia

Em meio às catástrofes climáticas, servidores do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), vinculado ao Ministério da Agricultura, anunciam a interrupção das atividades a partir deste sábado, por “falta de pessoal e recursos”. A medida está atrelada ao corte de funcionários terceirizados que representam 60% dos meteorologistas e 100% dos analistas de sistema. Com a paralisação, devem ser suspensos em âmbito nacional os serviços de previsão do tempo, monitoramento do tempo e emissão de avisos meteorológicos.

TIRO CURTO

  • O Partido Liberal (PL) de Lajeado realiza encontro no dia 20 de junho. O evento é aberto ao público e será realizado na sede do Clube dos 15, no bairro Montanha, com início às 19h. E os líderes do PL não confirmam – e não descartam – possíveis anúncios sobre a majoritária.
  • Em Teutônia, o vereador Luias Wermann (PSD) sugere ao Executivo a contratação em caráter emergencial de engenheiros civil para avaliação de casas em áreas de risco, e também de assistentes sociais para o cadastramento e atendimento de famílias impactadas pelas fortes chuvas de maio.
  • O movimento do vereador teutoniense também é ventilado na câmara de Lajeado, onde a Comissão de Obras e Serviços Públicos sugere ao Executivo a contratação terceirizada de Engenheiros Civis e/ou arquitetos para avaliações técnicas dos imóveis que estão em situação de risco em função da enchente de maio. Aliás, muitas casas já foram reocupadas.
  • Ainda na câmara de Lajeado, o vereador e pré-candidato a prefeito Sérgio Kniphoff (PT) sugere encontro entre os poderes Executivo e Legislativo com loteadoras e incorporadoras do município, “na tentativa de encontrar uma solução e agilizar lotes para a construção das unidades do Minha Casa Minha Vida Calamidade já liberados em 2023”.

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