Tijolos da chaminé do Frigorífico Ardomé serão reutilizados em complexo turístico

ARROIO DO MEIO

Tijolos da chaminé do Frigorífico Ardomé serão reutilizados em complexo turístico

Acordo foi confirmado entre o empresário Joner Frederico Kern e a família Wallerius. A intenção é preservar os blocos utilizados na construção de uma das primeiras empresas de Arroio do Meio

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Atualizado terça-feira,
12 de Dezembro de 2023 às 16:37

Tijolos da chaminé do Frigorífico Ardomé serão reutilizados em complexo turístico
Joner Frederico Kern dará a destinação turística aos tijolos utilizados na década de 1930 para construção do Ardomé. (Foto: Gabriel Santos)
Arroio do Meio

Um acordo inovador e inédito entre Joner Frederico Kern, empresário do setor imobiliário e turístico e a família Wallerius garante um novo destino aos tijolos que em 1938 foram utilizados para construção da imponente chaminé do frigorífico Ardomé no bairro Navegantes. A estrutura estava em processo de demolição gradativa desde 2022.

O prédio, que ao longo dos anos se tornou uma ruína, atraiu olhares curiosos enquanto aguardava o processo gradual de demolição. No terreno, que além do frigorífico já abrigou a Balas Wallerius por anos, destacava-se a chaminé de 36 metros, um marco construído nos anos 40 pelo Frigorífico Ardomé.

Todo o espaço foi construído às margens da rua Dr. João Carlos Machado e a esquina com a Campos Sales. Responsável pela compra dos tijolos, Kern, revela que as negociações para a compra dos tijolos eram discutidas há algum tempo, mantendo-se em sigilo para evitar concorrência e especulações.

Cerca de 4 a 5 mil itens foram adquiridos e transportados para outro espaço em área particular. A intenção, segundo ele, é buscar a utilização dos tijolos em alguma estrutura semelhante no Complexo Turístico Duas Meninas Garden, em Arroio Grande.

“Eu sempre me interessei pelo espaço. A intenção é preservar a rica história da empresa que desempenhou papel fundamental na economia de Arroio do Meio, oferecendo empregos e acolhendo diversas famílias ao longo dos anos”, destaca.

Um termo técnico foi elaborado para guiar a utilização dos tijolos, destacando sua singularidade na engenharia. Cada bloco possui cortes diferentes nos quatro lados, moldados num formato especial e exclusivo para a edificação da chaminé. A produção na época foi de responsabilidade de uma cerâmica de Arroio do Meio.

 

No segmento de carnes, o frigorífico foi considerado um dos maiores do país

Imóvel a venda

A demolição da área mais antiga foi solicitada em 2019, mas iniciou de forma gradativa em 2022 por uma empresa terceirizada. A depredação do local causava risco aos moradores e para quem acessava o terreno. Enquanto a área mais antiga está em ruínas, outro pavilhão segue em condições de uso. Essa área assim como todo o espaço estão disponíveis para venda num valor de R$ 2,5 milhões ou para locação, no valor de R$ 15 mil mensal.

História do local

O estado de conservação da estrutura da antiga fábrica preocupava os moradores mais próximos. Ainda em 2017, um grupo do bairro Navegantes, encaminhou assinaturas ao governo municipal pedindo providências. Em 28 de setembro de 1938 foi fundada a Sociedade Industrial Ardomé LTDA, que mais tarde, 1952 mudou a razão social para Frigorifico Ardomé.

Construído naquele tempo, destinava-se à comercialização de carne suína e derivados, principalmente banha. Naquele período, a empresa foi responsável direta pelo desenvolvimento da cidade e contratação de serviços. A unidade começou com 10 operários e no primeiro dia abateu 40 suínos, chegou no ano seguinte, em 1939, alcançando a marca de 26 mil abates.

A unidade no começo dos anos 1960 foi uma das maiores do Brasil no setor. Com o tempo o espaço abrigou as instalações da Wallerius e por último a unidade de produção de depósito da Girando Sol. O maior símbolo do espaço, a chaminé, foi construída por Teodoro Backmann, no mesmo ano em que começou o funcionamento do frigorífico Ardomé.

Em Arroio do Meio, ele também construiu o Hospital São José, o Seminário Sagrado Coração de Jesus, as igrejas luteranas em Palmas e no bairro Aimoré, a capela do Navegantes, a represa do seminário, a antiga ponte que ligava o bairro Aimoré ao Centro e o prédio da Associação Comercial e Industrial (Acisam).

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