Produtores de aipim temem perdas devido à bacteriose em Cruzeiro do Sul

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Produtores de aipim temem perdas devido à bacteriose em Cruzeiro do Sul

Doença pouco conhecida na região ameaça as plantações e deixa produtores preocupados com o futuro da colheita em meio ao aumento da área plantada

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Produtores de aipim temem perdas devido à bacteriose em Cruzeiro do Sul
Toda a lavoura de Luan Baum em Linha 22 de novembro foi comprometida após a aparição da doença (Foto: Gabriel Santos)
Cruzeiro do Sul

Uma ameaça silenciosa paira sobre as plantações de aipim em Cruzeiro do Sul, deixando produtores apreensivos diante do desafio apresentado pela bacteriose. A presença da doença foi identificada por muitos produtores que já calculam perdas de muitos pés que estavam prontos para a colheita em fevereiro e março.

Na Linha 22 de Novembro, Luan Baum, que tem no cultivo de aipim a principal fonte de renda para sua família, enfrenta a difícil situação pela primeira vez. Em uma área de cinco hectares, tanto nesta localidade quanto em Boa Esperança, a doença se manifestou, fazendo com que as plantas apodrecesse e secassem antes da colheita, resultando em prejuízos significativos.

“A planta apodrece, seca e não conseguimos colher”, relata Baum. Com a estimativa inicial de colher até 3 mil caixas nesta safra, ele investiu cerca de R$ 20 mil no cultivo, mas agora enfrenta a incerteza de obter o retorno desejado. Foram plantados aproximadamente 40 mil pés de mandioca nas áreas afetadas.

A expectativa positiva dos produtores para este ano baseava-se no valor cotado de R$ 70 por caixa de 22 quilos. No entanto, casos semelhantes ao de Baum ocorreram em outras lavouras, como a de Paulo Vilmar Went, conhecido como Chiquinho, em Linha Sítio, na localidade de João Rabo Filho, onde todos os quatro hectares foram perdidos para a bacteriose.

Técnico agropecuário da Emater de Cruzeiro do Sul, Maurício Antoniolli destaca que houve um aumento de 10 a 15% na área plantada devido à estabilidade nos preços. No entanto, nas últimas semanas, problemas com a bacteriose foram constatados em diversas plantações. “É uma doença sem tratamento, e muitas lavouras estão enfrentando esse problema”, afirma.

Nesta safra, a área total plantada atingiu 250 hectares, e a Emater contou com o suporte técnico da Embrapa. “Não há tratamento curativo, apenas preventivo. Atualmente, a mandioca enfrenta a falta de interesse da indústria química, resultando em poucos insumos disponíveis”, explica o técnico.

Antoniolli acredita que o clima adverso, caracterizado pelo excesso de chuvas e alta umidade do solo, facilitou a entrada da bactéria nas plantas, tornando-a particularmente danosa às lavouras. O problema se agravou após o temporal nas primeiras semanas de janeiro, intensificando as preocupações dos agricultores locais com as perdas na safra de aipim.

O que é a bacteriose?

É a principal doença que ataca a cultura da mandioca. O clima que favorece a ocorrência da doença é de regiões acima dos 1,2 mil milímetros de chuva e temperaturas que variam de 20 a 23 graus. Os sintomas são observados em plantas com seis meses de idade e provoca a redução na brotação, manchas, seca das folhas e morte total da planta.

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