“Aos poucos fui descobrindo a  técnica, e tudo sendo autodidata”

ABRE ASPAS

“Aos poucos fui descobrindo a técnica, e tudo sendo autodidata”

Natural de Arvorezinha, Olir Francisco Dutra, 48, trabalhou como pedreiro e caminhoneiro antes de se estabelecer como escultor. Unindo a paixão por desenhar na infância, o profissional que reside em Encantado já realizou diversas obras na região. Uma delas é o Memorial Dom Gentil Delazari, novo atrativo turístico religioso da região alta do Vale do Taquari, que será inaugurado dia 11 de fevereiro em Relvado, durante a Festa de Nossa Senhora de Lourdes

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Atualizado terça-feira,
06 de Fevereiro de 2024 às 14:47

“Aos poucos fui descobrindo a  técnica, e tudo sendo autodidata”
Foto: Brayan Bicca
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Como teve início a sua história com a escultura?
Comecei com o hábito de desenhar. A vontade de esculpir veio depois, mas eu não sabia nada da técnica necessária para o ofício. Em uma época em que fiz um tratamento de dependência química em Lajeado eu acabei por esculpir o rosto de Cristo. Foi uma vontade que surgiu e quando tinha tempo estava ali, esculpindo em uma pedra. Logo depois conheci o Frei Albano, que me convenceu a continuar a esculpir e disse que eu deveria fazer uma estátua de São Francisco para ele. Decidi acatar a sugestão e a fiz em madeira. Mas após essa escultura do São Francisco, eu achei que o trabalho com madeira era muito difícil. Com isso optei em ir para um material que eu conhecia melhor, que é o cimento. Depois dessa decisão comecei a analisar algumas esculturas feitas em cimento, e pensei que era algo que eu conseguiria fazer também. Peguei e fiz o São Francisco só que agora maior, em Lajeado, no Centro Terapêutico São Francisco de Assis. E aí o Frei Albano começou a me encaminhar para algumas igrejas, depois eu fiz uma de São Cristóvão, fui a Porto Alegre e criei mais algumas. E assim foi, fui descobrindo a técnica, e tudo sendo autodidata. Reforço que veio da minha vontade e já havia um desejo de atuar com essa parte artística quando desenhava, então só migrei para a escultura.

Quais esculturas já trabalhou? Como é o processo de criar uma?
Já criei inúmeras obras. Hoje trabalho por encomenda no meu ateliê em Encantado. Minha técnica é de reprodução, gosto de ter um exemplo em tamanho pequeno para depois tirar as medidas e soldar a ferragem para então começar a moldar.

Qual o maior desafio em ser um escultor? E a melhor parte?
Acho que o maior desafio era quando não se tinha as redes sociais. Não era fácil conseguir trabalho, a divulgação por meio dos jornais me ajudou muito mas ainda não tinham um alcance tão grande como agora. Acredito que a melhor parte de ser escultor é que eu posso fazer o que realmente amo.

Ainda há algum sonho relacionado ao seu ofício que você espera realizar no futuro?
Como eu comecei nas esculturas com a técnica de alvenaria, o meu sonho e desejo é ampliar e tentar esculpir em outras técnicas e assim diversificar ainda mais meu ofício.

Como foi o trabalho da escultura do bispo Dom Gentil Delazari de Relvado?
Foi gratificante, o pessoal que me contratou me auxiliou de várias formas e ficaram satisfeitos, que é o que mais importa no final.

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