Seis mortes por afogamento em dois meses

ÁGUAS PERIGOSAS

Seis mortes por afogamento em dois meses

Cerca de 70% deste tipo de óbito acontecem em águas internas, como rios, represas e arroios

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Atualizado quarta-feira,
04 de Janeiro de 2023 às 08:50

Seis mortes por afogamento em dois meses
Bombeiros alertam para cuidados durante os momentos de lazer nos rios (Foto: Fábio Kuhn)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O Corpo de Bombeiros contabiliza seis óbitos por afogamento em 60 dias. Foram três em Estrela, um em Lajeado e dois na microrregião de Encantado. Em todo país, conforme a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, 70% dos óbitos ocorreram em rios e represas. “Isso mostra que o Vale é uma região suscetível a essas ocorrências”, alerta o comandante do Corpo de Bombeiros de Lajeado, Capitão Thalys Stobbe.

Além de evitar o consumo de álcool, o alerta do capitão é para não ir sozinho até os rios e ter cuidado com limos nas pedras e chinelos que podem escorregar. Conforme o Stobbe, a maioria dos afogamentos ocorrem com pessoas que sabem nadar ou que ingeriram álcool e se arriscam em brincadeiras na água.

Além disso, as encostas rochosas dos rios também são motivadores de acidentes. “Estou no Vale há quatro meses mas já peguei três acidentes graves. Em um deles, uma pessoa caiu, muito provavelmente desmaiou por bater a cabeça, e se afogou”, conta Stobbe.

As cheias e enchentes que acometem a região também são fatores que exigem cuidado, até mesmo dos banhistas mais experientes. Isso porque elas são responsáveis por mudar os leitos dos rios de um verão para o outro, além de trazer galhos e outros objetos que podem atrapalhar.

Mortes recentes

Há uma semana, em 27 de dezembro, a Companhia Especial de Busca e Salvamento encontrou o corpo do morador de Estrela, Marciano Semler, 36, no Arroio Boa Vista. Ele estava há cinco metros do local onde havia mergulhado. A profundidade onde o corpo estava era de quatro a seis metros.
Outro óbito, esse em Lajeado, aconteceu em 25 de dezembro. Josimar Silva Araújo, 37, teria saltado de um barranco no Arroio Forquetinha, batido a cabeça. Ele chegou a ser levado ao hospital mas não resistiu.

Segurança

Procurar por campings que contam com guarda-vidas é o mais recomendado, não apenas porque os profissionais conhecem o lugar e podem prevenir acidentes, mas também porque são capazes de salvar afogamentos da forma correta. O capitão reitera que, o primeiro passo para ajudar alguém que está se afogando, é oferecer algum objeto que boie ou uma corda. “Já tivemos casos de uma família em que todos morreram nas tentativas de salvamento.”

Saiba mais

Dados sobre afogamento no Brasil em 2022, conforme a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático.

  • Por dia, 16 brasileiros morreram afogados;
  • Homens morrem afogados em média 6,7 vezes mais do que mulheres;
  • 45% das mortes por afogamento ocorre antes dos 29 anos;
  • 70% dos óbitos ocorrem em rios e represas;
  • 55% das mortes na faixa de 1 a 9 anos de idade ocorrem em piscinas e residências;

Bombeiros alertam para cuidados durante os momentos de lazer nos rios. Crédito: Filipe Faleiro

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