Reconstrução de pontes desafia a região alta

REGIÃO ALTA

Reconstrução de pontes desafia a região alta

Cinco estruturas destruídas em setembro do ano passado continuam a causar prejuízos em vários setores

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Reconstrução de pontes desafia a região alta
Foto: arquivo / A Hora

Após as enchentes assolarem diversos municípios do Vale do Taquari em 2023, um dos prejuízos que persiste é a condição das pontes na região. Em dezembro do ano passado, a Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat) se reuniu em Encantado e uma das pautas debatidas foi a situação de cinco estruturas destruídas na tragédia: Santa Tereza a São Valentim do Sul (Santa Bárbara), Muçum a Roca Sales/Santa Tereza (Brochado da Rocha), Dois Lajeados a Cotiporã, Arvorezinha a Guaporé e Anta Gorda a Guaporé.

“A falta dessas pontes impacta no escoamento da produção, no transporte de matéria-prima e na movimentação de turistas, principalmente, na conexão com a serra gaúcha. Não podemos nos contentar com medidas paliativas, como as balsas. Ou nos conformarmos em percorrer distâncias maiores. Precisamos buscar ajuda para agilizar a reconstrução dessas pontes”, salientou Tiago Michelon, presidente da entidade. Na próxima semana, uma comitiva de prefeitos deve ir a Brasília tratar desse assunto.

Nova ponte

O projeto criado em 2020 para ponte entre Anta Gorda e Guaporé apresenta uma estrutura de duas pistas, sete metros de largura, 90 metros de comprimento e 9,25 metros de altura.

Prejuízos para as empresas

Para os empreendedores que utilizavam o acesso diariamente, a falta da passagem é responsável por frustrações e prejuízos. Pela ponte, leva-se cerca de 20 minutos para chegar a Guaporé. Quando é precisa fazer a volta por Encantado, a viagem pode até duas horas. A NoZes Pitol é uma das empresas de Anta Gorda a ter sua rotina alterada desde a destruição quase completa da ponte. A responsável pelo setor comercial e financeiro, Cintia Pitol, conta que muitas vezes fazer o percurso se torna inviável. “Considerando o tempo de ida e volta nem sempre compensa. Temos alguns clientes naquela região e fica bem complicado. A possibilidade de perder clientes é um receio presente enquanto o acesso segue indisponível”, comenta Cintia.

Para o presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Anta Gorda (CIC), Rafael Pavan, é imprescindível a construção de uma ponte nova e mais alta, mas entende que é preciso uma solução rápida atualmente. “Precisamos resolver o problema de hoje, pois uma região inteira está sendo impactada por um problema que precisa de solução imediata”, aponta. O presidente revela que os empresários locais estão apreensivos com a entrega dos produtos e serviços. “Tudo demora mais para transitar, encarece o produto/serviço, deprecia o veículo e reduz o tempo. Tanto na entrega quanto no recebimento, a chegada de insumos e matéria-prima é afetada também”, comenta.

“Agora parece um deserto”

Do lado de Guaporé, bem próximo dos escombros que se tornaram a ponte que ligava o município a Anta Gorda, reside Iris Cavagnoli, 68. Enfermeira aposentada, ela mora com a mãe e marido. Antes da água levar parte da estrutura, a guaporense recorda o movimento agitado de automóveis e caminhões em frente a sua casa. “Em comparação, agora parece um deserto. Às vezes aparecem pescadores na beira do rio, mas só isso. Tenho família em Anta Gorda e espero que consigam encontrar uma solução em breve”, afirma.

SANTA TEREZA – SÃO VALENTIM DO SUL
Balsa é opção temporária para travessia

A ligação rodoviária entre os municípios de Santa Tereza e São Valentim do Sul deverá ser restabelecida nos próximos dias, quando a balsa iniciará a operação. O equipamento pertencente a uma empresa de São Jerônimo chegou na terça-feira, 30, a Santa Tereza, após percorrer quase 200 quilômetros pelo Rio Taquari desde o dia 9 de janeiro. Os pontos de embarque e desembarque dos veículos estão localizados na comunidade Sagrado Coração de Jesus, em Santa Tereza, e no distrito de Santa Bárbara, em São Valentim do Sul. A tarifa-base para os usuários será de R$ 9,63. A projeção é de que 68 mil veículos utilizem a balsa por mês. A construção da nova ponte na ERS 431 depende de avanços no projeto e no processo licitatório.

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