“O que eu aprendi é que a gente tem que fazer o que gosta”

ABRE ASPAS

“O que eu aprendi é que a gente tem que fazer o que gosta”

Ricardo Caetano, 35 anos, o Ri, é adestrador de cães e drag queen. Morador de Bom Retiro do Sul, ele mantém as duas atividades com entusiasmo

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“O que eu aprendi é que a gente tem que fazer o que gosta”

Você é drag queen e adestrador de cães. Como cada uma dessas atividades surgiu na sua vida?

Diferentemente do meu trabalho como adestrador, que começou quando ajudei meu primeiro cachorrinho, chamado Conan, a drag começou há pouco mais de um ano. Fui expulso de casa aos 15 anos por ser uma pessoa LGBTQIAP+ e fazer drag foi a ponta do iceberg. Comecei a fazer lives em um aplicativo e, após um ano, decidi fazer algo diferente. Construí um cenário com papel crepom, que acabou virando uma saia, e depois uma capa. Mais tarde, participei do primeiro concurso e ganhei uma bolsa de estudo em teatro. Como adestrador, comecei de forma autodidata e, posteriormente, fiz um curso em Eldorado do Sul, na Escola Cão Sentinela, em 2014. Foi revolucionário para a minha vida, pois gosto muito do meu trabalho e me identifico bastante com esses animais.

Você também participa de concursos como drag, certo? Como são essas experiências?

Eu não sabia nada sobre maquiagem e nunca tinha andado de salto. Estudei e treinei para ter essas habilidades. Em agosto do ano passado, foi a primeira vez que saí montado em um evento em São Leopoldo. Inclusive, participei novamente este ano. No ano anterior, fui apenas como espectador, mas neste ano participei ativamente. Minha drag se consagrou como a top drag em Novo Hamburgo. Depois, participei da competição na Hillary, em Porto Alegre, e fui eleita a top drag da cidade, ganhando uma bolsa de estudos para um curso de teatro. Também participei da Parada LGBTQIAP+ em Porto Alegre. Passei a maior parte do ano fazendo teatro, concluindo o nível intermediário. Em novembro, atuei no teatro de arena de Porto Alegre, na primeira parte da peça “As Criadas”, do escritor francês Jean Genet.

Você percebe algumas semelhanças entre ser drag e adestrador?

Tenho aprendido que devemos ser autênticos e não devemos copiar nem as coisas positivas, nem as negativas. Precisamos encontrar nosso próprio caminho. Claro que podemos usar pessoas como referência, profissionais que apreciamos, mas devemos ser nós mesmos, e é essa a mensagem que gostaria de transmitir. Seja como adestrador, artista, drag queen, poeta, compositor, paisagista, floricultor, enfim. Ser autêntico e fazer o que gostamos, estar perto de quem gostamos, também é muito importante.

Como conciliar as duas atividades?

Além disso, tenho trabalhado bastante com jardinagem ultimamente. E quanto à conciliação, não foi difícil, pois tudo o que gostamos não é tão difícil assim. O que aprendi é que devemos fazer o que gostamos, e sou privilegiado por fazer muitas coisas que gosto. Então, foi relativamente fácil.

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