A ligação do Vale com a final da Copa

DE OLHO NA DECISÃO

A ligação do Vale com a final da Copa

Argentino que vive em Encantado e jovens da região residentes nos países da grande final compartilham o clima na véspera da partida

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Atualizado sábado,
17 de Dezembro de 2022 às 16:49

A ligação do Vale com a final da Copa
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Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

“Como todos os argentinos, amo o Brasil. O argentino que não vem para cá é porque não tem grana, nunca porque não gosta.” É com este sentimento que o técnico têxtil Daniel Alfredo Prospero, 61, vive em Encantado faz 22 anos. “Vim a trabalho para a cidade e me apaixonei. Nunca mais fui embora.”
Natural de Avellaneda, Prospero é apaixonado por futebol e torcedor doente do Racing. “Eu era do bairro, me criei no estádio. O clube faz parte da minha vida. Passava os dias no estádio, nas piscinas. Toda a família é sócia e vai nos jogos dentro e fora de casa. O Racing é a maior saudade que tenho da Argentina”, diz.

Argentino que vive no Brasil, brinca que tem sérios problemas quantos às seleções. Os amigos argentinos dizem que ele torce para o Brasil, e os brasileiros que ele torce para a argentina. “Então eu brinco que estou sempre perdendo”, diz. Para ele, a Argentina merece ganhar o título muito por causa de Messi. “É um caso especial, ele é a bandeira argentina para o mundo. Merece encerrar o último Mundial com a taça. É um excelente jogador, um superdotado, um extraterrestre, como dizem. Além de ser um exemplo para as crianças”, considera.

Confiante no título, acredita no seu país. “A Argentina foi crescendo ao longo da competição, iniciou com uma derrota e depois só melhorou. O povo e a Seleção estão unidos, então qualquer que for o resultado, os jogadores serão recebidos como profissionais que deixaram tudo dentro de campo.”

“Eles têm uma paixão absurda pelo futebol”

A lajeadense Jessica Radai, 27, mora em Buenos Aires faz dois anos. Tempo suficiente para virar torcedora da argentina. “Eu tenho que admirar que dois anos perto da loucura do argentino pelo futebol foi o suficiente para me fazer ficar muito mais nervosa nos jogos da Argentina do que nos jogos do Brasil”, diz.

Estudante de medicina, mora na Avenida 9 de Julio, uma das principais vias de Buenos Aires e local de concentração da torcida argentina. “É a rua do Obelisco, onde todos se reúnem para a comemoração. Vira uma festa gigantesca, muita gente, e não param de cantar um segundo. Juro que não sei de onde vem tanta energia”, comenta.

Ela lembra que não acompanhava futebol, mas que passou a se interessar ao se mudar para o país vizinho, onde viu muito mais sintonia do torcedor com o esporte. “Uma vez tentei explicar para um argentino a diferença e ele me interrompeu, deu a melhor justificativa. “É que somos insuportáveis”, ele disse. A verdade é que eles têm uma paixão absurda pelo futebol.”

Em férias no Vale do Taquari, lembra ainda que quando a Argentina perdeu a estreia para a Arábia Saudita, o país parecia estar destruído. “Eu ia nos lugares e me dava tristeza, parecia que tinham perdido a vontade de viver. Depois começaram a vencer e tudo melhorou. Tu vê de longe a alegria, é todo mundo falando sobre o Messi, é o condutor do metrô buzinando sempre que vê alguém com a camisa da Argentina, e por aí vai.”

DE ESTRELA PARA A FRANÇA

O estudante de engenharia mecânica Elias Fell Plentz, 25, foi selecionado por um programa de duplo diploma entre a UFRGS e uma faculdade da França. Desde setembro de 2021, trocou Estrela por Brest, no litoral francês, onde ficará até setembro de 2023.

Na terra da atual campeã, começou torcendo pelo Brasil e acreditava no hexa. Ao ser eliminado, virou mais um torcedor francês. “Converso com as pessoas daqui sobre futebol, senti que começaram meio receosos pelos vários problemas que assolaram a Seleção Francesa antes da Copa. Ao longo da competição foram vencendo, avançando, e trazendo a torcida para perto”, analisa.

O símbolo de que a torcida passou a acreditar no time é a movimentação nas ruas. Brest possui cerca de 140 mil habitantes e está atualmente no inverno, com temperaturas até negativas. Mesmo assim a festa é grande. “A torcida tem ido para as ruas, comemoraram bastante depois da vitória contra o Marrocos, juntou bastante gente no centro. Com certeza a festa será imensa se o título vier.”

Crédito: Arquivo Pessoal

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