Após enchentes, município começa a replanejar áreas atingidas

Um novo olhar sobre os bairros

Após enchentes, município começa a replanejar áreas atingidas

Um dos bairros mais afetados pela cheia, o Conservas deve passar por transformações. A primeira delas, após a limpeza, é a saída de famílias que serão realocadas para locais mais altos. Em paralelo, construção das 300 novas moradias deve avançar até o fim do ano

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Após enchentes, município começa a replanejar áreas atingidas
Crédito Gabriel Santos
Lajeado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

As enchentes de setembro e novembro mexeram com os rumos de Lajeado. A cidade se viu obrigada a repensar o seu planejamento no que diz respeito às áreas alagáveis. Se antes havia um temor sobre os danos que uma cheia de grandes proporções poderia causar, agora há a certeza de que os efeitos são devastadores, com prejuízos sociais ou econômicos.

Uma das regiões mais impactadas pela força da natureza é o entorno da avenida Beira Rio. Importante ligação dos bairros periféricos com o Centro da cidade e também com o município de Cruzeiro do Sul, cruza diversas localidades. Mesmo dois meses após a cheia mais recente, o cenário ainda é de destruição em alguns pontos.

As primeiras medidas governamentais buscaram, num primeiro momento, retomar a dignidade da população local. A limpeza das ruas, com o recolhimento de entulhos é um processo que só avançou após a segunda cheia. Mas as ações de médio e longo prazo também começam a tomar forma.

A construção das moradias populares é um dos projetos essenciais para o replanejamento urbano. Ao todo, Lajeado contará com 300 novas unidades habitacionais, sendo 150 para a faixa 1 do Programa Minha Casa, Minha Vida (em formato de loteamento), e outras 150 pelo Calamidade. Este último conta com terrenos aprovados no Morro 25 e no Conservas.

Próximos passos

Após a aprovação, por parte do governo federal, a Caixa Econômica Federal iniciou o processo de chamamento de empresas interessadas em fazer a construção das residências. A obra e o projeto arquitetônico serão de responsabilidade da empresa contratada, enquanto o município destina as áreas adequadas.

Conforme a prefeita em exercício de Lajeado, Gláucia Schumacher, a parte que cabe ao município, no momento, é lotear as áreas. “Elas precisam ser divididas em terrenos. Depois, vamos levar isso a registro. Quando o morador ganhar o imóvel, estará tudo legalmente resolvido”, pontua.

A intenção do governo, segundo Gláucia, é de que a construção das casas inicie ainda este ano, pois há “prioridade máxima” por parte da administração. Na outra ponta, a Secretaria de Desenvolvimento Social organiza seleção das famílias selecionadas.

“Isso ainda temos que alinhar com o governo federal, pois os critérios estavam um pouco amplos. Houve uma pré-seleção das famílias após o desastre, mas precisamos saber exatamente quem poderá ocupar essas moradias”.

Mapeamento

Após a enchente, o governo do Estado firmou parceria com a Univates para auxílio no desenvolvimento de desenhos e documentos necessários para os municípios buscarem verbas federais a reconstrução de habitações em áreas atingidas pela enchente. O trabalho foi desenvolvido pelo Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo (Semeia-Emau).

Neste momento, os planos desenvolvidos estão sendo revisados pelas prefeituras que submeteram no sistema da Defesa Civil. Segundo a funcionária do Semeia-Emau, a arquiteta Bruna Ruthner, os modelos de intervenções indicam maneiras para reocupação das áreas atingidas, onde antes haviam casas.

“Mas não são definitivos. Nós criamos um modelo base para que as prefeituras possam se inspirar e fazer um orçamento inicial, que é necessário para esse passo mais emergencial. Posteriormente, fazem um projeto para essas áreas. Por enquanto, está apenas no campo das ideias”, pontua.

As visitas a campo foram feitas por profissionais contratados pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano. Eles fizeram vistorias e laudos, enquanto o Emau atuou de forma mais voluntária.

Segundo Gláucia, em paralelo a construção das moradias populares, o município trabalha em um projeto que incentiva a retirada de famílias de áreas alagáveis do município, para a ampliação de praças e parques. “Isso também contaria com um recurso federal para a desapropriação”.
Realocação

Para o arquiteto e urbanista Augusto Alves, também professor da Univates, o repensar ao Conservas deve começar pelas áreas com cota mais baixa. Segundo ele, as ruas Dois Irmãos e Avenida Beira Rio, com cota de 24 metros são as áreas mais sujeitas às cheias. Uma ação de realocação das moradias deveria iniciar por estas localidades”, cita.

Outro ponto de atenção, segundo ele, é a parte norte do bairro, onde estão as ruas Dois Irmãos, Delfino Costa e Erna Bücker, onde existem mais de 100 residências, todas atingidas de forma crônica pelas cheias. “É um bairro particularmente sensível às enchentes, visto que aproximadamente 50% de sua área está abaixo da cota 27, que é o limite legal para construções”.

Alves também cita a necessidade de atenção às quedas de barrancas do rio Taquari com a erosão das cheias. “Isso é um motivo extra para retirar as casas que se encontram nesses locais. Não é possível resolver o problema de todas as casas atingidas pelas enchentes, mas o que se pode fazer é avaliar o grau de risco e a frequência com que cada imóvel é atingido. Daí, priorizar os casos de maior urgência”.

Recuperação de ponte

Ponte sobre
o arroio Saraquá
passa por reforma depois de ter sido castigada com as
cheias

Deve ficar pronta este mês a obra de recuperação da ponte sobre o Arroio Saraquá, na ligação do Conservas com o Centro da cidade. A estrutura foi castigada com as enchentes de setembro e novembro e, desde então, veículos, pedestres e ciclistas dividem espaço na pista de rolamento, o que aumenta risco de acidentes.

Num primeiro momento, segundo o secretário municipal de Obras, Fabiano Bergmann, foi recuperada a lateral da ponte, com a instalação de telas e reforço nas barras metálicas no sentido Centro-Bairro. A próxima etapa inclui a construção de uma nova plataforma de passeio na direção oposta.

“Estamos tentando amenizar a situação e dar melhores condições de acesso. A intenção é utilizar as estruturas que eram do viaduto da avenida Benjamin Constant com a ERS-130. Mas temos que ver a melhor forma de fazer a instalação das peças”, frisa Bergmann. Segundo ele, a ideia é que o trabalho seja feito em um domingo, dia de menor movimento na via.

O município também aguarda o repasse de recursos da Defesa Civil Nacional para intensificar a recuperação da estrutura. A ponte, importante conexão com Cruzeiro do Sul, foi construída em julho de 1985.

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