Perdão, Charles Miller

Opinião

João Lucas Feldens Catto

João Lucas Feldens Catto

Advogado desportista

Perdão, Charles Miller

Por

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O futebol é um esporte histórico, passando por diversas adaptações ao longo dos tempos. Há quem diga que ele surgiu na China, como um ritual de guerra. Mas a história do esporte mais popular do mundo remete ao seu início entre Escócia e Inglaterra, por volta de 1870.

Antes dessa época, o futebol até era praticado em diversos locais, mas de diversas maneiras e sem um conjunto de regras. O marco da “profissionalização” ocorreu na Inglaterra, com a criação da até hoje disputada Copa da Inglaterra (FA Cup). Sim, esse é o campeonato mais antigo do mundo, com a primeira edição vencida pelo Wanders FC, em 1871.

No Brasil a história diz que o futebol foi trazido por Charles Miller, em 1894. Mas com todo o respeito ao conhecimento comum, Miller até pode ter sido o primeiro, mas para os amantes do esporte, a história é resumida em “A.P.D.P”. Em 1940, em um lugar no interior de Minas Gerais, o futebol brasileiro começa a trilhar a sua história para o mundo. Um jovem negro, de família humilde, filho de jogador com pouco prestígio, começa a brincar de futebol, esporte ainda sem muito brilhantismo no Brasil.

Esse jovem tinha um talento tão natural e alegre que, mesmo preguiçoso fora de campo, ele teve forças suficientes para carregar o peso de um país inteiro, sendo ele o responsável por apresentar o futebol alegre e o Brasil para o mundo. Com apenas 15 anos esse jovem estreou profissionalmente, onde marcou o primeiro de inúmeros gols e aos 17 foi o mais jovem a ser campeão do mundo marcando gol. E por falar em gol… Acredito que vocês já devem saber que eu estou falando de um tal de Edson, mas não aquele que inventou a lâmpada, e sim daquele que inventou o futebol como arte.
Edson Arantes do Nascimento.

O menino que virou rei, único a ser tri campeão da Copa do Mundo, primeiro a marcar 1.000 gols na carreira e único. Apenas único. Simplesmente Pelé.
Apelido gigante, de apenas 4 letras que talvez foram as que melhor traduziram o significado da palavra futebol. Eu não cheguei a ver ele jogando, mas nunca foi preciso o ver em campo para saber o tamanho de sua genialidade e importância no futebol. Se hoje temos a Lei Pelé, responsável por reger o mundo jurídico entorno do futebol, é porque ele foi nomeado como Ministro do Esporte exclusivamente para pensar em uma forma de proteger os atletas e o futebol como um todo. O menino fez história. Conseguiu transformar seus ídolos em fãs e em 1970 ele virou Rei.

“Hoy no trabajamos porque vamos a ver Pelé”. O Rei parou um país, de forma que cartazes com essa frase foram espalhados em diversos locais no México, que fecharam por um período. Todos queriam o reverenciar. É, são inúmeros os seus feitos dentro e fora de campo, que ficarão para sempre na memória de todo o mundo. E nós, como brasileiros, devemos ter orgulho de ter o maior atleta do século em nossa história esportiva, reverenciando a sua memória e nos tornando ainda mais súditos da realeza do futebol.

Então, Charles Miller que me perdoe, mas desde o surgimento de Edson Arantes do Nascimento, a história do futebol no Brasil é definida em “Antes de Pelé e depois de Pelé”.

Obrigado, Majestade.

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