MP investiga secretário estadual por suspeita de nepotismo

MAURO HAUSCHILD

MP investiga secretário estadual por suspeita de nepotismo

Bom-retirense namora com uma diretora da Secretaria de Justiça. Governador encaminha caso à Comissão de Ética Pública

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Atualizado quinta-feira,
08 de Dezembro de 2022 às 07:59

MP investiga secretário estadual por suspeita de nepotismo
Hauschild é um dos três secretários do Vale no alto escalão do Piratini. Crédito: Arquivo/A Hora
Estado
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Uma suspeita de nepotismo que envolve o secretário estadual da Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo, Mauro Hauschild, motivou a abertura de investigação por parte do Ministério Público. O caso veio à tona nessa semana, após denúncia de um servidor que atua na pasta.

Hauschild, que é de Bom Retiro do Sul e ocupa a secretaria faz dois anos e meio, é companheiro de uma diretora da pasta, Pâmela Peixoto. Pela denúncia, ela utiliza veículo oficial do estado e recebeu um aumento na gratificação incorporada ao salário após o começo do namoro.

Em nota, o MP se limita a informar que abriu investigação contra Hauschild e Pâmela por possível improbidade administrativa. O processo corre em tramitação reservada e está sob responsabilidade da sétima promotora de Justiça da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, Josiene Menezes Paim.

Além do MP, o Ministério Público de Contas (MPC) do RS, órgão ligado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), também apura denúncia. O caso também foi encaminhado pelo governador Ranolfo Vieira Júnior à Comissão de Ética Pública do Executivo.

Até o fechamento desta edição, Hauschild não havia se manifestado de forma oficial e não atendeu às ligações da reportagem. Ele é um dos três nomes do alto escalão do governo gaúcho que são naturais do Vale do Taquari. Os outros são Marjorie Kauffmann (Meio Ambiente) e Rafael Mallmann (Desenvolvimento Urbano e Metropolitano).

Investigação

Pâmela foi nomeada diretora do Departamento de Políticas Sócio-Educativas, ligada à secretaria comandada por Hauschild, em janeiro deste ano. Seis meses depois, ela teve uma promoção. O salário, que era de R$ 4,3 mil, chegou a R$ 5,5 mil em outubro.

Também são apuradas as viagens feitas pelo casal. Neste ano, foram seis, todas com passagens pagas pelo Estado. Em uma delas, para Belo Horizonte, Hauschild colocou como motivo reuniões administrativas, enquanto Pâmela informou que iria em participação e visitas. Essas informações constam no Diário Oficial do Estado.

Pedido de esclarecimento

A denúncia contra Hauschild e namorada repercutiu ontem na Assembleia Legislativa. O deputado Rodrigo Lorenzoni (PL) pediu a convocação do secretário para prestar esclarecimentos. O documento foi encaminhado ao presidente da Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle, deputado estadual Elizandro Sabino (PTB).

“O homem que deveria conhecer de perto as leis e os ritos é suspeito de ter praticado uma série de irregularidades que ferem de morte um princípio basilar da gestão pública, que é o princípio da impessoalidade”, afirmou Lorenzoni, no plenário. Caso Hauschild não compareça, sem justificativas dentro do prazo regimental, pode responder por crime de responsabilidade.

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