Possibilidade de troca no Codevat preocupa líderes locais

Vale do Taquari

Possibilidade de troca no Codevat preocupa líderes locais

Atual presidente, Luciano Moresco, é pré-candidato a prefeito de Encantado. Caso indicação se confirme, quem assume o conselho regional é Ito Lanius. Distante da atuação no grupo, enxerga dificuldade em ser o responsável pelo conselho

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Possibilidade de troca no Codevat preocupa líderes locais
O atual presidente, Luciano Moresco (e), assumiu em 2020 e foi reconduzido em 2023. Na ocasião, antecipou que poderia sair antes. O empresário Ito Lanius (c) é o vice indicado pela CIC-VT. Admite que está distante dos assuntos do conselho e isso seria uma barreira neste momento. A economista e gerente de relações com o mercado da Univates, Cintia Agostini (d), foi presidente por 8 anos. Nos bastidores, o nome dela foi sondado para retornar ao conselho (Imagem: A Hora)
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Resumo da notícia

  • Atual presidente do Codevat, Luciano Moresco, é pré-candidato a prefeito de Encantado.
  • Caso se confirme, irá renunciar. Pelo estatuto, assume o vice, Ito Lanius, indicado pela CIC-VT.
  • O empresário está distante do conselho. Sem acompanhar os trabalhos, acredita ser complexo responder pelo Codevat
  • A confirmação da renúncia ou a continuidade de Moresco depende da estratégia eleitoral do PT de Encantado. Se não for para prefeito, o advogado e ex-vereador disse que permanece no Codevat.
  • Caso Moresco renuncie e Lanius não assuma, uma nova assembleia pode ser convocada para definir um comando temporário até a eleição em março de 2025.

O destino do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) estremece os bastidores de entidades e associações. Tudo por conta da possibilidade do atual presidente da instituição que congrega todos os setores sociais da região, Luciano Moresco, integrar a nominata do PT de Encantado.

O nome do dirigente foi apresentado como pré-candidato a prefeito daquele município. Por ser uma função voluntária, não há prazo para que ocorra a renúncia do cargo. Caso fosse uma função gratificada ou de secretariado em um cargo público, a descompatibilização precisaria ocorrer em abril.

Por um entendimento de que o Codevat não pode estar vinculado a alguma corrente política\ideológica, o próprio Moresco deixou claro à diretoria do conselho que poderá sair. “Tudo depende da decisão do partido”, realça.

Essa renúncia, diz, só ocorre para o caso da candidatura majoritária se confirmar. “Já fui vereador duas vezes. Já cumpri o meu papel. Para a função de vice também não aceitaria, pois teria de deixar minha carreira profissional e financeiramente não compensaria. Volto a ter o nome em disputa só se for para prefeito”.

Segundo Moresco, o momento é de espera, pelo menos até maio. “Poderia sair em abril, mas vai ser difícil, pois estaremos no debate para o pacote de concessões das rodovias junto com o governo do Estado.”

Escolhido para liderar o conselho regional em 2020, durante a pandemia, Moresco foi reconduzido ao cargo em março de 2023. Pelo estatuto do Codevat, a próxima assembleia geral para escolha da diretoria ocorre no primeiro trimestre de 2025.

“Estou distante do conselho”, diz vice

Caso se confirme a renúncia de Moresco, pelo regimento quem assume é o vice-presidente, Ito Lanius. Indicado pela Câmara da Indústria e Comércio do Vale (CIC-VT), o empresário de Lajeado também é presidente da Fundação para Reabilitação das Deformidades Crânio Faciais e Reabilitação Auditiva (FundeF), e vice-presidente do Lajeadense.

“Essa é uma questão muito complexa. Moresco está fechando o terceiro ano e eu estou distante do conselho. Não tenho participado das discussões e nem acompanhado os encaminhamentos. Seria necessário um esforço muito grande para mais esse compromisso, pois além das duas participações em entidades como voluntário, também preciso dar conta das minhas funções empresariais”, diz.

De acordo com ele, o momento é de aguardo. Ainda assim, sugere que seja necessário agendar uma reunião entre todos os diretores do conselho para alinhar os encaminhamentos possíveis. “Seria um ano de atuação até a próxima escolha da presidência. Eu teria de ter mais detalhes para saber como poderia me inserir. Sem dúvida vamos precisar conversar para ver qual será o rumo do Codevat.”

Papel da Univates

O surgimento do Codevat, em 1991, foi uma construção coletiva de líderes locais, com destaque para a atuação da universidade. Até 2020 o escritório executivo do conselho ficava na Univates. Foram quase 30 anos de atuação dos docentes nas funções de liderança, de organização sistêmica do planejamento regional e também do custeio das despesas de operação.

Em cima disso, caso o presidente Moresco saia e o vice, Lanius, não possa assumir, existe a possibilidade de ser chamada uma nova assembleia para definição de um comando temporário até a eleição marcada para março de 2025.

Neste caso, uma das hipóteses é o retorno do Codevat à Univates. Um dos nomes indicados seria o da economista Cintia Agostini, atual gerente comercial da Univates na área de Relacionamento com o Mercado. Ela foi presidente do conselho por oito anos.

“Sabemos que a universidade tem responsabilidade regional de participar dos grandes debates e ajudar nas estratégias de desenvolvimento. Porém, também não podemos fazer com que tudo caia no ‘colo’ da Univates”, diz o presidente da mantenedora da instituição de ensino (Fuvates), Ney Lazzari.

Função do conselho

Ex-reitor da Univates, Lazzari foi presidente do Codevat por 16 anos. Na avaliação dele, foi por meio do conselho que se estabeleceu a ideia de região do Vale do Taquari. O movimento local, acredita, conseguiu interpretar carências e potencialidades das diferentes cidades.

Em cima disso, se demonstrou ao governo do Estado que havia uma localidade distinta entre os Vales do Rio Pardo, Caí e Serra. Órgão de caráter consultivo, o Codevat foi o berço de diversas entidades locais. Como a Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), também do setor de turismo (Amturvales) e da Câmara da Indústria e Comércio (CIC-VT).

A atuação em defesa da região pode ser percebida em documentos como o planejamento estratégico regional, da organização da Consulta Popular e na defesa de melhorias na infraestrutura, em especial do modal rodoviário, de abastecimento da energia elétrica, dos estudos sobre o saneamento básico e da qualidade nos serviços de telefonia.

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