Empresários pressionam governos para manter empregos e produção

ECONOMIA E NEGÓCIOS

Empresários pressionam governos para manter empregos e produção

Com proximidade do próximo quinto dia útil do mês, empregadores solicitam autorização do Ministério do Trabalho para programa de suspensão de contratos sem perda de vínculos com os funcionários

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Empresários pressionam governos para manter empregos e produção
Diretoras da Vinagres Prinz, Jônia e Janaína, destacam necessidade da pressão empresarial para ajuda na retomada econômica regional. (Foto: Filipe Faleiro)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Passados 50 dias da maior enchente do RS, o setor produtivo das oito cidades mais atingidas reivindica políticas públicas específicas para garantir a retomada econômica. No pacote estão medidas como liberação de créditos com juros subsidiados, isenção ou prorrogação de impostos e programa voltado à garantir a empregabilidade.

Em cima disso, uma comitiva de líderes empresariais do Vale do Taquari, representantes de sindicatos patronais e de empregados, participou de uma reunião na tarde de ontem, na Secretaria Estadual de Trabalho e Desenvolvimento Profissional, em Porto Alegre.

Chamado pelo secretário Gilmar Sossela, o encontro tratou da continuidade do grupo formado para a possibilidade de suspensão dos contratos de trabalho sem perda de vínculo empregatício. Conforme o empresário Ângelo Fontana, representante do Vale na agenda, o funcionamento reivindicado pelo setor produtivo é para abrir um programa como o feito durante a pandemia, em que era possível reduzir expedientes, em que o pagamento seria garantido parte com verbas privadas e outra por fundos públicos.

Bolsa qualificação

Em outra frente, a reunião encaminhou a necessidade de acordos coletivos de trabalho e de convenções coletivas para que seja liberado o benefício “Bolsa Qualificação”. O objetivo, diz fontana, é que possa se garantir a continuidade do vínculo empregatício. Como exigência, o funcionário precisa participar de um curso de qualificação, com carga horária de 40 horas.

A proposta estabelece um período de um até três meses, em que os trabalhadores podem receber de um salário até R$ 2,2 mil. Para isso, será necessário que as entidades sindicais promovam convenções ou acordos coletivos para oficializar as suspensões contratuais.

O impacto da medida pode atender até 46 mil trabalhadores com contratos suspensos e chegar ao valor de R$ 285 milhões em bolsas qualificação.

Próximos passos

Como encaminhamento, o encontro estabeleceu a necessidade de organizar as convenções coletivas. “Precisamos trabalhar dentro do que a legislação nos permite fazer. A formalização das convenções é um importante passo para a concessão dos benefícios”, ressalta o superintendente Regional do Trabalho do RS, Claudir Nespolo.

Conforme Fontana, será agendada à próxima semana uma audiência com os sindicatos do Vale do Taquari. Por parte do secretário Gilmar Sossella, ele afirmou que as demandas serão levadas ao Ministério do Trabalho. No argumento central, a necessidade de criar ferramentas para que as empresas tenham subsídios para garantir a continuidade dos dos empregos.

Na semana passada, a Federação de Entidades Empresarias do RS (Federasul) encaminhou ao governo federal uma lista de pedidos. Entre as confirmadas pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, estão a suspensão temporária do recolhimento do FGTS pelas empresas afetadas pelas enchentes.

Volta após mais de 40 dias

A indústria de vinagres Prinz, de Lajeado, retomou quase todas as operações. O reinício foi na quarta-feira passada e ontem chegou a 80% das linhas em funcionamento. As diretoras Janaína Martinez e Jônia Keller destacam que neste momento, o mais importante à empresa são os créditos prometidos pelo governo federal.

“A empresa está sangrando. Mantemos os pagamentos de todos os funcionários com recursos economizados. Tínhamos um plano de ampliação em andamento, mas tivemos de parar tudo. Agora é garantir as entregas”, diz Janaína.

“Não pensamos nem em suspender contratos nem em demitir. Precisamos de toda a mão de obra disponível para garantir a nossa retomada”, frisa Jônia. A empresa fica entre as ruas Silva Jardim e Osvaldo Aranha. Em alguns pontos, a água 1,8 metro de altura. “Perdemos computadores, máquinas, todos os documentos da empresa. Nem conseguimos medir os prejuízos”, afirmam as diretoras.

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