Nova etapa de duplicação amplia oportunidades

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Nova etapa de duplicação amplia oportunidades

Ministro dos Transportes assina hoje ordem de início para execução de obras em 112 quilômetros da BR-386. Setor produtivo de Soledade aposta em nova rota de desenvolvimento. Prefeitos do Vale esperam por melhorias para qualificar infraestrutura e segurança da rodovia

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Nova etapa de duplicação amplia oportunidades
Trecho entre Soledade e Fontoura Xavier será o primeiro a ser contemplado com a duplicação. (Foto: MATEUS SOUZA)
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Mais uma etapa da duplicação da BR-386 terá início. Será assinada hoje, 25, pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, a ordem de serviço que autoriza o início dos trabalhos nos 112 quilômetros entre Tio Hugo, na região Norte do RS, e Marques de Souza, no Vale do Taquari.

Com um investimento previsto em R$ 1 bilhão e projeção de execução da duplicação de cinco a seis anos, o trecho é considerado o mais desafiador de toda a rodovia federal, sobretudo nos 54 quilômetros entre Marques de Souza e Fontoura Xavier.

O primeiro trecho a ser duplicado vai de Soledade a Fontoura Xavier, que totaliza 25 quilômetros. Entre as duas cidades, está localizada uma praça de pedágio, em operação desde 2020. Também há um posto de pesagem para fiscalização de veículos de carga, sob responsabilidade da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT).

Enquanto ainda não começa, a duplicação gera expectativa na comunidade. A ampliação da rodovia é aguardada por empresários, gestores públicos e moradores de Soledade há quase duas décadas. O município até mesmo encabeçou campanhas para destravar a obra nos anos 2000. Contudo, o governo federal contemplou apenas os 32 quilômetros entre Estrela e Tabaí na ocasião.

Agente de endemias em Soledade, Norberto Borges espera que a duplicação resulte em maior segurança na rodovia. Conhecedor do trecho, vivenciou muitos acidentes nos últimos anos. “No trevo do parque de eventos não tem controle de velocidade. Muitos motoristas passam voando por ali. Esperamos que, com a obra, isso melhore”, sintetiza.

Curvas em Pouso Novo: perigo constante na subida da serra exige atenção redobrada de motoristas. (Foto: Mateus Souza)

Primeiros reflexos

Para Soledade, a duplicação da 386 abre uma nova rota de desenvolvimento. Economicamente próxima a Passo Fundo, a cidade terá o caminho encurtado para Lajeado e Porto Alegre. Essa conexão, para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Soledade (Acis), Altair Hoerlle, indica boas perspectivas ao futuro.

“Nós já estamos vivendo um reflexo, antes mesmo da duplicação ser executada. Resultado de uma visão de empreendedores que, naturalmente, irão se utilizar dessa localização e fluidez do trecho duplicado. E estar conectado a grandes centros com facilidade naturalmente repercute em um desenvolvimento maior”, ressalta.

No campo do trabalho, Hoerlle pontua que a duplicação auxiliará na expansão do parque industrial do município e, consequentemente, resultará em mais oportunidades de emprego. “Já estamos com uma demanda gigantesca na mão de obra na cidade. É algo inédito para nós”.

Como aspecto negativo, o empresário lamenta que parte das demandas do setor produtivo em relação à obra não foram atendidas pela concessionária. “Não queremos ficar apenas como uma cidade de passagem. Vamos ter apenas dois acessos em um percurso de quase cinco quilômetros. Deveriam ser pelo menos quatro. Mas precisamos focar nas vantagens e diminuir as lamentações”.

Expectativa no Vale

Dois municípios da região serão impactados diretamente com a nova etapa de obras da 386. As máquinas só devem trabalhar em Pouso Novo a partir de 2026, mas o prefeito Moacir Severgnini já dialoga com a CCR para resolver um impasse sobre a faixa de domínio.

“Temos cerca de 30 pessoas que moram ali. Por isso já iniciamos a conversa com eles para encontrarmos um outro local a essas famílias”, pontua o gestor. Outra preocupação é com os acidentes, que são frequentes na serra de Pouso Novo. Lembra que uma das piores tragédias do Vale ocorreu neste trecho, em 2014, com sete vidas perdidas em um acidente.

Em Marques de Souza, cuja obra em direção a Lajeado está perto do fim, o prefeito Fábio Mertz espera maior compreensão da concessionária com as comunidades lindeiras. “O projeto de duplicação foi tratado somente olhando para a autopista, e não aos lindeiros. Nesse contexto, o trevo de acesso principal à cidade ter sido esquecido foi algo surreal”, lamenta.

Divisor de águas

Apesar de algumas divergências pontuais com o projeto, Mertz é direto ao falar sobre o impacto que a duplicação vai trazer ao município. “Falamos de uma obra fantástica, que traz progresso e muito mais segurança. Para Marques de Souza, será um divisor de águas. Esperamos que ele seja todo duplicado o mais rápido possível”.

Já Severgnini inclui a obra dentro de um cenário positivo vivido por Pouso Novo. “Ficará mais fácil para atrairmos empresas. Já estamos conseguindo trazer uma de composto orgânico e temos também a hidrelétrica da Certel, que logo deve iniciar as obras. Tudo vai acabar nos favorecendo”.

Obras da BR-386

  • Ao todo, nesta nova etapa, serão duplicados 112 quilômetros entre Tio Hugo e Marques de Souza. O investimento é de R$ 1 bilhão;

     

  • O primeiro trecho a ser contemplado é de Soledade a Fontoura Xavier, de 25,6 quilômetros. As obras terão prazo de dois anos de conclusão;

     

  • Os 54,9 quilômetros entre Fontoura Xavier e Marques de Souza, passando por São José do Herval e Pouso Novo, terão um prazo maior de execução (três anos), pois conta com grande quantidade de trechos sinuosos e morros;

     

  • As obras ficarão a cargo de um consórcio de empresas, entre elas a Novonor, subsidiária da empreiteira Odebrecht. Também faz parte o grupo chinês Power China.

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