“O LP está de volta porque sua qualidade sonora é única”

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“O LP está de volta porque sua qualidade sonora é única”

A cantora Stella Maris Reckziegel, 69, nasceu em Lajeado e foi criada no ambiente da arte, da cultura e da música. O pai, de coral, aprimorava a voz e o repertório dos seis filhos. Stella logo se destacou nos palcos e começou a frequentar eventos, festivais, fazendo participações no Galpão Crioulo, que foi sua virada de chave na carreira. Em 2024, completa 50 anos de trajetória. Para marcar, lançará o terceiro “long play”, com 12 músicas gaúchas urbanas. O projeto visa resgatar a música dos anos 1970 e 1980, criadas por expoentes da de expoentes da Música Popular Gaúcha, como Nei Lisboa, Vitor Ramil, Hermes Aquino e demais artistas do Sul

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“O LP está de volta porque sua qualidade sonora é única”
fotos: acervo pessoal

Por que, em uma era extremamente digital, você decide lançar um LP?

Cresci ouvindo as melhores músicas dos anos 1970 e 1980 e artistas gaúchos que me inspiraram na carreira:Nei Lisboa, Vítor Ramil, Raul Ellwanger e grupos como Almôndegas fizeram a diferença na minha trajetória. Naquela época, os discos de vinil eram a sensação. Eles estão retornando à cena musical, porque a qualidade sonora é única e não pode ser replicada em formato digital. Além disso, existe a sensação de nostalgia e o apreço dos colecionadores, que preferem a experiência tátil e visual. Com o LP, quero alcançar o máximo de pessoas que curtiram imensamente nos anos 70 e 80 e resgatar canções que estão esquecidas.

Qual a influência familiar e local na sua música?

Foi uma longa trajetória até aqui. Meu pai veio de uma família de músicos e o sonho dele era viajar com a famĺlia, cantando. Desde pequenos, eu e meus cinco irmãos acompanhávamos ele nos ensaios coral Santa Cecília de Lajeado, do qual era regente.

Meu pai notou que eu era a que mais gostava do palco, além de ter uma potência de voz mais destacada. Virei solista. Recebi meu primeiro cachê aos 13 anos,um marco inesquecível. Lembro da sensação de conquista. Era a prova de que meu talento era valorizado, a confirmação de um sonho. Logo, me tornei presença constante em eventos, shows e festivais.

Como você se consolidou como artista na região?

A grande virada aconteceu quando foi convidada a representar Lajeado no programa Galpão Crioulo, que aconteceu durante a em 1987. Muitas portas foram abertas a partir daí. Em 1994, gravei meu primeiro com músicas regionalistas. Em 1998, gravei o segundo, uma, produção independente com uma pegada menos regionalista, mas com músicos populares gaúchos, que de certa forma, veio a definir meu perfil de artista.
Sou uma das primeiras mulheres a cantar a música tradicionalista gaúcha, mas também fui puxadora de samba da Escola Cascata, no auge do Carnaval em Lajeado e até fiz turnê com Gaúcho da Fronteira. Hoje, 50 anos depois, eu percebo que, desde o primeiro cachê aos 14 anos, a música me proporcionou momentos incríveis, me conectou com pessoas especiais e deu a oportunidade de compartilhar minha paixão com o mundo.

Qual a magia da década de 1980?

A década de 1980 foi um período de efervescência cultural no Rio Grande do Sul, e a música gaúcha desempenhou um papel fundamental nesse cenário.

Eu sou absolutamente apaixonada por nossas canções. Os gaúchos possuem artistas incríveis que souberam dar melodia e tom às letras com críticas sociais. É música sofisticada que precisamos revigorar na nossa memória musical.

Por isso, estou resgatando 12 músicas em LP. É um retorno aos velhos tempos, àquela deliciosa rotina de apreciar a música com calma, sem pressa. É um convite ao movimento lento, a nos reconectarmos com a essência da experiência musical.

Como você vê a cena musical atual?

Poucas mulheres na cena gaúcha. É preciso estimular a voz feminina a cantar a música urbana do Sul e principalmente, incentivar canções que tenham crítica social e poesia ao mesmo tempo. Por isso, o nome do disco será “Pra Te Lembrar”, em homenagem à canção de Nei Lisboa, que estará no LP.

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